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Reflexões na Abertura Estadual da CF: Fraternidade e Amizade Social

fevereiro 17, 2024 / no comments

Reflexões na Abertura Estadual da CF: Fraternidade e Amizade Social

 

Mesmo não sendo possível realizar o evento de Abertura Estadual da Campanha da Fraternidade devido às condições climáticas adversas, o Cristo Redentor se iluminou na noite da última sexta-feira, 16 de fevereiro, anunciando ao mundo a mensagem da Campanha da Fraternidade, a qual conclama a todos a se irmanarem para superar crises e divisões, promovendo a Amizade Social. O evento, idealizado pelos bispos do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi transferido para o Auditório da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, no Edifício São João Paulo II, na Glória, onde recebeu os representantes das dioceses com seus bispos, além de líderes de religiões cristãs e não cristãs, em um belo gesto de fraternidade entre irmãos e irmãs.

Dom Gilson, presidente do Regional Leste 1, faz a abertura da CF2024.

Dom Gilson, presidente do Regional Leste 1, faz a abertura da CF2024.

 

Ao dar as boas-vindas aos presentes, Dom Gilson Andrade, bispo de Nova Iguaçu e presidente do Regional Leste 1 – CNBB, expressou a decisão dos bispos do Estado do Rio de Janeiro de realizar um gesto comum: a abertura, em nível estadual, da Campanha da Fraternidade deste ano, envolvendo não apenas os católicos. “Pela temática, ‘Fraternidade e Amizade Social’, nós quisemos estender o convite não apenas às nossas Igrejas, às nossas Dioceses, mas também a representantes de outras realidades e religiões que contribuem para a construção de um mundo de paz”, disse o bispo, que também abordou a mudança no local do evento.

“Nós pretendíamos realizar esse gesto aos pés do Cristo Redentor, pela beleza do sinal que juntos poderíamos dar. Quis a Providência Divina que não acontecesse ‘lá em cima’; afinal, o nosso compromisso é ‘aqui embaixo’, onde as pessoas vivem seus conflitos e esperam braços abertos e palavras que as ajudem a viverem reconciliadas.”

O tom da fraternidade

Durante o evento, as crianças e músicos da Escola de Música Cristo Redentor, regidos pelo Maestro Leonardo Randolfo, estabeleceram o clima, executando canções relacionadas à temática da amizade social. A primeira delas foi uma bela execução do Hino da Campanha da Fraternidade. Também tivemos a Oração de São Francisco e, para encerrar, o Samba da Bênção, canção de Vinicius de Moraes, mencionada pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti.

A proposta quaresmal da CF
Professora Beatriz fala sobre o tema da CF2024.

Professora Beatriz fala sobre o tema da CF2024.

A exposição do tema da CF2024 foi conduzida por Beatriz Leal, doutora em Educação e assessora da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB. A professora destacou que o tema deste ano está alinhado ao que a Igreja no Brasil tem proposto nos últimos anos por meio das campanhas, bem como à Igreja Universal. Beatriz também apontou o caminho quaresmal proposto pelo Texto-Base da campanha em três perspectivas metodológicas: “observar as situações de inimizades que geram divisões e violência, deixar-se iluminar pelo Evangelho que nos une como família e agir, conforme a proposta quaresmal, esforçando-se por uma mudança não apenas pessoal, mas também comunitária e social”, disse a professora.

Superando divisões
A Abertura Estadual da CF contou com a presença de representantes de outras religiões.

A Abertura Estadual da CF contou com a presença de representantes de outras religiões.

Os representantes das religiões também contribuíram com suas reflexões sobre a Amizade Social e a necessidade de superar divisões. Presentes no evento, Pai Márcio de Jágun, representando o candomblé, o Pastor Silas Esteves, representando os evangélicos, a Sra. Angela Delou, representando os espíritas, e a Mãe Mônica d’Oyá, representando os umbandistas, compartilharam suas perspectivas. “A fraternidade não está reservada aos textos sagrados ou aos ambientes litúrgicos. Ela sempre esteve ao alcance das nossas mãos”, disse Pai Márcio. “A fraternidade e a amizade social são caminhos e missões para religiões diferentes que têm o mesmo objetivo: trazer paz e esperança”, disse Mãe Mônica. O Pastor Silas relembrou as ações já realizadas em prol do diálogo entre as religiões, que possibilitam a “restauração da arte perdida de discordar em amor”.

O papel da política na promoção da fraternidade

Dom Roberto Paz também abordou o tema da Fraternidade e da Amizade Social sob a ótica da política. Enfatizando que a política deve buscar a construção da paz, pois somente ela é capaz de promover a fraternidade. O bispo de Campos dos Goytacazes delineou o perfil do bom político, afirmando: “Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel, de cuja pessoa irradia a credibilidade e que trabalha para o bem comum e não para os seus interesses, permanecendo fielmente coerente, promovendo a unidade e se comprometendo com uma mudança radical e duradoura, sabendo escutar e não temendo”.

Assista o evento completo, clicando no link abaixo:

Dom Gilson encerrou o evento destacando a necessidade de conversão proposta pelo tempo quaresmal: “A primeira palavra da Quaresma é aquela de São Paulo ‘deixa-vos reconciliar com Deus’. Sabemos que, a partir da reconciliação com Deus, ocorre a nossa reconciliação entre nós”, disse o presidente do Regional Leste 1.

Confira imagens da Abertura Estadual da Campanha da Fraternidade 2024:
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Imagens: Adielson Agrelos – CNBB Leste 1 / Ascom

Um pároco planetário: Francisco reflete sobre a necessidade de unidade em entrevista ao La Stampa

janeiro 30, 2024 / no comments

Um pároco planetário: Francisco reflete sobre a necessidade de unidade em entrevista ao La Stampa

Entrevista de Francisco ao jornal italiano La Stampa: “é urgente um cessar-fogo global, estamos à beira do abismo”. Sobre a declaração Fiducia supplicans: “Confio que todos se tranquilizem, visa incluir, não dividir”. “Sinto-me um pároco. De uma paróquia planetária”

“Havia o acordo de Oslo, muito claro, com a solução de dois Estados. Enquanto esse acordo não for aplicado, a verdadeira paz permanece distante.” Esta é a consideração sobre o que está acontecendo na Terra Santa, depois dos ataques do Hamas e da guerra que destrói as cidades da Faixa de Gaza, que o Papa Francisco confia a Domenico Agasso, vaticanista do jornal La Stampa, na entrevista hoje nas bancas. Francisco, falando dos numerosos conflitos em curso, convida a rezar pela paz, indica o diálogo como único caminho e pede para “parar imediatamente as bombas e os mísseis, pôr fim às atitudes hostis. Em todos os lugares”, um “cessar-fogo global” porque “estamos à beira do abismo”.

Esperanças para a Terra Santa e a Ucrânia

O Papa explica a sua contrariedade em definir uma guerra como “justa”, preferindo dizer que é legítimo defender-se, mas evitando “justificar as guerras, que são sempre erradas”. Afirma temer uma escalada militar mas que cultiva alguma esperança “porque estão sendo realizadas reuniões reservadas para tentar chegar a um acordo. Uma trégua já seria um bom resultado.” Francisco define o cardeal Pizzaballa como “uma figura crucial”, que “se movimenta bem” e procura fazer uma mediação, recorda de diariamente fazer uma videochamada para a paróquia de Gaza e afirma também que “a libertação dos reféns israelenses” é uma prioridade. No que diz respeito à Ucrânia, na entrevista o Sucessor de Pedro recorda a missão ao cardeal Zuppi: “A Santa Sé está tentando mediar a troca de prisioneiros e o retorno dos civis ucranianos. Em particular, estamos trabalhando com a Sra. Maria Lvova-Belova, a comissária russa para os direitos da infância, para o repatriamento de crianças ucranianas levadas à força para a Rússia. Alguma já voltou para sua família”.

Fiducia supplicans deseja incluir

Na entrevista, Francisco recorda que “Cristo chama todos para dentro” e referindo-se à declaração que permite bênçãos para casais irregulares e do mesmo sexo, explica: “O Evangelho é para santificar a todos. Claro, desde que exista boa vontade. E é necessário dar instruções precisas sobre a vida cristã (sublinho que não se abençoa a união, mas as pessoas). Mas pecadores somos todos: por que então fazer uma lista de pecadores que podem entrar na Igreja e uma lista de pecadores que não podem estar na Igreja? Este não é o Evangelho.”

No que diz respeito às críticas ao documento, o Papa observa que ” aqueles que protestam veementemente pertencem a pequenos grupos ideológicos”, enquanto define o dos africanos como “um caso à parte”, dado que “para eles, a homossexualidade é algo ‘ruim’ do ponto de vista cultural, não a toleram”. Mas no geral, “confio que gradualmente todos se tranquilizem em relação ao espírito da declaração” que “visa incluir, não dividir. Convida a acolher e depois confiar as pessoas e confiar-nos a Deus”. Francisco admite que às vezes se sente sozinho, “mas de qualquer forma sigo em frente, dia após dia” e diz não temer cismas: “Na Igreja sempre houve pequenos grupos que manifestavam reflexões de nuances cismáticas… devemos deixá-los fazer e passar… e olhe em frente”.

Inteligência artificial, oportunidades e perigos

O Papa aborda então o tema de sua recente mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicado à inteligência artificial, que ele define como “um belo passo à frente que pode resolver muitos problemas, mas que potencialmente, se administrado sem ética, também pode provocar muitos danos ao homem”. O objetivo é que ela “esteja sempre em harmonia com a dignidade da pessoa”, caso contrário “será um suicídio”.

Próximas viagens

Francisco diz que se sente bem, apesar de algumas dores, e não está pensando neste momento em renunciar. Ele recorda as próximas viagens à Bélgica, Timor Leste, Papua Nova Guiné e Indonésia em agosto. Define “entre parênteses” a hipótese de uma viagem à Argentina, dizendo que não se sentiu ofendido com as palavras de Milei durante a campanha eleitoral e confirma que se encontrará com o novo presidente nos próximos dias, logo após a canonização da santa argentina “Mama Antula”, prevista para 11 de fevereiro. Pronto para dialogar com ele.

A Igreja que virá e o Conclave de 11 anos atrás

Depois de recordar o Dia Mundial das Crianças, que “elas são mestras de vida” e devem ser escutadas, o Papa reitera seu sonho de uma “Igreja em saída” e lembra o que aconteceu depois de suas palavras durante as congregações gerais que precederam o Conclave de 2013: “depois de meu discurso houve aplausos, inéditos em tal contexto. Mas eu absolutamente não havia intuído o que muitos me revelariam mais tarde: aquele discurso foi minha ‘condenação’ (sorri, nda). Quando eu estava saindo da “Sala do Sínodo”, um cardeal que falava inglês me viu e exclamou: “Muito bom o que você disse! Belo. Belo. Precisamos de um Papa como o senhor!” Mas eu não havia percebido a campanha que estava se formando para me eleger. Até o almoço de 13 de março, aqui na Casa Santa Marta, poucas horas antes da votação decisiva. Enquanto comíamos, fizeram-me duas ou três perguntas “suspeitas”… Então, na minha cabeça, comecei a dizer a mim mesmo: “Algo estranho está acontecendo aqui…”. Mas ainda consegui tirar uma soneca. E quando me elegeram, tive uma surpreendente sensação de paz dentro de mim”. Enfim, Francisco confidenciou à “La Stampa” que se sente como “um pároco. De uma paróquia muito grande, planetária, é claro, mas gosto de manter o espírito de um pároco. E estar entre as pessoas. Onde eu sempre encontro Deus”.

Fonte: Vatican News

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