Em Aparecida, Assembleia da CNBB entra no ritmo dos debates e aprofunda diretrizes para a evangelização no Brasil

Reunidos em Aparecida, os bispos do Brasil vivem dias intensos da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, marcada por oração, escuta da realidade e discernimento pastoral. Após a abertura, realizada no dia 15 de abril sob o olhar de Nossa Senhora Aparecida, os trabalhos avançam com foco na missão evangelizadora da Igreja no país.
Abertura marcada pela fé e pela comunhão
A assembleia teve início com a acolhida da imagem da Padroeira do Brasil, gesto que expressa a confiança dos bispos na intercessão de Maria. Na sessão inaugural, Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, destacou o valor da colegialidade episcopal e incentivou os participantes a viverem este tempo com espírito de unidade, verdade e fraternidade.
A mensagem enviada pelo Papa Leão XIV reforçou o apelo à paz, lembrando que ela nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da vivência concreta da fraternidade.
Retiro espiritual abre o coração para a missão
Antes do início das atividades deliberativas, os bispos participaram de dois dias de retiro espiritual, conduzido por Dom Armando Bucciol. O tempo de oração e silêncio favoreceu a escuta de Deus e a preparação interior para os trabalhos da assembleia.
Um dos momentos mais significativos foi a procissão até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde os bispos, como peregrinos, confiaram à Mãe Aparecida as intenções da Igreja, rezando especialmente pela paz, pelas vocações e pelo povo brasileiro.
Análises ajudam a ler os sinais dos tempos
No terceiro dia, os trabalhos avançaram com as análises de conjuntura social e eclesial, fundamentais para orientar o discernimento pastoral. A reflexão sobre a realidade social destacou um cenário global e nacional marcado por tensões, mudanças rápidas e desafios interligados.
Já a análise eclesial evidenciou um contexto de pluralidade religiosa e transformações culturais, apontando a necessidade de uma evangelização cada vez mais próxima, dialogal e enraizada na realidade das pessoas.
Diretrizes da Ação Evangelizadora entram em pauta
Tema central da assembleia, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil começaram a ser apreciadas pelos bispos. A apresentação foi conduzida por Dom Leomar Antônio Brustolin, que destacou o caráter amplo e inspirador do documento.
Fruto de um longo processo de escuta do povo de Deus, as diretrizes não se apresentam como um plano fechado, mas como orientações que respeitam a diversidade das realidades locais. A análise do texto será feita por regionais, permitindo contribuições concretas ao documento.
Um caminho de escuta, unidade e compromisso
Entre celebrações, reflexões e partilhas, a 62ª Assembleia Geral da CNBB segue como espaço privilegiado de comunhão e construção conjunta. Os próximos dias serão dedicados ao aprofundamento e à aprovação das diretrizes, que deverão iluminar os caminhos da evangelização no Brasil nos próximos anos.



A programação teve início na manhã da quarta-feira, 25 de março, com oração inicial e acolhida conduzida por Dom Gilson Andrade, bispo de Nova Iguaçu e presidente do Regional. Em sua saudação, ele agradeceu ao Cardeal Orani João Tempesta pela acolhida no espaço pertencente à Arquidiocese do Rio de Janeiro, destacando a hospitalidade já tradicional da casa.
Na sequência, os bispos participaram de um momento de estudo sobre o magistério do Papa Leão XIV, conduzido por Dom Pedro Cunha Cruz, bispo de Nova Friburgo, e por Dom Hiansen Vieira Franco, bispo auxiliar do Rio de Janeiro. A reflexão teve como base discursos recentes do Santo Padre, especialmente ao corpo diplomático da Santa Sé e aos bispos da Conferência Episcopal Italiana, em Assis.
Durante a exposição, foram destacados elementos que marcam este primeiro ano de pontificado, percebido em continuidade com o Papa Francisco, mas com características próprias, sobretudo no campo doutrinário. Entre os pontos ressaltados estiveram a sacralidade da vida, a inviolabilidade da dignidade humana, a afirmação do Estado de Direito, a promoção do diálogo e o incentivo a iniciativas humanitárias. Também foi evidenciada a influência da tradição agostiniana na formação do Papa, com reflexos em sua abordagem teológica e pastoral.
Após o momento formativo, houve partilha entre os bispos e a apresentação da prestação de contas anual do Regional. Ainda na manhã, representantes da Pastoral da Inclusão apresentaram o trabalho desenvolvido nas dioceses, destacando a articulação nas paróquias e os desafios para ampliar a participação de pessoas com deficiência na vida eclesial.
Na quinta-feira, 26 de março, a jornada teve início com a celebração da Eucaristia com Laudes, presidida por Dom Pedro Cunha Cruz. A missa contou com a concelebração de Dom Gilson Andrade e de Dom José Francisco, arcebispo de Niterói. Nas intenções, foram recordados os 66 anos de criação das dioceses de Nova Friburgo e de Nova Iguaçu, bem como os 66 anos de elevação da Igreja particular de Niterói à condição de arquidiocese.