Líbano, padre Toufic: o pároco de Qlayaa morto com a desculpa de “danos colaterais”

março 12, 2026 / no comments

Líbano, padre Toufic: o pároco de Qlayaa morto com a desculpa de “danos colaterais”

 

“Danos colaterais”: é uma expressão que ouvimos frequentemente quando se fala de guerra. Uma fórmula fria, quase técnica, usada para explicar o que acontece quando uma operação militar atinge também quem não tem nada a ver com isso.

Estar ao lado do povo libanês

Mas eu não sou jornalista e não sou bom em escrever artigos. Sou um frade franciscano. Minha “especialização”, se assim se pode dizer, é estar ao lado das pessoas: compartilhar suas ansiedades e seus sonhos, ouvir suas dores, porque, no fundo, sou um deles. Nestes meses, vi crescer ao meu redor a raiva, o medo e a insegurança. Sentimentos que ocupam todo o espaço do coração e deixam pouco espaço para a esperança e os sonhos. As pessoas continuam a viver, a trabalhar, a procurar uma frágil normalidade, mas dentro de si carregam um peso difícil de descrever.

O assassinato do Padre Pierre

Em nome do direito à defesa e com a desculpa dos chamados “danos colaterais”, perdemos um pároco, o padre Pierre El Raii. Sua única culpa foi querer ficar ao lado de seus paroquianos. Seu erro foi responder a um pedido de ajuda. Ele tentou socorrer uma pessoa que o havia chamado, e esse gesto lhe custou a vida. Padre Pierre era a generosidade e a disponibilidade encarnadas em um pároco. Eu tentava freá-lo para que ele descansasse, mas nunca consegui.

A destruição no coração das pessoas

Fala-se de ataques direcionados, de tecnologias militares sofisticadas, de operações precisas. Mostram-se imagens de edifícios destruídos por mísseis e foguetes. Mas há uma destruição que nenhuma câmara consegue mostrar: aquela que ocorre no coração das pessoas. Quem vê a ferida interior? Quem ouve o silêncio daqueles que vivem com medo? Que palavras podem descrever o que as crianças sentem quando a guerra entra em seus dias?

Ainda deslocados

E depois há os deslocados. Pessoas forçadas a deixar suas casas, suas ruas, suas memórias. Onde se refugia a dignidade quando se perde a casa? Como se guarda a esperança quando se vive com uma mala sempre pronta? E no coração de muitos cresce também outra ferida: o medo do outro, de quem é diferente, de quem está do outro lado. Mas como se pode construir a paz se antes não se cura esse medo? As casas destruídas, mais cedo ou mais tarde, podem ser reconstruídas. Mas o homem ferido pela violência, pelo medo e pela tristeza, quem o reconstruirá? Onde se pode reencontrar a dignidade perdida?

Perguntas sem resposta

São perguntas que me acompanham todos os dias. Perguntas para as quais não sei responder. Por isso peço desculpas, caro diretor. E peço desculpas também aos leitores. Não tenho análises políticas a oferecer, nem soluções a propor. Nem sequer tenho palavras para construir um artigo verdadeiro. Só posso testemunhar o que vejo: uma tragédia imensa que muitas vezes permanece escondida dentro de pequenos corações. Ou talvez devesse dizer: dentro do coração dos mais pequenos.

*Franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos no sul do Líbano

Fonte: Vatican News

CNBB publica nota sobre situação do povo palestino: “A barbárie da guerra precisa parar”

agosto 10, 2025 / no comments

CNBB publica nota sobre situação do povo palestino: “A barbárie da guerra precisa parar”

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta quarta-feira, 6 de agosto, uma “Nota sobre a Situação do Povo Palestino em Gaza”. No documento, a presidência da CNBB diz acompanhar “com muita preocupação e indignação o agravamento do conflito na região do Oriente Médio, especialmente na faixa de Gaza, com suas consequências dramáticas”.

A CNBB defende, na nota, que “nada justifica uma ação terrorista”. Contudo, frente à violenta crise humanitária que assola o povo palestino, a CNBB se soma ao clamor e às orações de tantas Igrejas-Irmãs e aos apelos do Santo Padre, Papa Leão XIV, em favor da paz.

“A barbárie da guerra precisa parar. ‘É preciso rezar pela paz e tentar  convencer todas as partes a se sentarem à mesa para negociar, dialogar e depor as armas, porque o mundo não aguenta mais, há tantos conflitos, tantas guerras, é preciso trabalhar verdadeiramente pela paz, rezar com confiança em Deus, mas também trabalhar…” (LEÃO XIV, ANGELUS, Praça da Liberdade em Castel Gandolfo, Domingo, 20 de julho de 2025)”, diz um trecho do documento.

Na nota, a CNBB aponta que o “povo palestino em Gaza necessita de uma solução pacífica para o conflito, a fim de que palestinos e israelenses possam viver em paz.

“Conclamamos todas as comunidades a intensificarem suas preces e gestos de solidariedade, pois é tempo de ação pela paz, para que a humanidade proteja os civis e os que sofrem. Que Deus, em sua misericórdia, nos faça promotores da paz e que, com Maria Santíssima, Mãe da Esperança, mulher do Oriente, aurora do Sol novo que surgiu na história, nos ajudem a curar tantas feridas, nos guiem para os alvores da paz e nos consolem diante de tanto sofrimento”, pede a CNBB.

Confira a íntegra da nota:
Nota da Presidência da CNBB sobre a situação do povo palestino em Gaza.pdf

Foto: Unicef/Hassan Islyeh
Fonte:CNBB