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24ª Assembleia Eclesial aprofunda reflexão sobre sinodalidade e os caminhos da missão

setembro 5, 2026 / no comments

24ª Assembleia Eclesial aprofunda reflexão sobre sinodalidade e os caminhos da missão

Segundo dia do encontro do Regional Leste 1 teve assessoria do padre Douglas Alves Fontes, reflexão de Dom Joel Portella Amado e trabalhos em grupo a partir das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da CNBB dedicou a sexta-feira (4), segundo dia de trabalhos, ao aprofundamento do tema central do encontro: “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”.

Realizada no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, a programação reuniu os participantes em momentos de oração, reflexão, celebração e trabalho em grupo. Ao longo do dia, a assembleia buscou relacionar as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) com o caminho percorrido pelo Sínodo sobre a Sinodalidade.

DGAE: caminhos para a missão

Durante a manhã, o padre Douglas Alves Fontes, doutor em Teologia e membro do clero da Arquidiocese de Niterói, conduziu as sessões dedicadas ao tema central.

As novas DGAE são apresentadas como um instrumento para responder aos desafios atuais da evangelização e foram construídas em um caminho sinodal, marcado pela colegialidade e pela missionariedade. O documento propõe uma Igreja sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, formada por comunidades de discípulos missionários e comprometida com a dignidade humana.

Entre as imagens que ajudam a compreender essa proposta está a da “Igreja: Tenda do Encontro”. A tenda expressa acolhida, abertura, discernimento, comunhão e missão. É apresentada como abrigo e lugar do encontro com Cristo.

A reflexão também destacou os caminhos concretos indicados pelas Diretrizes: animação bíblica da vida e da pastoral, iniciação à vida cristã, pequenas comunidades, liturgia e espiritualidade e serviço à vida plena para todos.

Sinodalidade como modo de caminhar

Na parte da tarde, o Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis e padre sinodal, conduziu a reflexão sobre a sinodalidade e sua relação com as novas Diretrizes.

A apresentação partiu de uma pergunta fundamental: afinal, do que se fala quando se fala em sinodalidade? A resposta apresentada relacionou o conceito à comunhão, à escuta, ao acolhimento, à participação e à missão.

Dom Joel destacou a relação entre o caminho sinodal e as DGAE. Em sua apresentação, as Diretrizes são compreendidas como instrumento de implementação do Sínodo da Sinodalidade no contexto da Igreja no Brasil. O desafio é discernir sinodalmente os caminhos da missão e aprender a sinodalidade na própria vivência da missão.

A reflexão foi organizada a partir de três dimensões de conversão: relações, processos e vínculos. Nas relações, a proposta é renovar a maneira como pessoas, carismas e instituições se relacionam, valorizando a escuta e o convívio. Nos processos, o caminho passa da centralização para a participação e a transparência, com maior valorização dos organismos participativos, como conselhos e assembleias. Nos vínculos, amplia-se a relação da Igreja local com outras Igrejas, com a Santa Sé, com outras religiões e com a sociedade.

Escuta, discernimento e participação

A reflexão sobre a sinodalidade também preparou o caminho para o trabalho realizado pelos participantes em grupos.

A metodologia da conversação no Espírito, utilizada no processo sinodal, não é apresentada como debate ou disputa de opiniões. Trata-se de uma experiência de oração, escuta e discernimento comunitário.

O silêncio ocupa papel importante nesse processo, como espaço de oração e de escuta interior. A metodologia busca criar condições para que a fala do outro seja acolhida e para que o grupo possa discernir conjuntamente.

Foi nesse espírito que os delegados da assembleia se reuniram para refletir sobre questões propostas pela equipe de conteúdo. Entre os temas apresentados estavam os desafios atuais da evangelização no Regional Leste 1, as palavras e os gestos que devem caracterizar a missão da Igreja, a concretização da imagem da “Tenda do Encontro”, os compromissos sinodais e os sinais de esperança presentes na ação evangelizadora.

O objetivo não foi chegar a uma disputa entre posições, mas identificar convergências, apelos pastorais e possíveis caminhos para a missão, em busca de um discernimento comunitário.

Celebração encerra o dia

No fim da tarde, os participantes celebraram a Santa Missa com Vésperas, presidida por Dom José Francisco Rezende Dias, arcebispo de Niterói. A celebração teve um significado especial para o arcebispo, que, neste ano, celebra 70 anos de idade e seu jubileu de prata episcopal.

A Missa foi concelebrada por Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis, e Dom Pedro Cunha Cruz, bispo de Nova Friburgo.

Na homilia, a partir das leituras do dia — 1Cor 4,1-5 e Lc 5,33- —, Dom José Francisco refletiu sobre a sinodalidade e sobre o chamado da Igreja a caminhar em comunhão, aberta à ação de Deus e atenta aos sinais do tempo.

A celebração encerrou uma jornada marcada pela escuta e pelo discernimento. Os trabalhos em grupo continuaram à noite, preparando as contribuições que serão apresentadas no encerramento da assembleia.

A 24ª Assembleia Eclesial será concluída neste sábado (5), com a apresentação da síntese dos grupos e a retomada dos principais caminhos apontados pelos participantes para a recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil no Regional Leste 1.

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Imagens: Adielson Agrelos – CNBB Leste 1

24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 começa com reflexão sobre o cansaço da Igreja

setembro 4, 2026 / no comments

24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 começa com reflexão sobre o cansaço da Igreja

Primeiro dia do encontro, no Centro de Estudos do Sumaré, teve celebração presidida por Dom Gilson e reflexão do padre Douglas Alves Fontes sobre os desafios do cristianismo em uma sociedade marcada pela exaustão

A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou nesta quinta-feira (3), no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro. O encontro reúne bispos, padres, religiosos, religiosas e representantes das comunidades e pastorais para refletir sobre os caminhos da Igreja no estado do Rio de Janeiro.

Com o tema “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”, a assembleia segue até sábado (5).

A programação começou com a chegada dos participantes, às 16h. Às 17h30, foi celebrada a Santa Missa com Vésperas, presidida por Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu e presidente do Regional Leste 1. Concelebraram Dom Luiz Henrique da Silva Brito, bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda e vice-presidente do Regional, e Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário do Regional.

“Vós sois de Cristo”

Na homilia, Dom Gilson partiu das leituras propostas pela liturgia do dia, com destaque para a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (3,18-23) e o Evangelho segundo Lucas (5,1-11).

O presidente do Regional destacou o significado de iniciar a assembleia com a celebração da memória de São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja. Para Dom Gilson, a liturgia ofereceu uma chave importante para os trabalhos dos próximos dias.

Ao recordar a divisão existente na comunidade de Corinto entre os grupos ligados a Pedro, Paulo e Apolo, o bispo ressaltou a exortação de São Paulo à unidade em torno do essencial da fé. Em vez de se prender às divisões, a comunidade é chamada a reconhecer sua pertença comum a Cristo.

A mensagem ganhou um sentido especial no início de uma assembleia dedicada a pensar os caminhos da ação evangelizadora. “Vós sois de Cristo”, lembrou Dom Gilson, retomando o eixo da leitura paulina.

Uma Igreja cansada

Após o jantar e a sessão de abertura, os participantes foram convidados a olhar para uma realidade que atravessa a sociedade e também a vida das comunidades: o cansaço.

O tema foi apresentado pelo padre Douglas Alves Fontes, doutor em Teologia e membro do clero da Arquidiocese de Niterói. A reflexão, intitulada “A Igreja do Cansaço”, tomou como referência o livro Igreja do Cansaço, de Willibaldo Ruppenthal Neto, que dialoga com o diagnóstico feito pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han em A Sociedade do Cansaço. O material apresentado também relaciona o tema aos desafios vividos atualmente pelas comunidades cristãs.

A reflexão parte da ideia de que a sociedade contemporânea é marcada pela cobrança permanente por desempenho, produtividade e resultados. Nesse cenário, a pessoa passa a explorar a si mesma em busca de uma performance cada vez maior. O material apresentado chama esse processo de “autoexploração voluntária” e aponta suas consequências, como esgotamento e perda de sentido.

O problema, segundo a reflexão, também pode atingir a experiência religiosa. A vida de oração, a participação comunitária e o serviço podem correr o risco de assumir a mesma lógica de produtividade: fazer mais, alcançar mais pessoas, obter mais resultados e medir a própria atuação por números.

“Somos pastores, mas somos também filhos de Deus.”

A frase, apresentada entre as reflexões sobre os chamados “pastores cansados”, sintetiza uma das provocações da noite: reconhecer que aqueles que exercem responsabilidades na Igreja também estão sujeitos aos limites humanos e precisam de descanso. O material alerta para uma compreensão equivocada segundo a qual o pastor deveria estar sempre disposto ao sacrifício, sem espaço para reconhecer o próprio cansaço.

Do desempenho ao descanso

A reflexão também apontou outros sinais desse cansaço na vida eclesial. Entre eles estão o ativismo religioso, a multiplicação de reuniões e eventos, a busca por engajamento numérico e o enfraquecimento das relações comunitárias.

Outro ponto abordado foi a transformação das relações em números. Seguidores, curtidas e métricas podem levar à redução do outro a mais um número, inclusive na experiência religiosa. O material chama atenção para o risco de uma Igreja marcada por uma espécie de “membresia quantificada”, na qual a quantidade passa a ocupar o lugar da relação.

Como contraponto, a reflexão propôs recuperar o sentido bíblico do descanso. O material apresentado afirma que o descanso não deve ser entendido como recompensa depois da produtividade, mas como parte da própria experiência humana diante de Deus. A proposta é que a Igreja possa criar espaços de silêncio, contemplação, partilha e acolhimento.

A reflexão terminou com um convite a pensar a Igreja como uma “contracultura de paz”, capaz de romper com a lógica do desempenho e recuperar o descanso oferecido por Cristo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”.

Os trabalhos da 24ª Assembleia Eclesial prosseguem nesta sexta-feira (4), quando os participantes avançarão na reflexão sobre as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e sobre a recepção do caminho sinodal, tendo como horizonte uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana.

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