Papa Leão XIV: “As religões sejam fermento de unidade num mundo fragmentado”
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O Vídeo do Papa de outubro, que divulga a intenção de oração do Papa Leão XIV: “Rezemos para que nós crentes de diferentes tradições religiosas trabalhemos juntos para defender e promover a paz, a justiça e a fraternidade humana”. A proposta – que o Pontífice confia, como o faz cada mês, à sua Rede Mundial de Oração do Papa – nasce em um tempo marcado por tantos conflitos e polarizações, em que a religião, tantas vezes, é usada pela lógica da contraposição; o Papa, ao contrário, convida a redescobri-la como ponte de fraternidade e como força de reconciliação.
Não armas e muros, mas pontes e profecia
O sentido profundo da oração lida pelo Papa Leão XIV é que a colaboração entre os que creem não se esgota em uma tarefa apenas de teólogos e expertos, mas se nutre no compromisso concreto e diário que diz respeito a cada um de nós. O Papa reza para que aprendamos “a reconhecer-nos como irmãos e irmãs, chamados a viver, a rezar, a trabalhar e a sonhar juntos” e invoca o Espírito Santo para que “possamos reconhecer o que nos une” e “colaborar sem destruir”. As diferentes tradições religiosas são chamadas a ser “fermento de unidade em um mundo fragmentado”, prossegue, recordando que tantas vezes acontece o contrário: “ao invés de unir-nos, tornam-se motivo de conflitos”. Por isso mesmo, o convite a todos os que creem, cristãos e não-cristãos: as religiões não sejam “usadas como arma ou muro, mas sobretudo vividas como ponte e profecia”, exorta, citando “exemplos concretos de paz, justiça e fraternidade” que já se encontram presente em cada religião.
Do alto e de baixo
Vários exemplos concretos são contados no Vídeo, que entrelaçam momentos “do alto” e iniciativas “de baixo”. De um lado, o desenrolar histórico do caminho interreligioso: o encontro histórico promovido por João Paulo II em Assis, em 1986; a visita de Bento XVI à Sinagoga de Roma, em 2010; a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana em Abu Dhabi, em 2019, no pontificado do Papa Francisco; até aos mais recentes encontros ecumênicos do Papa Leão XIV, no Vaticano. De outro lado, porém, a intenção de oração deste mês recorda que o diálogo interreligioso não se esgota nos encontros entre líderes: as imagens do vídeo lançam luz às experiências promovidas seja a nível local ou em âmbito eclesial, como o encontro interreligioso organizado em Singapura, nos mês de abril de 2025, pela Cáritas e a arquidiocese, por ocasião da Jornada da Terra, ou como o evento “One Human Family” promovido pelo Movimento Focolares entre maio e junho de 2024. São dois sinais recentes e concretos de um diálogo que promove proximidade, fidelidade e cooperação cotidiana.
Nostra Aetate, 60 anos de frutos
Esta intenção de oração está no horizonte das celebrações do 60º aniversário de Nostra aetate, a declaração do Concílio Vaticano II que transformou o relacionamento da Igreja católica com as demais religiões, abrindo caminhos de diálogo, respeito e colaboração. A publicação do Vídeo do Papa abre, portanto, o início de um mês marcado por várias iniciativas para refletir sobre a herança do documento conciliar na sociedade contemporânea.
Há dez anos, no 50º aniversário da Nostra aetate, o Papa Francisco destacou a sua atualidade, recordando que a via do diálogo requer conhecimento, respeito e estima recíprocas, e que o mundo olha aos que creem pedindo respostas eficazes para a paz, a fome, a pobreza, as crises ambientais e a violência, sobretudo aquela praticada em nome da religião. Naquele contexto, o Papa realçou também que os que creem não têm “receita” para todos os problemas, mas possuem uma grande reserva: a oração, que é o tesouro ao qual recorremos conforme as respectivas tradições.
Um compromisso contínuo
“A temática do diálogo interreligioso está presente de modo significativo e recorrente nas intenções de oração dos papas”, lembra o Pe. Cristóbal Fones, SJ, Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, recordando que “isso aconteceu muitas vezes, nos anos precedentes, durante o mês de janeiro, coincidindo com a Jornada Mundial da Paz. Em 2016, por exemplo, se rezou para que ‘o diálogo sincero entre homens e mulheres das diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça’; em 2020, ‘para que os cristãos, os que seguem outras religiões e as pessoas de boa vontade promovam a paz e a justiça no mundo’; em 2021, ‘para que o Senhor nos dê a graça de viver em plena fraternidade com os irmãos e as irmãs de outras religiões, rezando uns pelos outros, abertos a todos’. A intenção de outubro de 2025 se insere também neste percurso, o testemunho de um caminho – o do diálogo – que está presente no coração dos Pontífices”.
“Os encontros entre líderes das várias religiões – continua Pe. Fones – dão sempre ibope, como é justo que seja, por que dão esperança num momento em que a tentação do confronto arrisca comprometer a necessidade do encontro. Mas a oração lida neste mês pelo Papa Leão XIV nos diz que a colaboração se constrói também quando não dá ibope, ou seja na vida vivida todos os dias: conhecer-se e respeitar-se, aprender uns dos outros, rezar juntos pela humanidade, defender e promover a paz nos lugares em que vivemos. São estilos de vida cotidiana que todos podemos escolher: buscar o que nos une e trabalhar pelo bem comum, juntamente com irmãos e irmãs que professam uma fé diferente. Assim os que creem se tornam artesãos de paz e de fraternidade. O Vídeo do Papa de outubro nos indica o caminho: reconhecer a dignidade de cada pessoa, defender a justiça, semear a paz”.
Recordamos finalmente que, no contexto do Ano Santo 2025, o Vídeo do Papa adquire uma importância particular, porque nos faz conhecer as intenções de oração que o Santo Padre carrega no seu coração. Para obter a graça da indulgência jubilar, você poderá rezar por estas intenções.
Assista o vídeo do Papa na íntegra: