24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 é concluída com síntese dos grupos e compromisso com uma Igreja em saída

Encontro reuniu bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades para refletir sobre a recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da CNBB foi concluída neste sábado (5), no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro. Durante três dias, bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades refletiram sobre os caminhos da Igreja no estado a partir do tema “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”.
O último dia começou com a Santa Missa com Laudes, presidida por Dom Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo do Rio de Janeiro. A celebração foi concelebrada por Dom Tarcísio Nascentes, bispo de Duque de Caxias, e Dom Nelson Francelino, bispo de Valença.
“Ser Igreja viva”
Na homilia, o cardeal Dom Orani fez uma exortação sobre o papel da Igreja diante dos desafios da realidade. Ao olhar para as diferentes situações de sofrimento presentes no estado do Rio de Janeiro, destacou o chamado para que a Igreja seja uma presença viva, próxima das pessoas e capaz de oferecer sinais de esperança.
O arcebispo também ressaltou que as diferenças existentes entre os membros da Igreja não devem impedir a comunhão. Ao contrário, o caminho sinodal convida a reconhecer as diferenças e, ao mesmo tempo, fortalecer aquilo que une o povo de Deus.
A perspectiva esteve em sintonia com as reflexões realizadas ao longo da Assembleia, que apontaram a necessidade de uma Igreja mais próxima, acolhedora e presente junto às pessoas que vivem situações de sofrimento.
Grupos apresentam contribuições
Após a celebração, a Assembleia retomou os trabalhos em plenária. Os grupos apresentaram as sínteses das reflexões realizadas na tarde de sexta-feira.
Os grupos 1 e 2 trabalharam as questões relacionadas à presença da missão e da sinodalidade na realidade eclesial e aos desafios apresentados pela realidade social. Os grupos 3, 4, 7 e 8 refletiram sobre as palavras e os gestos que devem caracterizar a missão da Igreja e sobre a concretização da imagem da “Tenda do Encontro”. Já os grupos 5 e 6 abordaram os chamados compromissos sinodais — relações, processos e vínculos — e os sinais de esperança que podem ser fortalecidos na ação evangelizadora.
As questões propostas para os grupos tinham como horizonte tornar a missão e a sinodalidade mais presentes na vida eclesial, responder aos apelos das pessoas e da realidade, fortalecer a Igreja como “Tenda do Encontro” e concretizar os compromissos sinodais.
A partir das contribuições, Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis, e Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário do Regional Leste 1, apresentaram uma síntese dos principais pontos levantados pelos participantes e das convergências identificadas entre os grupos.
Escuta aparece como principal convergência
Entre os pontos que mais se destacaram está a escuta. Ela apareceu relacionada à sinodalidade, à participação, à conversão, ao discernimento, à acolhida, à proximidade e à missão. Mais do que uma técnica pastoral, foi compreendida como uma atitude espiritual e uma expressão concreta da conversão comunitária.
Outra convergência foi o desejo de uma Igreja que sai ao encontro das pessoas. A imagem da “Tenda” foi associada a uma Igreja que não permanece fechada em seus espaços, mas se desloca, visita, dialoga com a realidade e alcança as periferias.
Também ganhou destaque a necessidade de fortalecer a acolhida, a proximidade e o cuidado, especialmente junto às pessoas que vivem situações de sofrimento. Acolher, na perspectiva apresentada pelos grupos, significa escutar, conhecer a realidade, acompanhar, cuidar e agir.
Participação e novas lideranças
As contribuições também apontaram para a ampliação da participação de leigos, jovens, crianças, idosos, novas lideranças e pessoas que normalmente têm menos espaço na vida comunitária. Conselhos, assembleias e pequenas comunidades foram indicados como instrumentos importantes para essa participação.
As pequenas comunidades foram apresentadas como um caminho concreto para uma Igreja mais próxima, participativa e missionária. Entre as experiências mencionadas estão círculos bíblicos, grupos de oração, encontros de vizinhança, grupos pastorais, visitas, valorização dos ministérios e ações no ambiente digital.
A realidade social do Regional também esteve presente nas reflexões. Violência, pobreza, desemprego, abandono, famílias fragilizadas, crise educacional e vulnerabilidade social foram identificados como desafios que exigem uma presença mais próxima da Igreja junto às pessoas que sofrem.
Juventudes, pessoas sem religião e famílias
A síntese apresentada também destacou a importância das juventudes como protagonistas da missão. Os grupos indicaram a necessidade de criar meios de aproximação, ampliar a participação de crianças, adolescentes e jovens nos processos comunitários e favorecer o surgimento de novas lideranças. A participação juvenil foi compreendida como parte da própria conversão comunitária e como sinal de esperança.
Outro desafio apontado foi o encontro com pessoas sem vínculo religioso e com aqueles que estão fora dos espaços habituais da Igreja. A síntese propõe superar o fechamento, ampliar a presença nas periferias, criar novas formas de aproximação e levar a “Tenda” até as pessoas.
A família também apareceu como realidade que precisa de cuidado pastoral e, ao mesmo tempo, como espaço privilegiado de transmissão da fé, formação e fortalecimento de vínculos. Os grupos indicaram a necessidade de escutar e acompanhar as famílias, considerando suas diferentes situações e vulnerabilidades, com atenção especial às crianças e aos adolescentes.
Comunicação para fazer as Diretrizes chegarem às comunidades
A recepção das novas Diretrizes foi apontada como um desafio que vai além da publicação do documento. É necessário fazer com que seu conteúdo chegue às comunidades por meio de linguagem simples, formação, homilias, redes sociais, vídeos, conselhos e assembleias.
Essa perspectiva está diretamente relacionada ao propósito da Assembleia: não apenas conhecer as novas DGAE, mas encontrar caminhos para que elas sejam incorporadas à vida pastoral do Regional Leste 1.
Comunicações e envio
Na última sessão, representantes das comissões pastorais e dos organismos regionais fizeram suas comunicações aos participantes.
Com os trabalhos concluídos, o presidente do Regional Leste 1, Dom Gilson Andrade da Silva, fez as considerações finais da Assembleia. Coube a Dom Luiz Henrique da Silva Brito, vice-presidente do Regional, conduzir a oração final e a bênção de envio dos delegados.
Ao longo dos três dias, a 24ª Assembleia Eclesial reafirmou um caminho marcado por escuta, discernimento, participação, comunhão e missão. As contribuições dos grupos indicam o desafio de construir uma Igreja mais próxima das pessoas, capaz de sair ao encontro das realidades de sofrimento e, ao mesmo tempo, reconhecer e fortalecer os sinais de esperança presentes nas comunidades.
A Assembleia termina, assim, não como ponto final, mas como parte de um processo de recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, buscando traduzir o caminho sinodal em relações, processos e vínculos concretos na vida da Igreja no Regional Leste 1.

