Leão XIV: os cristãos que vivem em meio às guerras sejam sementes de paz 

dezembro 5, 2025 / no comments

Leão XIV: os cristãos que vivem em meio às guerras sejam sementes de paz

(Cidade do Vaticano, 26 novembro 2025). – Às vésperas da partida do Papa Leão XIV para a sua primeira viagem apostólica, na Turquia e no Líbano, foi publicado o O Vídeo do Papa de dezembro, dedicado às minorias cristãs que vivem em contextos de guerras. Na última intenção de oração do ano, de fato, o Santo Padre convida a rezar “para que os cristãos que vivem em meio às guerras e violências, especialmente no Oriente Médio, possam ser sementes de reconciliação e de esperança”. Ele mesmo o faz por primeiro, recitando uma oração ao “Deus da paz”, no vídeo produzido e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, com a colaboração de Vatican Media.

Construtores de esperança, instrumentos de paz

Os cristãos “que vivem em meio às guerras e violências” não se sintam nunca abandonados: “mesmo envolvidos em dores”, diz o Papa, “não se esqueçam nunca de experimentar a gentil bondade” da presença de Deus “e as orações dos seus irmãos e irmãs na fé”. “Fortalecidos pelos laços fraternos”, prossegue, “possam ser sementes de reconciliação, construtores de esperança nos pequenos e grandes gestos, capazes de perdoar e de seguir adiante, de superar as divisões e de buscar a justiça com misericórdia”.

Mesmo naquelas partes do mundo aonde a guerra parece ser única lei, “onde a harmonia é quase impossível”, os cristãos são chamados a ser “instrumentos de paz”. E não somente os que vivem aí, mas todos nós, porque Jesus “chamou bem-aventurados os que trabalham pela paz”: ao Espírito Santo, portanto, o Papa pede não somente para sustentar “a fé dos que sofrem” e “reforçar sua esperanza”, mas também de “não deixá-los cair na indiferença” e de serem “construtores de unidade”.

A fé em meio aos escombros

A intenção de oração deste mês e a primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV, se concentram sobre uma das áreas mais instáveis do mundo do ponto de vista político, econômico e da segurança. Segundo o Relatório 2025 sobre a liberdade religiosa da Ajuda à Igreja que Sofre, o número dos conflitos nas regiões médio-orientais e as condições socioeconômicas expõem as minorias religiosas, particularmente os cristãos, a uma condição de extrema vulnerabilidade. na Palestina, a população está exaurida após dois anos de guerra e muitas igreja se tornaram refúgios para as famílias sem casa; no Líbano, a grave crise econômica obrigou uma enorme quantidade de pessoas a fugirem, esvaziando paróquias e escolas; no Iraque e na Síria, a reconstrução acontece em meio ao cansaço entre instabilidade política, insegurança e falta de perspectiva para os jovens. Mas, apesar de tudo isso, pequenas comunidade continuam a resistir, guardando a fé, servindo aos pobres e construindo pontes de convivência com seus vizinhos de outras religiões.

As imagens que acompanham a oração feita pelo Papa nos apresentam exatamente isso, mostrando exemplos de uma fé firme e inquebrantável em meio aos escombros e destroços. São celebrações nos vilarejos iraquianos que voltaram a reunir-se depois da guerra, a força extraordinária da comunidade paroquial de Gaza mesmo nos dias das bombas, o trabalho indispensável da Cáritas do Líbano entre os pobres e os refugiados dos Países vizinhos, o oásis de espiritualidade oferecido pelos mosteiros sirianos: todos sinais da presença daquele Espírito Santo que – como diz a oração feita pelo Papa – é “fonte de esperança nas horas mais sombrias”.

De Francisco a Leão

“As condições dos cristiãos nos contextos de conflito é uma preocupação constante no coração do sucessor de Pedro”, afirma Pe. Cristóbal Fones, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa. “Nos últimos anos, o Papa Francisco havia confiado muitas vezes à oração da Igreja universal o sofrimento e o tesmunho dos cristãos que vivem em situações e contextos difíceis. Pediu para rezar, por exemplo, pelos cristãos perseguidos (março 2017), pelo diálogo e a reconciliação no Oriente Médio (novembro 2019), pelas comunidades religiosas discriminadas e perseguidas (janeiro 2022), pelos novos mártires, testemunhas de Cristo (março 2024).

O Papa Leão XIV retoma esta herança, coincidindo com sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano. O seu convite de oração é um gesto de proximidade e de esperança: um modo para dizer aos cristãos da Palestina, Líbano, Síria, Iraque e de tantos outros Países que não estão esquecidos, que a Igreja universal caminha com eles; mas também para recordar a todos nós que a fé cresce mesmo em meio às provações e dificuldades, e que das comunidades feridas podem nascer sementes de reconciliação e de paz. Por isto, como Rede Mundial de Oração do Papa, desejamos unir-nos ao Santo Padre para pedir ao Espírito Santo que sustente estes irmãos e irmãs, e os fortaleça na esperança e na solidariedade”.

Recordamos também que, no contexto do Ano Santo 2025O Vídeo do Papa adquire uma particular importância, porque nos dá a conhecer as intenções de oração que o Santo Padre traz no coração. Para obter a graça da indulgência jubilar, é preciso rezar por estas intenções.

O Vídeo do Papa é um projeto é realizado graças a donativos, possíveis através do site.

Onde você pode ver O Vídeo do Papa?

O Vídeo do Papa

O Vídeo do Papa é uma iniciativa oficial de alcance global que visa divulgar as intenções de oração mensais do Santo Padre. É desenvolvido pela Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração). Desde 2016, O Vídeo do Papa teve mais de 255 milhões de visualizações em todas as redes sociais do Vaticano, está traduzido em mais de 23 idiomas e tem cobertura da imprensa em 114 países. Este vídeo é produzido e dirigido pela equipa de O Vídeo do Papa da Rede de Oração, coordenado por Andrea Sarubbi, com a colaboração da Vatican Media. É distribuído também com a ajuda da agência La Machi. Mais informações em: ovídeodopapa.org.

A Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia que tem a missão de mobilizar os católicos, pela oração e ação, perante os desafios da humanidade e da missão da Igreja. Esses desafios apresentam-se na forma de intenções de oração confiadas pelo Papa a toda a Igreja. A sua missão inscreve-se na dinâmica do Coração de Jesus, uma missão de compaixão pelo mundo. Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Está presente em 92 países e dela fazem parte mais de 22 milhões de católicos. Inclui uma secção juvenil, o MEJ – Movimento Eucarístico Juvenil. Em julho de 2024 o Papa aprovou os estatutos definitivos desta Obra Pontifícia (entidade jurídica canónica e vaticana). O seu diretor internacional é o P. Cristóbal Fones, sj. Para mais informações: oracaodopapa.va.

Assista O Vídeo do Papa de dezembro de 2025:

COP30: Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, afirma que “é preciso dar um sinal concreto de esperança”

novembro 10, 2025 / no comments

COP30: Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, afirma que “é preciso dar um sinal concreto de esperança”

O Vaticano participa da COP30  com uma delegação de 10 membros guiada pelo cardeal Pietro Parolin (Secretário de Estado da Santa Sé). Ele será a autoridade máxima da Igreja, representando o Santo Padre, Papa Leão. O chefe adjunto da Delegação será o núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro. A Rádio Vaticano – Vatican News conversou com Giambattista Diquattro:

Chegamos à COP30 e mais do que nunca é necessário uma reflexão sobre a mudança de rota no que diz respeito ao clima…

Parece-me mais atual do que nunca a reflexão feita há dois anos pelo Santo Padre Francisco na Mensagem à COP 28: “É essencial uma mudança de ritmo que não seja uma modificação parcial da rota, mas um modo novo de avançar juntos. Se, no caminho da luta contra a mudança climática, iniciado no Rio de Janeiro em 1992, o Acordo de Paris marcou ‘um novo começo’, é agora necessário relançar a caminhada. É preciso dar um sinal concreto de esperança.

Que também esta COP seja um ponto de virada: manifeste uma vontade política clara e tangível, que conduza a uma decidida aceleração da transição ecológica, por meio de formas que tenham três características: sejam ‘eficientes, vinculantes e facilmente monitoráveis’.” E que encontrem realização em quatro campos: eficiência energética; fontes renováveis; eliminação dos combustíveis fósseis; educação para estilos de vida menos dependentes destes últimos.

A presença da Santa Sé nesta COP30, qual contribuição pode dar?

Em vista da COP30, a Santa Sé é chamada a concentrar a sua atenção em algumas questões. Em primeiro lugar, a educação para a ecologia integral aparece como um campo decisivo para enfrentar a crise climática. Este tema surge de forma crescente, pois muitos países estão incluindo a dimensão educativa em suas contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) até 2035. Será, portanto, fundamental acompanhar atentamente esse processo. Um segundo aspecto refere-se à implementação do Global Stocktake (GST), adotado na COP28, e ao compromisso correspondente de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A Santa Sé sublinha a necessidade de uma aplicação coerente deste instrumento, reafirmando que a educação representa um pilar essencial para alcançar os objetivos do Acordo de Paris na próxima fase de revisão. Outro ponto é a reforma da arquitetura financeira global e sua ligação com o financiamento climático. Uma reflexão internacional evidencia o vínculo entre dívida externa e dívida ecológica, já evocado na exortação Spes non confundit.

Outro tema é a Just Transition (transição justa), que deve incluir não apenas critérios econômicos, mas também sociais e ambientais. A Santa Sé insiste na importância de uma educação transformadora como chave desse processo. Por fim, o debate sobre o Gender Action Plan oferecerá a ocasião de reafirmar o peso desproporcional que a mudança climática exerce sobre as mulheres, convidando à promoção de sua participação ativa na implementação do Acordo de Paris.

Além dessas prioridades, para a Delegação são de grande interesse os dossiês relativos a Loss and Damage, Global Adaptation Goal, UAE Framework for Global Climate Resilience, o Artigo 6 do Acordo de Paris, e as questões ligadas à importância da proteção da floresta amazônica, da agricultura e da segurança alimentar.

Fonte: CNBB