Papa escreve aos sacerdotes: o Coração de Cristo é o coração dos santos

junho 12, 2026 / no comments

Papa escreve aos sacerdotes: o Coração de Cristo é o coração dos santos

 

“Queridos irmãos sacerdotes…”: mesmo na Espanha, em viagem, o Papa Leão não deixou de demonstrar seu carinho e, sobretudo, sua gratidão aos padres do mundo inteiro por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, “do qual brota uma fonte inesgotável de paz e unidade para todo o gênero humano”. A eles, o Pontífice dirigiu as palavras que Deus disse ao povo de Israel: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Lv 19, 2; cf. 1 Pt 1, 16).

“Este chamamento divino percorre os séculos, ressoando também hoje com força para todos os fiéis e, de forma particularmente exigente, para nós, sacerdotes. A santidade não é uma opção entre tantas outras, nem um ideal abstrato: ela interpela a própria identidade de toda pessoa que deseja participar na vida do Ressuscitado.”

Leia a mensagem do Santo Padre em português

A santidade é participação no mistério de Cristo

Quando Deus chama a ser santo, prossegue o Papa, Ele indica o caminho: deixar-se moldar segundo o seu Coração. Um chamamento que Leão XIV define “particularmente radical” e, ao mesmo tempo, paradoxal: “Somos chamados a participar na própria santidade de Deus, mas trazemos este tesouro em vasos de barro, somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados por fraquezas e cansaços e, não raro, por feridas. Como pode um coração humano, tão vulnerável, responder a um chamamento tão elevado? O sacerdote vive esta tensão, mas sabe onde encontrar a paz: no peito aberto do Senhor Jesus”.

Um caminho de união

A união com o Coração de Cristo, escreve ainda o Pontífice, não é uma experiência reservada a poucos eleitos, mas um caminho sacramental, eucarístico, que se concretiza no dia a dia através da celebração diária da Eucaristia, da oração, da meditação da Palavra de Deus e do serviço humilde aos irmãos. Não existem compartimentos separados na nossa humanidade, afirma o Papa. Tudo se torna um lugar privilegiado para a revelação de Deus e do seu amor infinito, inclusive o cansaço e os fracassos.

“O mundo tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas, mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo. Uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus é sinal credível de unidade, paz e misericórdia. Assim, num tempo marcado por divisões e medos, podemos ser construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos, e o nosso zelo não é agitação, mas o transbordar dum amor que «é êxtase, é saída, é dom, é encontro» (Francisco, Carta enc. Dilexit nos, 28).”

O Coração de Cristo é o coração dos santos

Deste modo, a resposta à vocação para ser santos não está tanto no esforço de ascetismo e perfeição, embora necessário, mas na adesão confiante ao amor revelado no Coração trespassado de Jesus. “O Sagrado Coração de Jesus é o ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança.”

Esse Coração abençoado é, portanto, o “lugar” onde a santidade se mostra como proximidade e ternura. A santidade do sacerdote pode, assim, manifestar-se na proximidade humilde e corajosa, no ser de todos e para todos, mantendo aberta a porta do redil para que muitos possam entrar e encontrar pastagem e descanso.

Por isso, acrescenta o Papa, pede-se uma relação com Deus que não afaste os sacerdotes dos homens, mas os torne próximos de todos. “Uma santidade não se vive a sós”, escreve. A exortação é para que os sacerdotes zelem pela fraternidade presbiteral, ajudando-se uns aos outros. “O sacerdote que se isola, apaga-se lentamente; o sacerdote que caminha com os irmãos cresce.”

Eis então o convite final do Santo Padre:

“Caríssimos sacerdotes, renovai todos os dias o vosso “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo. Entregai-vos totalmente a Ele, para que possais amar o seu povo com o mesmo amor com que Ele o ama. E lembrai-vos com alegria, como gostava de repetir o Santo Cura d’Ars, que «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus». Este amor é penhor e garantia de que nada de nós se perderá, se tudo for entregue e oferecido. Confio todos e cada um à Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Ela, que guardou no seu coração o mistério do Filho, nos ensine a conservar e a deixar pulsar em nós o Coração de Cristo, Salvador do mundo.”

Fonte: Vatican News

Papa Leão XIV: “Que as sociedades não caiam na tentação do enfrentamento”

agosto 1, 2025 / no comments

Papa Leão XIV: “Que as sociedades não caiam na tentação do enfrentamento”

 

A nova edição de O Vídeo do Papa acompanha e ilustra a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de agosto: “Pela convivência comum”. 

Como de costume, o Pontífice escolheu um tema que é um desafio para a humanidade e para a missão da Igreja em nossos dias: os conflitos no meio de nossas sociedades. Por isso, pede que se reze “para que as sociedades em que a convivência parece mais difícil não sucumbam à tentação do confronto por razões étnicas, políticas, religiosas ou ideológicas”.

O Papa Leão reza no vídeo, produzido neste mês com a colaboração da Fundação Jesuíta de Comunicação (Jesuit Communications Foundation, JesCom), uma oração criada, especialmente para a intenção de oração de agosto, pela Rede Mundial de Oração. As imagens que acompanham suas palavras apresentam uma viagem por divisões presentes no mundo: guerras, conflitos e violências que causam destruição, obrigam as pessoas a fugir de sua própria terra e provocam solidões existenciais.

Mas há uma mensagem final de esperança confiada aos jovens, cujo Jubileu coincide com o lançamento desta edição de O Vídeo do Papa. De fato, a esperança de um futuro melhor supõe que os jovens saibam construir comunidades fraternas acolhendo-se uns aos outros com suas diferenças, abrindo seus corações e colocando-se ao serviço dos demais.

Conviver com respeito e compaixão

A oração do Papa descreve a atual situação: “Vivemos tempos de medo e divisão. Às vezes agimos como se estivéssemos sozinhos, levantando muros que nos afastam uns dos outros”. Basta recorrer às notícias dos meios de comunicação de qualquer dia para comprovar que aos conflitos internacionais se somam outros numerosos enfrentamentos que surgem nas pequenas cidades e comunidades, em virtude do crescimento das diferenças políticas, religiosas, étnicas etc.

Na raiz deste fenômeno está o esquecimento de uma verdade fundamental: todos somos irmãos e irmãs, filhos de um mesmo Pai. Por isso, continua o Papa: “Envia-nos teu Espírito, Senhor, para que torne a acender em nós o desejo de comprender-nos, de escutar-nos, de conviver com respeito e compaixão”.

Para superar diferenças e ideologias, é preciso ver aos demais “com os olhos do coração”, que permitem reconhecer a dignidade inviolável de todas as pessoas. E ter a coragem de “buscar caminhos de diálogo e responder ao conflito com gestos de fraternidade”. A abertura ao outro sem temer as diferenças nos leva a descobrir que as diferenças não são uma ameaça, mas “uma riqueza que nos humaniza”.

Promover a convivência pacífica

O Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, Pe. Cristóbal Fones, S.J., explica que “todos podemos promover a convivência pacíficaPara isso, “primeiramente é preciso trabalhar sobre si mesmo para arrancar do coração o orgulho, as exigências, as palavras negativas que ferem e  matam. Como nos ensina o Papa Leão XIV, a paz se constrói no coração e a partir do coração”.

Em segundo lugar, é necessário deixar de lado os prejuízos e enfrentar o medo por quem é ‘diferente’: “É preciso aproximar-se com respeito para escutar ao outro, que sempre tem algo único que ensinar, continua o Pe. Fones. Através do diálogo, é possível buscar o que nos une e abrir caminhos de colaboração para o bem comum”.

O Pe. Fones lembra ainda que “o Papa Leão XIV também reforça que os governantes devem trabalhar para construir sociedades civis harmônicas e pacíficas. Isto se pode fazer investindo nas famílias; cuidando e garantindo a dignidade de todas as pessoas, especialmente das mais frágeis e indefesas; praticando a justiça; procurando equilibrar as desigualdades; e defendendo a verdade, que é a base em que se pode construir relações verdadeiramente autênticas”.

Finalmente, no contexto do Ano Santo de 2025, O Vídeo do Papa adquire uma especial importância, porque nos faz conhecer as intenções de oração que o Papa carrega em seu coração. Para receber adequadamente as graças da indulgência jubilar é necessário, precisamente, rezar pelas intenções do Papa.

Assista o Vídeo do Papa na ìntegra:

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=fl4zY-8og-4[/embedyt]

 

Rezemos para que as sociedades em que a convivência parece mais difícil não sucumbam à tentação do confronto por razões étnicas, políticas, religiosas ou ideológicas.

Agosto 2025 – Papa Leão XIV

Jesus, Senhor de nossa história,
Companheiro fiel e presença viva,
Que nunca te cansas de sair ao nosso encontro,
aqui estamos, necessitados de tua paz.

Vivemos tempos de medo e divisão.
Às vezes agimos como se estivéssemos sozinhos,
levantando muros que nos afastam uns dos outros,
esquecendo que somos irmãos e irmãs.

Envia-nos teu Espírito, Senhor,
para que torne a acender em nós
o desejo de comprender-nos, de escutar-nos,
de conviver com respeito e compaixão.

Dá-nos a coragem de buscar caminhos de diálogo,
de responder ao conflito com gestos de fraternidade,
de abrir-nos ao outro sem temer as diferenças.

Torna-nos construtores de pontes,
capazes de superar fronteiras e ideologias,
capazes de olhar o outro com os olhos do coração,
reconhecendo em cada pessoa uma dignidade inviolável.

Ajuda-nos a ampliar espaços onde floreça a esperança
e onde a diversidade não seja uma ameaça
mas uma riqueza que nos humaniza.

Amém.