PUC- Rio: Simpósio Internacional 10 Anos da Laudato Si’ (2015-2025)

maio 22, 2025 / no comments

PUC- Rio: Simpósio Internacional 10 Anos da Laudato Si’ (2015-2025)

O Simpósio Internacional 10 Anos da Laudato Si’ será realizado nos dias 27, 28 e 29 de maio de 2025, no mesmo mês em que, 10 anos antes, o Papa Francisco assinara a Carta Encíclica Laudato Si’.

O Departamento de Teologia da PUC Rio realiza de 27 a 29 de maio de 2025, no auditório RDC da universidade, na modalidade híbrida (Presencial, Zoom e YouTube), o Simpósio Internacional 10 Anos da Laudato Si’. O seminário tem por objetivo refletir sobre o surgimento, a história e os impactos da Carta Encíclica Laudato Si’ (Sobre o cuidado da casa comum) do Papa Francisco.

A encíclica foi  publicada aos 24 de maio de 2015, fortalecida pelos documentos por ele publicados em seguida – Fratelli Tutti (3/10/2020) e Querida Amazônia (2/2/2022) –, mas sobretudo revisitada e atualizada com a publicação da Exortação Apostólica Laudate Deum, de 4/10/2023 (endereçada a todas as pessoas de boa vontade sobre a crise climática).

Se antes da publicação da Laudato Si’ os desafios já eram grandes, muito mais agora, inclusive agigantados com a crise da Covid-19. Diversos e variados são os motivos que levam à percepção de uma crise ambiental neste momento da história da humanidade, em que avultam mudanças climáticas com indícios de uma situação de irreversibilidade, tal como o planeta está vivenciando.

Paralelamente, a globalização e a tecnologia, ao lado das vantagens, também trouxeram efeitos da exploração humana e desigualdade social, violência, guerras, movimentos de migração e ondas de refugiados. O contexto político, por sua vez, apresenta sintomas de crise de democracia e guerras geopolíticas, que impactam profundamente nas sociedades e em todo o ambiente da casa comum, na luta para se reverter a crise socioambiental.

Nesse contexto, cabe perguntar: qual a colaboração da Laudato Si’ diante desta crise? Em que medida as Universidades latino-americanas acolheram as propostas da Laudato Si’ com vistas à superação da crise socioambiental? Qual o lugar desse tema de pesquisa na área de Ciências da Religião e Teologia, particularmente no contexto das Universidades Católicas no continente latino-americano? Quais pesquisas e publicações surgiram e quais revistas têm concedido espaço para estes temas em seus dossiês e artigos gerais?

Estas são algumas dentre as várias questões relevantes que serão discutidas no simpósio em questão. Ou seja, esta é uma oportunidade para se refletir de forma interdisciplinar e transdisciplinar, entre Teologia e os vários Saberes e Ciências, em vista do bem comum e da casa comum, como tem insistentemente indicado o Papa Francisco.

Além disso, é uma boa oportunidade para se colher os frutos da reunião do G20 (Fórum de Cooperação Econômica Internacional), em novembro de 2024, no Rio de Janeiro, e para ajudar na reflexão em vista da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que acontecerá de 11 a 22 de novembro de 2025, em Belém do Pará, no coração da Amazônia Brasileira.

Outro dado importante a se ter presente é que em 2025 se celebram os 800 anos da composição do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis; e os 10 anos de criação da Rede Eclesial PanAmazônica (REPAM). A tudo isso, soma-se o fato de que a Comissão Episcopal Especial para a Mineração e a Ecologia Integral, para a Campanha da Fraternidade (CF) 2025, escolheu como tema: “Fraternidade e Ecologia Integral”, e como lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31), com o objetivo de “promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra” (Objetivo Geral da CF 2025). Aliás, a Ecologia é a temática mais tratada pelas Campanhas da Fraternidade ao longo de seus 61 anos de existência.

Foram oito as Campanhas da Fraternidade que já abordaram essa temática, de alguma forma: 1) em 1979: “Por um mundo mais humano: Preserve o que é de todos”; 2) em 1986: “Fraternidade e a Terra: Terra de Deus, terra de irmãos”; 3) em 2002: “Fraternidade e povos indígenas: Por uma terra sem males”; 4) em 2004: “Fraternidade e água: Água, fonte de vida”; 5) em 2007: “Fraternidade e Amazônia: vida e missão neste chão”; 6) em 2011: “Fraternidade e a Vida no Planeta”; 7) em 2016: “Casa comum, nossa responsabilidade”; 8) em 2017: “Fraternidade: Biomas Brasileiros e defesa da vida”; e agora a nova (9), em 2025: “Fraternidade e Ecologia Integral”.

Presidentes de honra
Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. (Rio de Janeiro)
Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M. (Manaus)
Cardeal Jaime Spengler, O.F.M (CNBB e CELAM)
Cardeal Michael Czerny, S.J. (Vaticano)

Comissão científica
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (PUC-Rio)
Dr. Adelson Araújo (PUG-Roma)
Drª. Adriana Gioda (PUC-Rio)
Dr. Antonio Luiz Catelan (PUC-Rio)
Dr. Boris Agustín Nef Ulloa (PUC-SP)
Dr. Fabio da Silveira Siqueira (PUC-Rio)
Drª. Francilaide de Queiroz Ronsi (PUC-Rio)
Dr. Josafá Carlos de Siqueira, S.J. (VEMAS)
Dr. Marcelo Motta de Freitas (PUC-Rio)
Dr. Marcelo Maçaneiro (PUC-PR)
Dra. Maria Teresa Cardoso (PUC-Rio)
Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade (PUC-Rio)
Dr. Tiago de Fraga Comes (PUC-RS)
Dr. Valmor da Silva (PUC-GO)
Dr. Washington da Silva Paranhos, S.J. (PUC-Rio)

Comissão organizadora
Dr. Waldecir Gonzaga (PUC-Rio) – Coordenador
Drª. Maria Clara Lucchetti Bingemer (PUC-Rio) – Coordenadora
Dr. Bruno Pinto de Albuquerque (UFJF) – Secretário
Drª. Eva Aparecida Rezende de Moraes (PUC-Rio)
Dr. Heitor Carlos Santos Utrini (PUC-Rio)
Dra. Patrícia Cristina Rodrigues (PUC-Rio)
Ms. António Ronilson Braga de Sousa, S.J. (PUC-Rio)
Ms. Elaine de Azevedo Maria (PUC-Rio)
Ms. Iran Gomes Brito (Faculdade Católica do Maranhão)
Ms. Matheus Marques da Costa (PUC-Rio)
Ms. Suzana Regina Moreira (Movimento Laudato Si’)
Ms. Vladian Silva Alves (Faculdade Católica de Belém)
Sr. Einardo (Ekke) Federico Guillermo Bingemer (Advogado)

Organização:
Departamento de Teologia e Cátedra Carlo Maria Martini da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, Brasil)

Universidades parceiras
Universidad Católica Argentina (Argentina)
Pontificia Universidad Bolivariana Cochabamba “San Pablo” (Bolívia)
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Brasil)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil)
Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil)
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Brasil)
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil)
Faculdade Católica de Belém (Brasil)
Faculdade Católica do Maranhão (Brasil)
Pontificia Universidad Católica de Chile (Chile)
Pontificia Universidad Católica de Valparaíso (Chile)
Universidad Humberto Hurtado (Chile)
Universidad Pontificia Bolivariana (Colômbia)
Pontificia Universidad Javeriana (Colômbia)
Universidad Católica de Costa Rica (Costa Rica)
Pontificia Universidad Católica del Ecuador (Equador)
Universidad Salesiana Mesoamericana de Guatemala (Guatemala)
Universidad Iberoamericana (México)
Universidad Pontificia de México (México)
Universidad Católica Andrés Sbello (Venezuela)
Universidade Católica Portuguesa (Portugal)
Pontificia Università Gregoriana di Roma (Itália)

Eixos temáticos para comunicações online

1. Teologia bíblica (Fabio Siqueira e Filipe Henrique de Araújo)
2. Teologia sistemática (Washington Paranhos e Luiz Gustavo dos Santos Rosa)
3. Teologia pastoral (Maria Teresa Cardoso, Lucíola Paiva Tisi e José Éder Ribeiro Lima)
4. Teologia e interdisciplinaridade (Francilaide Ronsi e Nilton Rodrigues Junior)

Programação


Terça-feira 27.05.2025
7h-8h: Credenciamento
8h-8h30: Momento cultural
8h30-9h30: Mesa de abertura

Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. (Arcebispo do Rio de Janeiro e Grão-Chanceler da PUC-Rio)
Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M. (Arcebispo de Manaus)
Cardeal Michael Czerny, S.J. (Prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral – Vaticano)
Cardeal Jaime Spengler, O.F.M. (Arcebispo de Porto Alegre e Presidente da CNBB e do CELAM)
Prof. Anderson Antonio Pedroso, S.J. (Reitor da PUC-Rio)
Prof. Waldecir Gonzaga (Diretor do Departamento de Teologia da PUC-Rio)

9h30-10h30: Conferência 1: Prof. Piero Coda (Istituto Universitario Sophia): “La Laudato Si’: por una ontología trinitaria de la creación”

Moderadora: Maria Clara Lucchetti Bingemer (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

10h30-11h: Lançamento de livro: “Cuidar da casa comum” (Universidade Católica de Portugal)
11h-11h30: Pausa para café

11h30-12h30: 1º Painel:
Prof. Afonso Tadeu Murad (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia): “Conversão ecológica: atitudes e práticas”
Profa. Andreia Cristina Serrato (Pontifícia Universidade Católica do Paraná): O grito da criação na Laudato Si’: por uma espiritualidade ecológica integral”
Profa. Lucia Pedrosa de Pádua (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Mística ecológica do Papa Francisco”

Moderadora: Eva Aparecida Rezende de Moraes (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

12h30-14h: Pausa para almoço

14h-15h: 2º Painel:
Agnieszka Ewa Latawiec (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Como conciliar produção de alimentos e conservação ambiental?”
Danielle Moreira (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Direito, justiça e emergência climática: panorama da litigância climática no Brasil”
Fidel Rodríguez Velásquez (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Amazônia venezuelana em disputa: povos indígenas frente ao extrativismo”

Moderadora: Lúcia Helena Sousa (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

15h-16h: Conferência 2: Irmã Laura Vicuña (Conferência Eclesial da Amazônia)

Moderador: Heitor Carlos Santos Utrini (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)
16h-16h30Pausa para café

16h30-17h30: 3º Painel:
Profa. Adriana Gioda (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Crise climática na atualidade”
Profa. Karin Hellen Kepler Wondracek (Faculdades EST): “Laudato Si’: em busca de uma fraternidade erótica e justa”
Moema Maria Marques de Miranda (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Laudato Si’ e os desafios da esperança em tempos sombrios”

Moderador: André Rodrigues (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

18h-20h: Comunicações online

Quarta-feira 28.05.2025

8h45-09h: Palavra de abertura e acolhida
9h-10h: Conferência 3: Prof. Carlos Afonso Nobre – Painel Científico para a Amazônia: “Emergência climática: desafios a enfrentar”

Moderador: Vladian Silva Alves (Faculdade Católica de Belém)

10h-11h: 4º Painel:
Prof. Jesús Gerardo Padilla Tovar (Universidad Pontificia de México): “Hacia una ecología integral: trascender el lenguaje de las matemáticas, conectando con la esencia de lo humano”
Prof. Jaime Laurence Bonilla Morales (Pontificia Universidad Javeriana): “Vivir sacramentalmente la ecología integral”
António Ronilson Braga de Sousa (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Laudato Si’: uma teologia contextualizada (a fé cristã diante da realidade)”

Moderadora: Letícia Alves (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

11h-11h30: Pausa para café
11h30-12h30: 5º Painel:

Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Laudato Si’: um novo paradigma na Doutrina Social da Igreja”
Suzana Regina Moreira (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): A Igreja Católica rumo à COP30: incidência político-teológica à luz da ecologia integral”
Prof. Alexis Rodríguez Vargas (Universidad Católica de Costa Rica): O Índice de Ecologia Integral Humanista da Universidade Católica da Costa Rica: um olhar sobre o mundo a partir da Laudato Si’”

Moderadora: Francilaide de Queiroz Ronsi (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

12h30-14h: Pausa para almoço
14h-15h: 6º Painel:

Prof. José Antonio Leiva (Pontificia Universidad Católica de Valparaíso, Chile): A diez años de Laudato Si’: ¿Qué conversión ecológica necesitamos hoy? Reflexiones desde una ética y espiritualidad ecológica integral”
Prof. Manuel Antonio Teixeira Sequeira (Universidad Católica Andrés Bello, Venezuela): “Cuidado de la creación y distintos modelos económicos”
Profa. Estela Herbas Baeny (Universidad Catolica Boliviana Cochabamba “San Pablo”): La transversalización de Laudato Si’ en la vida universitaria: una experiencia desde la Universidad Católica Boliviana”
Moderador: Washington da Silva Paranhos (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

15h-16h: Conferência 4: Rosita Milesi (Instituto Migrações e Direitos Humanos): “A Laudato Si’ e as crianças: reflexões e ações a partir de uma década de inspiração”

Moderadora: Elaine de Azevedo Maria (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

16h-16h30: Pausa para café

16h30-17h30: 7º Painel:
Profa. Jaci de Fátima Souza Candiotto (Pontifícia Universidade Católica do Paraná): “Ecoteologia e Laudato Si’: uma abordagem interseccional latino-americana para redução das desigualdades sociais e ambientais”
Prof. Román Guridi Ortúzar (Pontificia Universidad Católica de Chile): “Algunas ideas fuerza para un cuidado pertinente y localizado de la casa común”
Prof. Efrén Santacruz (Pontificia Universidad Católica del Ecuador): “Habitar la casa común comprometidamente con el cuidado a los hermanos”

Moderador: Sérgio Mendes (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

18h-20h: Comunicações online

Quinta-feira 29.05.2025

8h45-9h: Palavra de abertura e acolhida
9h-10h: Conferência 5: Prof. André Trigueiro (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “A urgência de uma encíclica que permanece viva”

Moderador: Bruno Albuquerque (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

10h-11h: 8º Painel:
Profa. Patrícia Cristina Rodrigues (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): “Esperançar em meio à crise socioambiental”
Dr. Felício Pontes (Procurador da República e Assessor da REPAM-Brasil): “Amazônia: o choque entre os modelos de desenvolvimento”
Profa. Fernanda Henriques (Universidade de Évora, Portugal): “Laudato Si’ e o esquecimento das mulheres”

Moderador: Fabio da Silveira Siqueira (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

11h-11h30: Pausa para café
11h30-12h30: 9º Painel:

Prof. Carlos Angel Arboleda Mora (Universidad Pontificia Bolivariana): “Rostro, vulnerabilidade humana y ética del cuidado em Laudato Si’”
Susana Nuin (Instituto Universitario SOPHIA América Latina): “La relacionalidad comunicacional en Laudato Si’”
Profa. Ceci Maria Costa Baptista Mariani (Pontifícia Universidade Católica de Campinas): “Contemplação poética e conversão ecológica: lendo a Laudato Si’ em diálogo com Sophia de Mello Breyner Andresen”

Moderadora: Mônica Campos (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

12h30-14h: Pausa para almoço

14h-15h: Conferência 6: Josafá Carlos de Siqueira, S.J. (Vicariato Episcopal de Meio Ambiente e Sustentabilidade): “Laudato Si’: avanços, lentidão e perigo de retrocessos”

Moderadora: Tainá Antunes (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

15h-15h30: Pausa para café
15h30-16h30: Conferência 7: Maria Isabel Pereira Varanda: “Ecologia integral e diplomacia ambiental: horizontes globais à luz da Encíclica Laudato Si’”​​

Moderador: Waldecir Gonzaga (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

16h30-17h: Mesa de encerramento

Inscrições:

Simpósio 10 anos da Laudato Si’

Fonte: CNBB

Um trabalho digno para todos: a mensagem dos três últimos Papas

maio 12, 2025 / no comments

Um trabalho digno para todos: a mensagem dos três últimos Papas

 

 

Na publicação anual das intenções de oração para 2025, o Papa Francisco convidou-nos a rezar em maio “Pelas condições de trabalho”. Devido à sua morte, o vídeo que acompanha esta intenção de oração muda de formato: para favorecer a reflexão, recorda algumas palavras dos três últimos Papas – João Paulo II, Bento XVI e Francisco – sobre este tema.

O Vídeo do Papa de maio, realizado com a ajuda da Câmara de Comércio de Roma e da Fondazione PRO Rete Mondiale di Preghiera del Papa e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, convida a rezar “para que, através do trabalho, cada pessoa se realize, as famílias sejam sustentadas com dignidade e se humanize a sociedade”.

As imagens que acompanham as palavras dos Pontífices reúnem diferentes experiências de vida em torno do mundo do trabalho. Em primeiro lugar, vemos uma oficina de carpinteiro, com uma imagem de São José esculpida à mão no século XIX, em madeira de tília, por mestres escultores de Val Gardena; temos as várias realidades da Cidadela de Loppiano – a oficina de cerâmica, a cooperativa agrícola, a empresa de embalamento e acabamento de muitos artigos – em que o trabalho é vivido numa perspetiva de comunhão. E não faltam imagens evocativas da exploração de que são vítimas milhões de trabalhadores em várias partes do mundo.

160 milhões de crianças obrigadas a trabalhar

O mundo do trabalho tem estado muito presente no Magistério da Igreja desde o final do século XIX: uma consequência do olhar atento dos Papas sobre a realidade e da sua preocupação com o bem espiritual e material das pessoas. Atualmente, segundo dados da ONU e da OIT, 402,4 milhões de pessoas em todo o mundo estão desempregadas; 160 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar; 240 milhões de trabalhadores recebem um salário inferior a 3,65 dólares por dia; e mais de 60% da população ativa mundial trabalha na economia informal, o que significa que cerca de 2 mil milhões de pessoas estão privadas de direitos laborais e de proteção social.

Os Papas e o mundo do trabalho

As palavras de Francisco sublinham que o trabalho confere “uma unção de dignidade”: ganhar o pão dá dignidade à pessoa. O próprio Jesus trabalhou como carpinteiro, “um ofício bastante duro” que “não assegurava grandes rendimentos”, e que partilhou com todos os trabalhadores ao longo da história.

Algumas das frases de Bento XVI sublinham a importância primordial do trabalho “para a realização humana e o desenvolvimento da sociedade”. Por conseguinte, o trabalho deve ser “organizado e realizado no pleno respeito da dignidade humana e ao serviço do bem comum”. Ao mesmo tempo, o homem não deve deixar-se “escravizar pelo trabalho (…) pretendendo encontrar nele o sentido último e definitivo da vida”, que só se encontra em Deus.

Por fim, as palavras de S. João Paulo II exortam a enfrentar os desequilíbrios económicos e sociais e as situações de injustiça que existem no mundo do trabalho, colocando em primeiro lugar “a dignidade do homem e da mulher que trabalha, a sua liberdade, responsabilidade e participação”. Tudo isto, sem esquecer “aqueles que sofrem por falta de emprego, por salários insuficientes, por falta de meios materiais”. São precisamente estes desequilíbrios e situações de injustiça que tornam necessário rezar para que o centro do trabalho e da vida económica e social seja o ser humano e não o lucro.

Um bem-estar partilhado

“O trabalho”, comenta Lorenzo Tagliavanti, presidente da Câmara de Comércio de Roma, “é como o ar: apercebemo-nos do seu valor quando nos falta. Segundo a Doutrina Social da Igreja, o trabalho é um direito humano fundamental e um elemento decisivo para a realização pessoal de cada um e para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e solidária: tudo aspetos sobre os quais procuramos dar o nosso melhor todos os dias, como instituição de referência da comunidade económica de Roma e da sua Província, ao lado das empresas e dos trabalhadores. Esta intenção de oração, que acompanha o Jubileu dos Trabalhadores e o Jubileu dos Empresários, oferece-nos, portanto, a oportunidade de reafirmar o compromisso assumido em 1831, quando precisamente um Papa – Gregório XVI – fundou a Câmara de Comércio de Roma com decreto do Cardeal Bernetti, Secretário de Estado: prosseguir um modelo de desenvolvimento baseado na cooperação e na atenção ao interesse comum”. “Permita-me”, conclui Tagliavanti, “recordar as palavras do Papa Francisco em 2023 a um grupo de empresários franceses: ‘se é verdade que o trabalho enobrece o homem, é ainda mais verdade que é o homem que enobrece o trabalho’. É precisamente esta atenção ao homem que motiva o nosso trabalho quotidiano, na busca de um modelo de desenvolvimento orientado para um bem-estar partilhado por todos”.

Trabalho e dignidade

“Outro conceito sublinhado pelos Pontífices é que o valor do trabalho vai muito além do seu aspeto económico. Se perguntarmos a dez crianças o que gostariam de fazer quando crescerem”, comenta Stefano Simontacchi, membro fundador e membro do conselho de administração da Fondazione PRO Rete Mondiale di Preghiera del Papa, “provavelmente obteremos dez respostas diferentes, porque as aspirações de cada um são diferentes: como na parábola dos talentos, de facto, a cada um foi dado o seu, e o trabalho é a possibilidade de o fazer frutificar, de realizar a sua personalidade. No trabalho, de facto, há muito mais do que a independência económica, que também é importante: há o contributo que se dá à sociedade e, para nós, crentes, também a participação na criação divina. O Papa Francisco usou uma expressão muito bonita para definir tudo isto: chamou ao trabalho a “unção da dignidade”, e esta unção da dignidade é o que realmente faz a diferença nas nossas vidas”. Ainda mais nesta era de grandes mudanças, como a inteligência artificial, que nos deve levar a promover sistemas solidários como forma de coesão social. A gratidão, o respeito e a solidariedade devem ser a nossa bússola”.

Trabalho digno, um objetivo prioritário

O Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, P. Cristóbal Fones, sj., explica que, para São João Paulo II, o ser humano é chamado ao trabalho exatamente “porque é feito à imagem e semelhança de Deus”: é precisamente o Senhor que lhe dá a possibilidade de participar na sua obra criadora através do trabalho. Na sua encíclica Laborem exercens, João Paulo II diz-nos que, através do nosso trabalho, a dignidade humana, a união fraterna e a liberdade devem multiplicar-se na terra. O trabalho do cristão, unido à sua oração, faz progredir o mundo e, mais importante ainda, contribui para o desenvolvimento do Reino de Deus”.

“Nesta base” – continua o P. Fones – “o seu sucessor, Bento XVI, afirma na encíclica Caritas in Veritate que a dignidade da pessoa exige que as escolhas económicas não aumentem a desigualdade e que o trabalho digno para todos seja um objetivo prioritário. Bento XVI assegura que a pobreza é, em muitos casos, o resultado da violação da dignidade do trabalho humano: por vezes as possibilidades da pessoa são limitadas, como no caso do desemprego ou do subemprego; e outras vezes o direito a um salário justo ou à segurança do trabalhador e da sua família não é respeitado”.

Neste sentido, o P. Fones sublinha a continuidade do magistério do Papa Francisco com o dos seus antecessores: “O Papa Francisco diz-nos que o trabalho é sagrado. É o meio que temos para construir uma sociedade mais humana: se queremos uma sociedade mais justa, temos de promover o emprego digno, estável, realizado em ambientes saudáveis e com medidas de segurança adequadas, o que implica o respeito pelos direitos fundamentais e a proteção social, bem como um salário que permita às famílias manter uma boa qualidade de vida”.

Isso será possível “se recuperarmos o verdadeiro valor do trabalho, se abandonarmos a lógica do lucro a qualquer custo e colocarmos ao centro as pessoas, especialmente aquelas que hoje não conseguem viver de forma humanamente digna”.

Finalmente, no contexto do Ano Santo de 2025, O Vídeo do Papa adquire uma relevância especial, porque nos dá a conhecer as intenções de oração pontifícia. Para obter a graça da indulgência jubilar, é necessário rezar por estas intenções.

Assista o vídeo na íntegra: