24ª Assembleia Eclesial aprofunda reflexão sobre sinodalidade e os caminhos da missão

Segundo dia do encontro do Regional Leste 1 teve assessoria do padre Douglas Alves Fontes, reflexão de Dom Joel Portella Amado e trabalhos em grupo a partir das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
A 24ª Assembleia Eclesial do Regional Leste 1 da CNBB dedicou a sexta-feira (4), segundo dia de trabalhos, ao aprofundamento do tema central do encontro: “As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: caminho de recepção do Sínodo para uma Igreja missionária, sinodal e servidora da dignidade humana”.
Realizada no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, a programação reuniu os participantes em momentos de oração, reflexão, celebração e trabalho em grupo. Ao longo do dia, a assembleia buscou relacionar as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) com o caminho percorrido pelo Sínodo sobre a Sinodalidade.
DGAE: caminhos para a missão
Durante a manhã, o padre Douglas Alves Fontes, doutor em Teologia e membro do clero da Arquidiocese de Niterói, conduziu as sessões dedicadas ao tema central.
As novas DGAE são apresentadas como um instrumento para responder aos desafios atuais da evangelização e foram construídas em um caminho sinodal, marcado pela colegialidade e pela missionariedade. O documento propõe uma Igreja sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, formada por comunidades de discípulos missionários e comprometida com a dignidade humana.
Entre as imagens que ajudam a compreender essa proposta está a da “Igreja: Tenda do Encontro”. A tenda expressa acolhida, abertura, discernimento, comunhão e missão. É apresentada como abrigo e lugar do encontro com Cristo.
A reflexão também destacou os caminhos concretos indicados pelas Diretrizes: animação bíblica da vida e da pastoral, iniciação à vida cristã, pequenas comunidades, liturgia e espiritualidade e serviço à vida plena para todos.
Sinodalidade como modo de caminhar
Na parte da tarde, o Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis e padre sinodal, conduziu a reflexão sobre a sinodalidade e sua relação com as novas Diretrizes.
A apresentação partiu de uma pergunta fundamental: afinal, do que se fala quando se fala em sinodalidade? A resposta apresentada relacionou o conceito à comunhão, à escuta, ao acolhimento, à participação e à missão.
Dom Joel destacou a relação entre o caminho sinodal e as DGAE. Em sua apresentação, as Diretrizes são compreendidas como instrumento de implementação do Sínodo da Sinodalidade no contexto da Igreja no Brasil. O desafio é discernir sinodalmente os caminhos da missão e aprender a sinodalidade na própria vivência da missão.
A reflexão foi organizada a partir de três dimensões de conversão: relações, processos e vínculos. Nas relações, a proposta é renovar a maneira como pessoas, carismas e instituições se relacionam, valorizando a escuta e o convívio. Nos processos, o caminho passa da centralização para a participação e a transparência, com maior valorização dos organismos participativos, como conselhos e assembleias. Nos vínculos, amplia-se a relação da Igreja local com outras Igrejas, com a Santa Sé, com outras religiões e com a sociedade.
Escuta, discernimento e participação
A reflexão sobre a sinodalidade também preparou o caminho para o trabalho realizado pelos participantes em grupos.
A metodologia da conversação no Espírito, utilizada no processo sinodal, não é apresentada como debate ou disputa de opiniões. Trata-se de uma experiência de oração, escuta e discernimento comunitário.
O silêncio ocupa papel importante nesse processo, como espaço de oração e de escuta interior. A metodologia busca criar condições para que a fala do outro seja acolhida e para que o grupo possa discernir conjuntamente.
Foi nesse espírito que os delegados da assembleia se reuniram para refletir sobre questões propostas pela equipe de conteúdo. Entre os temas apresentados estavam os desafios atuais da evangelização no Regional Leste 1, as palavras e os gestos que devem caracterizar a missão da Igreja, a concretização da imagem da “Tenda do Encontro”, os compromissos sinodais e os sinais de esperança presentes na ação evangelizadora.
O objetivo não foi chegar a uma disputa entre posições, mas identificar convergências, apelos pastorais e possíveis caminhos para a missão, em busca de um discernimento comunitário.
Celebração encerra o dia
No fim da tarde, os participantes celebraram a Santa Missa com Vésperas, presidida por Dom José Francisco Rezende Dias, arcebispo de Niterói. A celebração teve um significado especial para o arcebispo, que, neste ano, celebra 70 anos de idade e seu jubileu de prata episcopal.
A Missa foi concelebrada por Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis, e Dom Pedro Cunha Cruz, bispo de Nova Friburgo.
Na homilia, a partir das leituras do dia — 1Cor 4,1-5 e Lc 5,33- —, Dom José Francisco refletiu sobre a sinodalidade e sobre o chamado da Igreja a caminhar em comunhão, aberta à ação de Deus e atenta aos sinais do tempo.
A celebração encerrou uma jornada marcada pela escuta e pelo discernimento. Os trabalhos em grupo continuaram à noite, preparando as contribuições que serão apresentadas no encerramento da assembleia.
A 24ª Assembleia Eclesial será concluída neste sábado (5), com a apresentação da síntese dos grupos e a retomada dos principais caminhos apontados pelos participantes para a recepção das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil no Regional Leste 1.
Imagens: Adielson Agrelos – CNBB Leste 1