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24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 é concluída com síntese dos grupos e compromisso com uma Igreja em saída

setembro 5, 2026 / no comments

24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 é concluída com síntese dos grupos e compromisso com uma Igreja em saída

Encontro reuniu bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades para refletir sobre a recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da CNBB foi concluída neste sábado (5), no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro. Durante três dias, bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades refletiram sobre os caminhos da Igreja no estado a partir do tema “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”.

O último dia começou com a Santa Missa com Laudes, presidida por Dom Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo do Rio de Janeiro. A celebração foi concelebrada por Dom Tarcísio Nascentes, bispo de Duque de Caxias, e Dom Nelson Francelino, bispo de Valença.

“Ser Igreja viva”

Na homilia, o cardeal Dom Orani fez uma exortação sobre o papel da Igreja diante dos desafios da realidade. Ao olhar para as diferentes situações de sofrimento presentes no estado do Rio de Janeiro, destacou o chamado para que a Igreja seja uma presença viva, próxima das pessoas e capaz de oferecer sinais de esperança.

O arcebispo também ressaltou que as diferenças existentes entre os membros da Igreja não devem impedir a comunhão. Ao contrário, o caminho sinodal convida a reconhecer as diferenças e, ao mesmo tempo, fortalecer aquilo que une o povo de Deus.

A perspectiva esteve em sintonia com as reflexões realizadas ao longo da Assembleia, que apontaram a necessidade de uma Igreja mais próxima, acolhedora e presente junto às pessoas que vivem situações de sofrimento.

Grupos apresentam contribuições

Após a celebração, a Assembleia retomou os trabalhos em plenária. Os grupos apresentaram as sínteses das reflexões realizadas na tarde de sexta-feira.

Os grupos 1 e 2 trabalharam as questões relacionadas à presença da missão e da sinodalidade na realidade eclesial e aos desafios apresentados pela realidade social. Os grupos 3, 4, 7 e 8 refletiram sobre as palavras e os gestos que devem caracterizar a missão da Igreja e sobre a concretização da imagem da “Tenda do Encontro”. Já os grupos 5 e 6 abordaram os chamados compromissos sinodais — relações, processos e vínculos — e os sinais de esperança que podem ser fortalecidos na ação evangelizadora.

As questões propostas para os grupos tinham como horizonte tornar a missão e a sinodalidade mais presentes na vida eclesial, responder aos apelos das pessoas e da realidade, fortalecer a Igreja como “Tenda do Encontro” e concretizar os compromissos sinodais.

A partir das contribuições, Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis, e Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário do Regional Leste 1, apresentaram uma síntese dos principais pontos levantados pelos participantes e das convergências identificadas entre os grupos.

Escuta aparece como principal convergência

Entre os pontos que mais se destacaram está a escuta. Ela apareceu relacionada à sinodalidade, à participação, à conversão, ao discernimento, à acolhida, à proximidade e à missão. Mais do que uma técnica pastoral, foi compreendida como uma atitude espiritual e uma expressão concreta da conversão comunitária.

Outra convergência foi o desejo de uma Igreja que sai ao encontro das pessoas. A imagem da “Tenda” foi associada a uma Igreja que não permanece fechada em seus espaços, mas se desloca, visita, dialoga com a realidade e alcança as periferias.

Também ganhou destaque a necessidade de fortalecer a acolhida, a proximidade e o cuidado, especialmente junto às pessoas que vivem situações de sofrimento. Acolher, na perspectiva apresentada pelos grupos, significa escutar, conhecer a realidade, acompanhar, cuidar e agir.

Participação e novas lideranças

As contribuições também apontaram para a ampliação da participação de leigos, jovens, crianças, idosos, novas lideranças e pessoas que normalmente têm menos espaço na vida comunitária. Conselhos, assembleias e pequenas comunidades foram indicados como instrumentos importantes para essa participação.

As pequenas comunidades foram apresentadas como um caminho concreto para uma Igreja mais próxima, participativa e missionária. Entre as experiências mencionadas estão círculos bíblicos, grupos de oração, encontros de vizinhança, grupos pastorais, visitas, valorização dos ministérios e ações no ambiente digital.

A realidade social do Regional também esteve presente nas reflexões. Violência, pobreza, desemprego, abandono, famílias fragilizadas, crise educacional e vulnerabilidade social foram identificados como desafios que exigem uma presença mais próxima da Igreja junto às pessoas que sofrem.

Juventudes, pessoas sem religião e famílias

A síntese apresentada também destacou a importância das juventudes como protagonistas da missão. Os grupos indicaram a necessidade de criar meios de aproximação, ampliar a participação de crianças, adolescentes e jovens nos processos comunitários e favorecer o surgimento de novas lideranças. A participação juvenil foi compreendida como parte da própria conversão comunitária e como sinal de esperança.

Outro desafio apontado foi o encontro com pessoas sem vínculo religioso e com aqueles que estão fora dos espaços habituais da Igreja. A síntese propõe superar o fechamento, ampliar a presença nas periferias, criar novas formas de aproximação e levar a “Tenda” até as pessoas.

A família também apareceu como realidade que precisa de cuidado pastoral e, ao mesmo tempo, como espaço privilegiado de transmissão da fé, formação e fortalecimento de vínculos. Os grupos indicaram a necessidade de escutar e acompanhar as famílias, considerando suas diferentes situações e vulnerabilidades, com atenção especial às crianças e aos adolescentes.

Comunicação para fazer as Diretrizes chegarem às comunidades

A recepção das novas Diretrizes foi apontada como um desafio que vai além da publicação do documento. É necessário fazer com que seu conteúdo chegue às comunidades por meio de linguagem simples, formação, homilias, redes sociais, vídeos, conselhos e assembleias.

Essa perspectiva está diretamente relacionada ao propósito da Assembleia: não apenas conhecer as novas DGAE, mas encontrar caminhos para que elas sejam incorporadas à vida pastoral do Regional Leste 1.

Comunicações e envio

Na última sessão, representantes das comissões pastorais e dos organismos regionais fizeram suas comunicações aos participantes.

Com os trabalhos concluídos, o presidente do Regional Leste 1, Dom Gilson Andrade da Silva, fez as considerações finais da Assembleia. Coube a Dom Luiz Henrique da Silva Brito, vice-presidente do Regional, conduzir a oração final e a bênção de envio dos delegados.

Ao longo dos três dias, a 24ª Assembleia Eclesial reafirmou um caminho marcado por escuta, discernimento, participação, comunhão e missão. As contribuições dos grupos indicam o desafio de construir uma Igreja mais próxima das pessoas, capaz de sair ao encontro das realidades de sofrimento e, ao mesmo tempo, reconhecer e fortalecer os sinais de esperança presentes nas comunidades.

A Assembleia termina, assim, não como ponto final, mas como parte de um processo de recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, buscando traduzir o caminho sinodal em relações, processos e vínculos concretos na vida da Igreja no Regional Leste 1.

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24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 começa com reflexão sobre o cansaço da Igreja

setembro 4, 2026 / no comments

24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 começa com reflexão sobre o cansaço da Igreja

Primeiro dia do encontro, no Centro de Estudos do Sumaré, teve celebração presidida por Dom Gilson e reflexão do padre Douglas Alves Fontes sobre os desafios do cristianismo em uma sociedade marcada pela exaustão

A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou nesta quinta-feira (3), no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro. O encontro reúne bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades e pastorais para refletir sobre os caminhos da Igreja no estado do Rio de Janeiro.

Com o tema “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”, a assembleia segue até sábado (5).

A programação começou com a chegada dos participantes, às 16h. Às 17h30, foi celebrada a Santa Missa com Vésperas, presidida por Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu e presidente do Regional Leste 1. Concelebraram Dom Luiz Henrique da Silva Brito, bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda e vice-presidente do Regional, e Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário do Regional.

“Vós sois de Cristo”

Na homilia, Dom Gilson partiu das leituras propostas pela liturgia do dia, com destaque para a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (3,18-23) e o Evangelho segundo Lucas (5,1-11).

O presidente do Regional destacou o significado de iniciar a assembleia com a celebração da memória de São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja. Para Dom Gilson, a liturgia ofereceu uma chave importante para os trabalhos dos próximos dias.

Ao recordar a divisão existente na comunidade de Corinto entre os grupos ligados a Pedro, Paulo e Apolo, o bispo ressaltou a exortação de São Paulo à unidade em torno do essencial da fé. Em vez de se prender às divisões, a comunidade é chamada a reconhecer sua pertença comum a Cristo.

A mensagem ganhou um sentido especial no início de uma assembleia dedicada a pensar os caminhos da ação evangelizadora. “Vós sois de Cristo”, lembrou Dom Gilson, retomando o eixo da leitura paulina.

Uma Igreja cansada

Após o jantar e a sessão de abertura, os participantes foram convidados a olhar para uma realidade que atravessa a sociedade e também a vida das comunidades: o cansaço.

O tema foi apresentado pelo padre Douglas Alves Fontes, doutor em Teologia e membro do clero da Arquidiocese de Niterói. A reflexão, intitulada “A Igreja do Cansaço”, tomou como referência o livro Igreja do Cansaço, de Willibaldo Ruppenthal Neto, que dialoga com o diagnóstico feito pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han em A Sociedade do Cansaço. O material apresentado também relaciona o tema aos desafios vividos atualmente pelas comunidades cristãs.

A reflexão parte da ideia de que a sociedade contemporânea é marcada pela cobrança permanente por desempenho, produtividade e resultados. Nesse cenário, a pessoa passa a explorar a si mesma em busca de uma performance cada vez maior. O material apresentado chama esse processo de “autoexploração voluntária” e aponta suas consequências, como esgotamento e perda de sentido.

O problema, segundo a reflexão, também pode atingir a experiência religiosa. A vida de oração, a participação comunitária e o serviço podem correr o risco de assumir a mesma lógica de produtividade: fazer mais, alcançar mais pessoas, obter mais resultados e medir a própria atuação por números.

“Somos pastores, mas somos também filhos de Deus.”

A frase, apresentada entre as reflexões sobre os chamados “pastores cansados”, sintetiza uma das provocações da noite: reconhecer que aqueles que exercem responsabilidades na Igreja também estão sujeitos aos limites humanos e precisam de descanso. O material alerta para uma compreensão equivocada segundo a qual o pastor deveria estar sempre disposto ao sacrifício, sem espaço para reconhecer o próprio cansaço.

Do desempenho ao descanso

A reflexão também apontou outros sinais desse cansaço na vida eclesial. Entre eles estão o ativismo religioso, a multiplicação de reuniões e eventos, a busca por engajamento numérico e o enfraquecimento das relações comunitárias.

Outro ponto abordado foi a transformação das relações em números. Seguidores, curtidas e métricas podem levar à redução do outro a mais um número, inclusive na experiência religiosa. O material chama atenção para o risco de uma Igreja marcada por uma espécie de “membresia quantificada”, na qual a quantidade passa a ocupar o lugar da relação.

Como contraponto, a reflexão propôs recuperar o sentido bíblico do descanso. O material apresentado afirma que o descanso não deve ser entendido como recompensa depois da produtividade, mas como parte da própria experiência humana diante de Deus. A proposta é que a Igreja possa criar espaços de silêncio, contemplação, partilha e acolhimento.

A reflexão terminou com um convite a pensar a Igreja como uma “contracultura de paz”, capaz de romper com a lógica do desempenho e recuperar o descanso oferecido por Cristo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”.

Os trabalhos da 24ª Assembleia Eclesial prosseguem nesta sexta-feira (4), quando os participantes avançarão na reflexão sobre as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e sobre a recepção do caminho sinodal, tendo como horizonte uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana.

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