“Eu vim para salvar o mundo”: Igreja vive as “24 Horas para o Senhor” no próximo fim de semana

março 12, 2026 / no comments

“Eu vim para salvar o mundo”: Igreja vive as “24 Horas para o Senhor” no próximo fim de semana

As dioceses de todo o mundo se preparam para celebrar a décima terceira edição da iniciativa 24 Horas para o Senhor, proposta pela Igreja para intensificar a oração e a experiência da misericórdia de Deus durante o tempo da Quaresma. Em 2026, a mobilização ocorre entre a noite de sexta-feira, 13 de março, e o sábado, 14 de março, na véspera do quarto domingo quaresmal.

O lema deste ano foi escolhido pelo papa Papa Leão XIV e é inspirado no Evangelho de João: “Eu vim para salvar o mundo” (Jo 12,47). A proposta é convidar os fiéis a um tempo mais intenso de oração, reconciliação e encontro com Deus, sobretudo por meio do Sacramento da Reconciliação.

A iniciativa, criada durante o pontificado do Papa Francisco, tem como objetivo recolocar no centro da vida dos cristãos a prática da confissão sacramental. Em muitos lugares, a programação prevê momentos de adoração eucarística, vigílias de oração e disponibilidade de sacerdotes para atender confissões.

Igrejas abertas e tempo de misericórdia

Como sinal concreto da misericórdia de Deus, as igrejas são convidadas a permanecer com as portas abertas durante esse período. A proposta é que os fiéis possam entrar livremente para rezar, participar da adoração ao Santíssimo Sacramento ou buscar o sacramento da reconciliação.

Segundo o Dicastério para a Evangelização, responsável por promover a iniciativa, a abertura extraordinária das igrejas durante as “24 horas para o Senhor” se tornou um símbolo do acolhimento e do amor misericordioso de Deus, especialmente no caminho espiritual da Quaresma.

Programação nas Dioceses

Nas Dioceses do Estado do Rio de Janeiro (Regional Leste 1), as paróquias também são incentivadas a participar da iniciativa com programações próprias de oração, adoração e atendimento de confissões. Cada comunidade organiza sua agenda de acordo com a realidade pastoral local.

Por isso, os fiéis são convidados a acompanhar as redes sociais e os canais de comunicação de suas paróquias, onde serão divulgados os horários das atividades e celebrações durante as “24 horas para o Senhor”.

Subsídio pastoral

Como acontece todos os anos, o Dicastério para a Evangelização publicou um subsídio pastoral com sugestões para a realização da iniciativa nas comunidades. O material reúne orientações para momentos de oração pessoal e celebrações comunitárias.

O documento está dividido em duas partes principais. A primeira trata do Sacramento da Reconciliação, com reflexões espirituais, orientações sobre o rito da confissão e testemunhos de conversão. Já a segunda apresenta propostas para a organização de uma vigília de oração, com leituras bíblicas, momentos de silêncio, cantos e adoração eucarística.

O subsídio pode ser baixado gratuitamente no site do dicastério em italiano, inglês e espanhol. Até o momento, não há versão oficial em português.

Caminho de conversão na Quaresma

As “24 horas para o Senhor” são vividas no contexto da preparação para a Páscoa e estão ligadas ao quarto domingo da Quaresma, conhecido na tradição litúrgica como Domingo da Alegria, marcado pela alegria da reconciliação e da esperança.

Ao promover a iniciativa, a Santa Igreja convida os fiéis a redescobrir a força da misericórdia divina e a viver um caminho concreto de conversão, oração e renovação espiritual no tempo quaresmal.

Foto: PxHere (Banco de Imagens)

Líbano, padre Toufic: o pároco de Qlayaa morto com a desculpa de “danos colaterais”

março 12, 2026 / no comments

Líbano, padre Toufic: o pároco de Qlayaa morto com a desculpa de “danos colaterais”

 

“Danos colaterais”: é uma expressão que ouvimos frequentemente quando se fala de guerra. Uma fórmula fria, quase técnica, usada para explicar o que acontece quando uma operação militar atinge também quem não tem nada a ver com isso.

Estar ao lado do povo libanês

Mas eu não sou jornalista e não sou bom em escrever artigos. Sou um frade franciscano. Minha “especialização”, se assim se pode dizer, é estar ao lado das pessoas: compartilhar suas ansiedades e seus sonhos, ouvir suas dores, porque, no fundo, sou um deles. Nestes meses, vi crescer ao meu redor a raiva, o medo e a insegurança. Sentimentos que ocupam todo o espaço do coração e deixam pouco espaço para a esperança e os sonhos. As pessoas continuam a viver, a trabalhar, a procurar uma frágil normalidade, mas dentro de si carregam um peso difícil de descrever.

O assassinato do Padre Pierre

Em nome do direito à defesa e com a desculpa dos chamados “danos colaterais”, perdemos um pároco, o padre Pierre El Raii. Sua única culpa foi querer ficar ao lado de seus paroquianos. Seu erro foi responder a um pedido de ajuda. Ele tentou socorrer uma pessoa que o havia chamado, e esse gesto lhe custou a vida. Padre Pierre era a generosidade e a disponibilidade encarnadas em um pároco. Eu tentava freá-lo para que ele descansasse, mas nunca consegui.

A destruição no coração das pessoas

Fala-se de ataques direcionados, de tecnologias militares sofisticadas, de operações precisas. Mostram-se imagens de edifícios destruídos por mísseis e foguetes. Mas há uma destruição que nenhuma câmara consegue mostrar: aquela que ocorre no coração das pessoas. Quem vê a ferida interior? Quem ouve o silêncio daqueles que vivem com medo? Que palavras podem descrever o que as crianças sentem quando a guerra entra em seus dias?

Ainda deslocados

E depois há os deslocados. Pessoas forçadas a deixar suas casas, suas ruas, suas memórias. Onde se refugia a dignidade quando se perde a casa? Como se guarda a esperança quando se vive com uma mala sempre pronta? E no coração de muitos cresce também outra ferida: o medo do outro, de quem é diferente, de quem está do outro lado. Mas como se pode construir a paz se antes não se cura esse medo? As casas destruídas, mais cedo ou mais tarde, podem ser reconstruídas. Mas o homem ferido pela violência, pelo medo e pela tristeza, quem o reconstruirá? Onde se pode reencontrar a dignidade perdida?

Perguntas sem resposta

São perguntas que me acompanham todos os dias. Perguntas para as quais não sei responder. Por isso peço desculpas, caro diretor. E peço desculpas também aos leitores. Não tenho análises políticas a oferecer, nem soluções a propor. Nem sequer tenho palavras para construir um artigo verdadeiro. Só posso testemunhar o que vejo: uma tragédia imensa que muitas vezes permanece escondida dentro de pequenos corações. Ou talvez devesse dizer: dentro do coração dos mais pequenos.

*Franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos no sul do Líbano

Fonte: Vatican News