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‘Dialogando’ sobre o Sínodo para a Pan-Amazônia na diocese de Duque de Caxias

novembro 13, 2019 / no comments

De passagem pela Baixada Fluminense, após passar o último mês de outubro no Vaticano, onde participou como delegado do Brasil no Sínodo para a Pan-Amazônia, dom Evaristo Paschoal Spengler, bispo do Marajó no Pará, participou na tarde desta terça-feira (12) do colóquio ‘Dialogando’. Também presente no Sínodo como auditora, a antropóloga Moema Marques Miranda que é ainda professora do Instituto Teológico Franciscano e assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), acompanhou o bispo no evento realizado na Catedral de Santo Antônio, Centro de Duque de Caxias.

A proposta do encontro foi oferecer aos participantes um panorama geral sobre a realidade amazônica e dos povos indígenas, o processo de construção e realização do Sínodo dos Bispos e os passos que a Igreja dará a partir de agora sobre o tema refletido em comunhão com o Papa Francisco.

Amazônia: um outro mundo

“Antes de tudo preciso manifestar a minha alegria em estar aqui em Duque de Caxias junto a vocês, pois foi aqui que eu aprendi a ser frade franciscano de verdade. Por isso é sempre bom voltar aqui neste lugar onde está também o meu coração”, disse o dom Evaristo antes de inserir os presentes no tema do encontro. Em seguida o bispo falou um pouco sobre a realidade da Prelazia do Marajó e explicou como se deu o início da presença da Igreja Católica na Região Amazônica, quando as diversas Igrejas Particulares da localidade foram confiadas às diversas famílias religiosas, por isso a grande presença de prelazias, pois essas Igrejas muitas vezes dependiam da presença, empenho e até mesmo recursos das congregações. Hoje muitas vem perdendo esse vínculo, principalmente por conseguirem “caminhar com as próprias pernas” e já fazem a transição para se tornarem dioceses e completou, “quando pensava já ter aprendido a ser padre aqui em Duque de Caxias e a ser missionária em Angola, veio Deus e me mandou aprender tudo novamente, pois a Amazônia é uma realidade diferente de tudo o que estamos acostumados. O tempo na Amazônia é diferente. É um outro mundo”.

Dando voz aos que estão às margens

O Sínodo para a Pan-Amazônia foi convocado pelo Papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, após a missa de canonização dos Protomártires do Brasil. Desde lá, um grande processo de construção do sínodo aconteceu. Cerca de 87 mil pessoas foram ouvidas com auxílio das Dioceses e da REPAM, a maior amostragem na história dos sínodos. Essa escuta contemplou pessoas e povos originários de toda a Região Amazônica, que compreende nove Estados brasileiro e nove países do continente americano. Cerca 61% da Pan-Amazônia é brasileira, numa extensão que cobre mais 50% do território nacional. Hoje a região possui mais de trezentos povos indígenas. Dar a voz aos indígenas foi um pedido do próprio pontífice, desde a sua visita apostólica ao Peru, quando se encontrou com representantes dos povos indígenas em Puerto Maldonado.

Sínodo e Laudato Si’

“Não é possível compreender o sínodo sem compreender a Laudato Si’”, para a antropóloga Moema Marques a encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado com a Casa Comum é a chave para entender e colocar em prática as resoluções que sairão do Sínodo para a Pan-Amazônia. “A encíclica tinha que ter um lugar físico e o sínodo era o lugar propício para isso, pois o Sínodo busca novos caminhos para a Igreja e para nós. Para que possamos ressignificar a nossa forma de habitar no planeta e viver na dinâmica de uma ecologia integral. A questão ecológica hoje é também soteriológica, ou seja, faz parte também da nossa salvação”. A auditora sinodal disse ainda, “precisamos cuidar da nossa Terra, com tudo o que estamos produzindo de imundices e destruição, pois, na Casa Comum não existe fora, tudo é aqui dentro. Não se pode convocar um Dia do Fogo num mundo que está em chamas e em pleno aquecimento global”.

Como funciona um sínodo?

O Sínodo é aquilo que o próprio nome significa, um momento para ‘caminhar juntos’, para o Papa Francisco a não há outro jeito de a Igreja ser que não seja sinodal. Este encontro de outubro passado priorizou bispos da Amazônia., mas também teve a presença de representantes de todos os continentes. A abertura do Sínodo se deu na basílica vaticana junto ao túmulo de São Pedro com a invocação ao Espírito Santo e a procissão até a Sala Sinodal onde discursaram o Santo Padre, o Cardeal Lorenzo Baldissere, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos e o Cardeal Claudio Hummes, presidente da REPAM e Relator-Geral do Sínodo para a Pan-Amazônia. Na sequência foram realizadas as eleições das comissões e a composição dos círculos menores temáticos. “Por ser um espaço privilegiado para a escuta, todos os presentes na sala sinodal, de índios a cardeais da Cúria Romana, tiveram direito de falar por quatro minutos sobre um tema de sua própria escolha que julgasse necessário para a confecção do Relatório Final do Sínodo. Porém, dessa vez o Papa Francisco, movido pelo Espírito sugeriu algo diferente dessa vez. A cada quatro pessoas que falavam era realizado um instante de silêncio de mais quatro minutos para que ecoasse o que os presentes diziam e para que ‘Deus falassse’”, comentou o dom Evaristo, que ainda pontou, “o diferente foi ouvido sempre com muito respeito por todos e acredito ter acontecido dois sínodos distintos, um da sala sinodal e outro que foi noticiado pela imprensa internacional e brasileira”.

Não impedir o novo

Em consonância com o padre sinodal, a professora Moema enfatizou que a lógica do Sínodo era a do não confronto e mesmo tendo pessoas com pensamentos divergentes, não houve ali o rebate. “Isso se deu muito pelo próprio Papa Francisco que dizia, ‘Deus nos colocou aqui para cuidar da terra. Papa diz q a mãe terra é o mais frágil. Todas agridem ela’”. Ela ainda recordou do alerta feito pelo cardeal Hummes antes do encontro, dizia ele: “o Sínodo será um tempo da graça e deve ser também um lugar de oração. Nunca houve e pode não haver outro Sínodo sobre a Amazônia, portanto, o tempo é agora”. Outro ponto destacado por ambos participantes do Sínodo para que o clima transcorresse com respeito e serenidade foi a figura do próprio pontífice. “Em determinado momento o Santo Padre disse aos participantes do Sínodo que estava percebendo algumas polarizações e pediu que deixássemos elas para trás e que deixássemos que o Espirito Santo conduzisse o sínodo, dizia ele que sentia falta de algo e que precisávamos pensar no novo, deixando nossas convicções para que o novo pudesse se revelar. Era preciso deixar fluir a poesia” e novamente recordando as palavras de dom Cláudio, disseram: “Jesus é sempre o mesmo, o novo. E sempre o novo, o mesmo Jesus”.

Uma Igreja Madalena

Ainda não temos uma Exortação Apostólica ou outro documento pontifício sobre o Sínido, mas a Professora Moema Marques falou sobre a novidade que traz o Documento Final do Sínodo para a Pan-Amazônia. Ela destacou o número 22 onde está o termo “Igreja Madalena”, e falou sobre a presença da mulher na Igreja. “Por dois mil anos nós estivemos aqui. Por dois mil anos nós estivemos aos pés da cruz de Jesus e somos as testemunhas da sua Ressurreição. Nós não fomos embora, mesmo quando não nos quiseram. Há dois mil anos nós oramos e sustentamos essa Igreja na fé e também nas lutas. Uma Igreja Madalena é a ressignificação de alguém que foi desvalorizada e demonizada na História. Francisco restituiu essa dignidade à Madalena que hoje é modelo de uma Igreja e tem a sua festa comemorada como um apóstolo˜.

Símbolo e compromisso

Concluindo o encontro dom Evaristo e dom Tarcisio abençoaram uma muda de Ipê que será plantada como símbolo desse encontro ‘Dialogando’ e como compromisso da diocese de Duque de Caxias para fazer da Casa Comum um melhor lugar para se viver. Onde todas as vidas importem.

 

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Sínodo para a Amazônia: Participantes apresentam os relatórios dos círculos menores com propostas para o documento final

outubro 18, 2019 / no comments

Depois de se reunirem em 12 círculos menores, os participantes do Sínodo para Amazônia entregaram seus relatórios com as propostas para o documento final que será entregue ao Papa Francisco. Esses documentos não são conclusivos, serão discutidos ao longo da próxima semana até o fim dos trabalhos no dia 26 de outubro. O momento dos círculos menores foi a oportunidade de os participantes formarem pequenos grupos de aprofundamento, nos quais os padres sinodais foram subdivididos para discutir temáticas específicas.
Veja, abaixo, algumas das propostas:

Diálogo ecumênico e reconhecimento que a Igreja não é uma ONG

A Igreja tem a tarefa de acompanhar o trabalho dos defensores dos direitos humanos, muitas vezes criminalizados pelas autoridades públicas. Ao mesmo tempo, deve evitar ser confundida com uma ONG. Esse risco, junto com o de se apresentar sob um disfarce puramente ritualístico, muitas vezes causa a saída de tantos fiéis, que buscam respostas para sua sede de espiritualidade, para seitas religiosas ou outras confissões. O pedido é para prosseguir o diálogo ecumênico e inter-religioso.

Ministerialidade, leigos e rejeição ao clericalismo

Reforçou-se a importância de um ministério de presença, que evite todo clericalismo. Nesse sentido, é encorajada a atuação mais presente dos leigos. Em quase todos os círculos menores, o pedido vem para aprofundar o significado de “Igreja Ministerial”, que é uma Igreja onde responsabilidade e compromisso dos leigos coexistem. Por exemplo, um círculo propõe que ministérios equivalentes sejam dados a homens e mulheres, evitando, contudo, o risco de clericalizar os leigos. Em nível geral, propõe uma reflexão cuidadosa sobre os ministérios da Palavra, para que sejam bem-vindas as mulheres, religiosas ou leigas, devidamente treinadas e preparadas.

Sacerdócio e a proposta dos padres casados na Amazônia (viri probati)

Nessa temática, as perspectivas diferem entre um grupo de trabalho e outro. Foi salientado que o valor do celibato, um presente a ser oferecido às comunidades indígenas, não está em questão. Um dos círculos, de língua italiana, alerta contra o risco de que esse valor seja enfraquecido ou que a introdução de viri probati possa enfraquecer a missão missionária da Igreja Universal a serviço das comunidades mais distantes. A maioria dos relatórios, principalmente os de língua espanhola e portuguesa, visando uma Igreja “de presença” ao invés de “visita”, expressou-se favorável a conferir o presbitério a homens casados, de boa reputação, preferencialmente nativos, escolhidos das comunidades de origem, mas em condições específicas. Ressalta-se que esses sacerdotes não devem ser considerados de segunda ou terceira categoria, mas como verdadeiras vocações sacerdotais. Solicitou-se não se esquecer do drama das muitas populações que atualmente recebem os sacramentos na Amazônia uma ou duas vezes por ano; também foi pedido que se fortalecesse nas comunidades locais a conscientização de que não apenas a Eucaristia, mas também a Palavra representam um alimento espiritual para os fiéis.

Crise vocacional e formação sacerdotal

Considerando a amplitude do território amazônico e a escassez de ministros, foi levantada a hipótese de criação de um fundo regional para a sustentabilidade da evangelização. Além disso, o círculo de língua italiana expressou “perplexidade” sobre “a falta de reflexão sobre as causas que levaram à proposta de superar o celibato sacerdotal de alguma forma, como expresso pelo Concílio Vaticano II e pelo subsequente magistério”. Ao mesmo tempo, espera-se uma formação permanente no ministério destinada ao sacerdote para Cristo e exorta-se o envio de missionários à Amazônia que atualmente exercem o ministério sacerdotal na parte norte do mundo. Em face da crise vocacional, os círculos menores observam uma diminuição substancial na presença de religiosos na Amazônia e pedem uma renovação da vida religiosa, que, sob o ímpeto da Confederação Latino-Americana de Religiosos, CLAR, promovida com ardor, principalmente no que diz respeito à vida contemplativa.

Os olhos também se concentraram na formação dos leigos: é integral e não apenas doutrinal, baseada na doutrina social da Igreja e leva à experiência e encontro com o Ressuscitado. Ao mesmo tempo, propõe-se fortalecer a formação de padres: não é apenas acadêmica, deve ocorrer nos territórios amazônicos e prever experiências concretas da Igreja em saída, ao lado dos que sofrem, nas prisões ou nos hospitais. Também foi pedido o estabelecimento de seminários indígenas onde a teologia local pudesse ser estudada e aprofundada.

Mulher e diaconato

O tema das mulheres está presente várias vezes com a intenção de reconhecer o grande valor oferecido pela presença feminina em seu serviço específico à Igreja na Amazônia. Solicita-se garantir, por exemplo, no local de trabalho, o respeito pelos direitos da mulher e a superação de qualquer tipo de estereótipo. O pedido para prestar atenção à questão do diaconado para mulheres na perspectiva do Vaticano II surgiu na maioria dos círculos menores, considerando que muitas funções desse ministério já são realizadas por mulheres na região. Em mais de uma intervenção, no entanto, foi sugerido que o assunto deveria ser estudado em outra assembleia de bispos, na qual as mulheres pudessem ter poder de voto.

Igreja que caminha do lado dos pobres e contra todas as formas de violência

Um imperativo para a Igreja é ouvir o clamor dos povos e da terra; não fique calado, fique do lado dos pobres para não cometer erros e dizer “basta de violência”. A realidade violenta na Amazônia tem várias faces: violência em prisões superlotadas; abuso e exploração sexual; violação dos direitos dos povos indígenas; assassinato de defensores territoriais; tráfico de drogas; extermínio da população jovem; tráfico de pessoas; cultura do feminicídio e machista; genocídio, biopirataria, etnocídio e todos os males a serem combatidos porque matam a cultura e o espírito. Condena-se a violação sistemática relacionada ao desmatamento, que é clara. Alguns grupos destacaram a conexão entre abuso contra os mais fracos e abuso contra a natureza. Entre as várias emergências destacadas, foi dado amplo espaço ao tema da crise climática.

Novo caminho sinodal e universal

As propostas foram unânimes em expressar a esperança de que um novo caminho sinodal se desenvolva na Amazônia e que, a partir da assembleia de bispos no Vaticano, exista uma ardente paixão missionária própria de uma verdadeira Igreja em saída. A esperança é que a forma de viver na Amazônia se encontre com a experiência das bem-aventuranças: de fato, à luz da Palavra de Deus, ela atinge sua plena realização. Nas propostas, os participantes destacam: o Sínodo para Amazônia não é apenas regional, mas universal, porque o que acontece na Amazônia preocupa o mundo inteiro.

Observatório Eclesial Internacional de Direitos Humanos

São os nativos que pagam o preço mais alto com suas vidas, porque não são assistidos, não são protegidos em seus territórios. É por isso que mais de um círculo menor pediu a criação de um Observatório Internacional de Direitos Humanos, acreditando que a defesa dos povos e da natureza deve ser prerrogativas da ação eclesial e pastoral. Também foi sugerido que as paróquias criem espaços que promovam segurança a crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. O direito à vida de todos é reafirmado desde a concepção até a morte natural.

Diálogo intercultural e inculturação

Os círculos menores pedem para se consolidar uma teologia e um cuidado pastoral com um rosto indígena. O diálogo intercultural e a inculturação não são antitéticos. A tarefa da Igreja não é decidir pelo povo amazônico ou assumir uma posição de conquista, mas acompanhar, caminhar junto em uma perspectiva sinodal de diálogo e escuta. Por exemplo, a proposta de introduzir um “Rito Amazônico”, que permita desenvolver-se sob o aspecto espiritual, teológico, litúrgico e disciplinar a riqueza singular da Igreja Católica na região, está avançada. Conforme explicado em um dos relatórios, “símbolos e gestos das culturas locais podem ser valorizados na liturgia da Igreja na Amazônia, preservando a unidade substancial do rito romano, uma vez que a Igreja não deseja impor uma rígida uniformidade naquilo que não afeta a fé” .

Também é sugerida a promoção do conhecimento da Bíblia, favorecendo sua tradução para os idiomas locais. Nessa perspectiva, foi proposta a criação de um Conselho Eclesial da Igreja Amazônica, uma estrutura eclesiástica ligada a Celam, Repam e às Conferências Episcopais dos países amazônicos. “A cosmovisão amazônica – afirma-se em um dos relatórios – tem muito a ensinar ao mundo ocidental dominado pela tecnologia, muitas vezes a serviço da idolatria do dinheiro”. Os povos amazônicos consideram seu território sagrado: deve-se incentivar uma reflexão sobre o valor espiritual do bioma, a biodiversidade e o direito à terra. Por outro lado, a proclamação do Evangelho e a originalidade da vitória de Cristo sobre a morte, respeitando a cultura dos povos, devem ser consideradas um elemento essencial para abraçar e entender a cosmovisão amazônica.

Missionário e martírio

O missionário é chamado a despir-se da mentalidade colonial, superar os preconceitos étnicos, respeitar os costumes, rituais e crenças. As manifestações com as quais os povos expressam a fé são apreciadas, acompanhadas e promovidas. Sugeriu-se a criação de um Observatório Social Pastoral Amazônico, em coordenação do Celam, com as comissões de justiça e paz das dioceses e a Repam. Luzes e sombras devem ser reconhecidas na história da Igreja na Amazônia. É preciso fazer uma distinção entre a Igreja “indigenista”, que considera os nativos como receptores passivos da pastoral e a Igreja “indígena” que os inclui como protagonistas de sua própria experiência de fé, segundo o princípio “Salvar a Amazônia com a Amazônia”. Também é importante valorizar o exemplo luminoso dado por muitos missionários e mártires que deram a vida na Amazônia por causa do evangelho. Um dos círculos propõe incentivar os processos de beatificação dos mártires da Amazônia.

Migração, juventude e cidades

As populações em isolamento voluntário não são esquecidas. Segundo as propostas devem ser acompanhadas pelo trabalho de equipes missionárias itinerantes. Espaço também para o tema da imigração, especialmente de jovens. Hoje 80% da população amazônica está nas cidades. Fenômeno que frequentemente afeta negativamente na perda de identidade cultural, marginalização social, desintegração ou desestabilização familiar. A evangelização de centros urbanos está se tornando cada vez mais urgente, mas o cuidado pastoral deve se adaptar às circunstâncias sem esquecer as favelas, os subúrbios e as realidades rurais. Há também uma necessidade urgente de um ministério para jovens renovado. Na frente pedagógica, pede-se à Igreja que promova decisivamente a educação intercultural bilíngue e incentive uma aliança de redes universitárias especializadas em ciências da Amazônia e no ensino superior intercultural para os povos indígenas.

Proteção da Criação e dimensão ecológica

A dimensão ecológica é central nos círculos menores, onde é reiterado que a Criação é uma obra-prima de Deus, que toda a criação está relacionada. Pede-se para não se esquecer que “uma verdadeira conversão ecológica começa na família e passa de uma conversão pessoal para um encontro com Jesus”. A partir dessa premissa, é imperativo abordar as questões mais práticas, como mudanças climáticas e emissões de CO2. Um estilo de vida mais sóbrio é incentivado e a proteção de bens preciosos incomparáveis, como a água, um direito humano fundamental que, se privatizado ou contaminado, corre o risco de comprometer a vida de comunidades inteiras. Destaca-se também o valor das plantas medicinais, bem como o desenvolvimento de projetos sustentáveis, por meio de cursos que levam ao conhecimento dos segredos e sacralidades da natureza segundo a visão amazônica. Alguns círculos propõem desenvolver projetos de reflorestamento no âmbito de escolas de treinamento em técnicas agrícolas.

Pecado ecológico e a promoção de uma economia solidária

Há a dupla proposta de inserir o tema da ecologia integral nas diretrizes das Conferências Episcopais e de incluir na Teologia Moral o respeito pela Casa Comum e os pecados ecológicos, também por meio de uma revisão dos manuais e rituais do Sacramento da Penitência. A humanidade está caminhando para o reconhecimento da natureza como sujeito da lei. “A visão antropocêntrica utilitária é obsoleta e o homem não pode mais sujeitar os recursos da natureza a uma exploração ilimitada que põe em perigo a própria humanidade”. É necessário contemplar a imensa coleção de formas de vida do planeta em relação umas às outras, promovendo também um modelo de economia solidária e estabelecendo um ministério para o cuidado da Casa Comum.

Sínodo na Amazônia e comunicação

Finalmente, alguns relatórios deram espaço ao tópico da mídia. As redes de comunicação católica são incentivadas a colocar a Amazônia no centro das atenções, a divulgar boas notícias e a denunciar todos os tipos de agressão à mãe terra e a anunciar a verdade. Também foi proposto o uso de redes sociais, web rádio, web TV e comunicação via rádio a fim de disseminar as conclusões deste Sínodo. A esperança é que o Sínodo, com a força do “rio Amazonas”, transborde com os muitos dons e ideias oferecidos à reflexão dos padres sinodais e que, a partir dessa experiência de caminhar juntos, novos caminhos possam surgir para a evangelização e a ecologia integral.

 

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