Caminhemos juntos na esperança: Mensagem do Papa para a Quaresma

fevereiro 26, 2025 / no comments

Caminhemos juntos na esperança: Mensagem do Papa para a Quaresma

 

 

Foi divulgada, nesta terça-feira (25/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2025 intitulada “Caminhemos juntos na esperança”. Na mensagem para a Quaresma deste ano intitulada “Caminhemos juntos na esperança”, Francisco recorda que “caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos”.

Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças, iniciamos na fé e na esperança a peregrinação anual da Santa Quaresma”, escreve Francisco, reiterando o convite da Igreja, mãe e mestra, a “preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar com grande alegria o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte”. “Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, Seu Filho amado: a vida eterna”.

Acesse o texto da mensagem na íntegra (aqui)

Quaresma e a graça do Ano Jubilar

“Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar”, o Papa oferece algumas reflexões sobre “o que significa caminhar juntos na esperança” e evidencia “os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades”.

Em primeiro lugar, caminhar. “O lema do Jubileu – “Peregrinos de Esperança” – traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direção à Terra Prometida, narrada no livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. Não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos”.

De acordo com Francisco, “aqui, surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida, mas cada um pode perguntar-se: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, a fim de descobrir o que Deus pede de nós para sermos melhores viajantes rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante”.

Caminhar juntos é esta a vocação da Igreja

“Em segundo lugar, façamos esta viagem juntos. Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos”, ressalta o Pontífice. “Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, partindo da nossa dignidade comum de filhos de Deus; significa caminhar lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro, sem alimentar invejas ou hipocrisias, sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído. Sigamos na mesma direção, rumo a uma única meta, ouvindo-nos uns aos outros com amor e paciência”, escreve o Papa no texto.

De acordo com Francisco, “nesta Quaresma, Deus nos pede que verifiquemos se nas nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades paroquiais ou religiosas, somos capazes de caminhar com os outros, de ouvir, de vencer a tentação de nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e de olharmos apenas para as nossas próprias necessidades”.

O Papa nos convida a perguntar “diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos a serviço do Reino de Deus, como bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos; se, com gestos concretos, temos uma atitude acolhedora em relação àqueles que se aproximam de nós e a quantos se encontram distantes; se fazemos com que as pessoas se sintam parte da comunidade ou se as mantemos à margem. Este é o segundo apelo: a conversão à sinodalidade”.

Rumo à vitória pascal

Em terceiro lugar, Francisco nos convida a fazer “este caminho juntos na esperança de uma promessa. A esperança que não engana, mensagem central do Jubileu, seja para nós o horizonte do caminho quaresmal rumo à vitória pascal. Como o Papa Bento XVI nos ensinou na Encíclica Spe salvi, «o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”». Jesus, nosso amor e nossa esperança, ressuscitou e, vivo, reina glorioso. A morte foi transformada em vitória e aqui reside a fé e a grande esperança dos cristãos: na ressurreição de Cristo!”

“Eis o terceiro apelo à conversão: o da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a vida eterna”, escreve o Papa, convidando a nos perguntar: “Estou convicto de que Deus me perdoa os pecados? Ou comporto-me como se me pudesse salvar sozinho? Aspiro à salvação e peço a ajuda de Deus para a receber? Vivo concretamente a esperança que me ajuda a ler os acontecimentos da história e me impele a um compromisso com a justiça, a fraternidade, o cuidado da casa comum, garantindo que ninguém seja deixado para trás?”

Francisco conclui a mensagem, afirmando que “graças ao amor de Deus em Jesus Cristo, somos conservados na esperança que não engana. A esperança é “a âncora da alma”, inabalável e segura. Nela, a Igreja reza para que «todos os homens sejam salvos» e anseia estar na glória do céu, unida a Cristo, seu esposo. Que a Virgem Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós e nos acompanhe no caminho quaresmal”.

Fonte: VaticanNews

Papa Francisco: Deus continua hoje chamando aos jovens, às vezes de maneiras que não imaginamos

fevereiro 7, 2025 / no comments

Papa Francisco: Deus continua hoje chamando aos jovens, às vezes de maneiras que não imaginamos

 

“Pelas vocações à vida sacerdotal e religiosa” é o tema da intenção de oração do Papa para o mês de fevereiro de 2025: uma questão que leva o Papa a falar dos jovens e da necessidade de acompanhá-los em seus sonhos e inquietações, ao mesmo tempo que recorda um momento crucial de sua vida na juventude.

O jovem Jorge e os jovens de hoje

“Quando eu tinha 17 anos, revela o Papa Francisco no vídeomensagem elaborado pela Rede Mundial de Oração do Papa com a colaboração da Arquidiocese de Los Ángeles, era estudante e trabalhava, tinha meus projetos. Nunca pensei em ser sacerdote. Mas um dia entrei na paróquia… e lá estava Deus, esperando-me!”. Na abertura do Vídeo do Papa vemos precisamente as fotos do Papa quando era jovem – na escola, na família, na igreja – para logo ceder lugar a cenas da vida cotidiana dos jovens de hoje: mudam os tempos, mas não muda a capacidade do Senhor de falar ao coração de quem o busca.

De fato, o Papa afirma que “Deus continua chamando aos jovens também hoje, em ocasiões e modos que não imaginamos”, e faz “coisas novas com eles”. Daí a importância de criar um ambiente de escuta no qual possam manifestar suas inquietações e sentirem-se “amados como são e pelo que são”; um ambiente em que possam ouvir e responder livremente ao chamado do Senhor, acompanhados por uma comunidade acolhedora. “É necessário caminhar com eles, escutá-los… levá-los a Jesus, sempre favorecendo a liberdade”, afirma o Papa Francisco.

O Papa Francisco convida, portanto, a escutar o Espírito Santo quando “fala através das inquietações que sentem os jovens”; assim será possível acolher o chamado de Deus “nos modos e maneiras que melhor sirvam à Igreja e ao mundo de hoje”. Por isso, nos exorta a rezar para que “a comunidade eclesial acolha os desejos e as dúvidas dos jovens que sentem o chamado para servir à missão de Cristo na vida sacerdotal e religiosa”.

O desafio da confiança

O desafio é, portanto, o de confiar nos jovens, em sua capacidade de contribuir significativamente à Igreja e ao mundo. De fato, no vídeo de fevereiro, o Papa Francisco convida a confiar nos jovens e, principalmente, em Deus, “porque Ele chama a cada um”.

“Nosso Deus é um Deus que leva a sério a vida e os dons dos jovens”, comenta dom José H. Gómez, arcebispo de Los Ángeles. “A missão da Igreja – continua o bispo da maior arquidiocese estadounidense, que colaborou com a produção deste vídeo através dos profissionais de sua equipe digital – é caminhar com os jovens para ajudá-los a crescer na fé e a trabalhar para transformar este mundo no Reino que Deus quer para seu povo”.

O Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, Pe. Cristóbal Fones, S.J., recorda que “a confiança nos jovens é essencial para animá-los a examinar com liberdade sua própia vocação e a responder à mesma com coragem. Uma pastoral vocacional que realmente valorize o diálogo e o acompanhamento, também aceita e acolhe as inquietações, interrogações e aspirações concretas do jovem como parte importante do processo vocacional. Além disso, o Papa nos diz que, diante da palavra dos jovens, às vezes até desafiante e questionadora, Deus também pode oferecer caminhos novos para a Igreja de hoje, e inclusive oferecer-nos uma oportunidade para nossa própria conversão”.

“Na vida cotidiana, prossegue Pe. Fones, todos podemos acompanhar o discernimento com quatro atitudes fundamentais: a abertura, a escuta gratuita, a proximidade e o interesse. Em primeiro lugar, temos que abrir-nos à missão de animar as vocações, e não fechar os caminhos que o mesmo Deus abre. Isto é particularmente importante dentro das famílias. Depois, é importante criar nas comunidades um ambiente de escuta da voz de Deus, de acolhida, de respeito pelos que sentem desejos de seguir a Cristo na vida consagrada ou sacerdotal. Assim mesmo, temos de estar próximo, com discreção e coerência, oferecendo nosso testemunho. Finalmente, interessar-se sinceramente por cada jovem ajuda a abrir o coração. Ou seja, nossas atitudes podem ser decisivas para os jovens que querem responder ao Senhor neste caminho e não sabem como fazê-lo”.

Assista o “Vídeo do Papa” de fevereiro de 2025: