Formação reúne comunicadores católicos para partilha e fortalecimento da missão evangelizadora

Entre os dias 28 e 31 de outubro, a Arquidiocese do Rio de Janeiro realizou o 12º Seminário de Comunicação Social, com o tema “Lançai as Redes (Lc 5,4): a construção da voz e da presença nas estratégias da assessoria de comunicação e gestão de redes sociais”. O encontro reuniu comunicadores de diversas dioceses, congregações, institutos e movimentos do país, consolidando-se como um dos principais espaços de formação e partilha para os profissionais da comunicação eclesial no Brasil.
A iniciativa foi coordenada pelo padre Arnaldo Rodrigues, assessor de comunicação da CNBB, e contou com a presença do assessor de comunicação do Regional Leste 1, Adielson Agrelos, entre os participantes. Durante quatro dias, os comunicadores mergulharam em reflexões, palestras e experiências que uniram fé, técnica e propósito, reafirmando a comunicação como missão e serviço na Igreja.
Abertura e o convite à esperança
A abertura do seminário foi conduzida pelo padre Arnaldo Rodrigues, que destacou a importância do diálogo e da esperança como pilares da comunicação cristã. Em seguida, o Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, reforçou a mensagem ao recordar o legado de Dom Eugênio Sales, que costumava reunir representantes de diferentes setores da sociedade para dialogar sobre os rumos da cidade, lembrando que comunicar é abrir espaços de encontro e promover a paz.
Formação, tecnologia e espiritualidade
Entre reflexões teóricas e experiências práticas, o seminário apresentou uma série de conferências que articularam fé, comunicação e tecnologia, destacando a importância da formação contínua dos agentes pastorais diante dos desafios do mundo digital. Os temas abordaram desde o uso ético das ferramentas de comunicação até a integração entre espiritualidade, linguagem e inovação.
O primeiro dia contou com a conferência de Marcelo Braggion, que tratou do tema “Como transformar sua comunicação pastoral em evangelização persuasiva”. O especialista em copywriting lembrou que “a técnica sem direção espiritual é manipulação” e ressaltou que toda comunicação pastoral deve colocar a Palavra de Deus no centro de sua mensagem.
Henri Marques, do UOL, apresentou o tema “Gestão de Redes Sociais: compreender o ambiente para qualificar a comunicação”, abordando o uso inteligente das plataformas digitais e o papel das redes como espaço de evangelização.
Representantes da The Chosen Brasil, Moisés Siqueira e Mateus Horácio, partilharam a experiência da série e o impacto de sua estratégia digital, mostrando como a linguagem audiovisual pode ser ponte entre fé e cultura.
Outro destaque foi a conferência de Anderson Paiva, da Adora Comunicação, sobre “IA a serviço da comunicação católica”. Com exemplos práticos, ele apresentou formas de integrar a inteligência artificial às estratégias de evangelização, lembrando que a tecnologia nunca substitui o humano, mas pode potencializar a missão da Igreja.
Aspectos relacionados à proteção digital também estiveram em pauta. David Almansa, da Rede de Educação Midiática da Presidência da República, e Maurício Ciaravolo, da MultiRio, discutiram a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, a educação midiática e os desafios legais e práticos para criar ambientes digitais mais seguros.
A Igreja e a missão de comunicar
Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, conduziu a conferência “A Comunicação na Igreja no Brasil”. Em sua fala, destacou que comunicar é criar pontes e estar a serviço da comunhão, que o comunicador cristão é chamado a ser presença de esperança e escuta em um mundo de ruídos.
Uma das conferências reuniu Beth Garcia e Bianca Torres, da Agência Approach, que refletiram sobre o papel da assessoria de imprensa na comunicação eclesial, destacando a importância da escuta ativa, da credibilidade e do propósito na construção de narrativas verdadeiras.
Já a jornalista Heloísa Fischer apresentou a conferência sobre linguagem simples e o chamado ao cuidado. Ela defendeu a clareza como forma de empatia e responsabilidade, apontando que a simplicidade no discurso é essencial para democratizar a informação, respeitar a atenção limitada do público e aproximar as pessoas dos conteúdos que a Igreja deseja partilhar.
Diálogo com a Sociedade
Um dos momentos mais marcantes do seminário foi o “Diálogo com a Sociedade”, realizado no Instituto Pró-Saber Humaitá, no Rio de Janeiro. O encontro promoveu uma troca de experiências entre fé, ciência, cultura e comunicação.
A primeira mesa, “Como aproximar a sociedade dos grandes temas da atualidade”, contou com Dom Orani João Tempesta, Dr. Paolo Ruffini (Prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé), Dra. Margareth Dalcolmo (Fiocruz), Gerson Camarotti (GloboNews) e Pedro Nabuco (documentarista).
A segunda mesa, “Meio ambiente, cultura e história: vozes humanas em tempos de transformação”, reuniu Cláudia Sabino, Heloísa Fischer, João Carlos Nara e José Bial, debatendo o papel da linguagem e da memória na construção de um futuro mais humano e sustentável.
Encerramento e mensagem de esperança
Em outro momento de destaque, o padre Arnaldo Rodrigues apresentou um balanço da comunicação da CNBB e abordou os desafios da gestão da informação em tempos de mudanças, além de refletir sobre o recente falecimento do Papa Francisco e a eleição do Papa Leão XIV.
Encerrando o evento, o Dr. Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, partilhou sua trajetória e reforçou que comunicar é um ato de comunhão, destacando que a comunicação é o lugar onde a fé e a humanidade se encontram. O comunicador é chamado a servir à verdade, à escuta e à esperança.

Durante o encerramento, o Prêmio São Paulo VI de Comunicação foi concedido ao Cardeal Orani Tempesta e à jornalista Camila Morais, da TV Aparecida, em reconhecimento à dedicação à comunicação católica no Brasil.
Fotos: Gustavo de Oliveira – ArqRio e Seminário de Comunicação


Entre os participantes estavam três auxiliares da Arquidiocese do Rio de Janeiro — Dom José Maria Pereira, Dom Hiansen Franco e Dom Joselito Ramalho — que integraram o grupo de 14 bispos brasileiros presentes.