Mensagem dos Bispos do Estado do Rio de Janeiro para as Eleições 2020

agosto 5, 2020 / no comments

Mensagem dos Bispos do Estado do Rio de Janeiro para as Eleições 2020

A proximidade das eleições municipais 2020 e o cenário atual de pandemia no Brasil são um convite para que os fiéis católicos e todas as pessoas de boa vontade façam uma reflexão madura sobre o exercício consciente da sua responsabilidade cristã e cidadã na construção do bem comum.

Como Pastores do povo que nos foi confiado por Jesus Cristo, nós, os Arcebispos e Bispos católicos do Estado do Rio de Janeiro, Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desejamos oferecer alguns elementos para esta reflexão.

Inspira-nos a imagem bíblica do Bom Samaritano (Lc 10) que, superando a indiferença diante da dor alheia e estendendo a mão para ajudar, faz da caridade a força que devolve a esperança. A Doutrina Social da Igreja ensina que “a política é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (Papa Francisco, EvangeliiGaudium, 205).

Um olhar samaritano ao atual momento histórico, faz-nos perceber a sua gravidade e não pode nos deixar indiferentes. A pandemia do novo coronavirus acelerou processos de crises morais, socioeconômicas, políticas e culturais já existentes. Por outro lado, despertou também a consciência solidária de que estamos todos juntos, “no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar” (Papa Francisco, 27 de março de 2020). A solidariedade faz surgir esperança onde a insegurança das respostas oferece medo.

Este contexto exige atitudes políticas novas, capazes de repensar o serviço à cidade com modalidades mais eficientes, priorizando políticas públicas que defendam a vida na sua totalidade (família, saúde, educação, moradia, segurança, ambiente, etc.). A capacidade de estabelecer diálogo, a superação das polarizações, a união das diversas forças e o combate à corrupção fazem parte de atitudes políticas urgentes e que candidatos e eleitores devem considerar.

A Igreja católica não faz política partidária, não tem candidatos, mas considera como parte de sua missão orientar as consciências à luz da coerência com os valores que tornam uma sociedade mais humana. Como cristãos e cidadãos temos o compromisso e a responsabilidade de cooperar para o bem de toda a sociedade. O voto consciente é um instrumento importante para mudanças políticas e sociais significativas.

Procure informar-se, através de fontes seguras, sobre o candidato em que você pretende votar e se suas propostas correspondem à realidade. Considere o seu compromisso com os reais interesses da cidade, especialmente para com os mais pobres e vulneráveis. Não vote em quem troca votos por favores, nem em candidatos condenados pela Justiça por atos de improbidade administrativa. A Lei da Ficha Limpa há de ser, neste caso, o instrumento iluminador do eleitor para barrar candidatos de ficha suja.

Lembremo-nos de que as eleições municipais têm relevância particular, pois vivemos na cidade e nela são aplicadas as políticas públicas que têm mais impacto no contexto do bem comum. A escolha dos prefeitos e vereadores pode ser determinante para processos de superação de desigualdade social e melhor qualidade de vida para todos.

Não se esqueça de que o compromisso com a vida social se exerce de forma privilegiada na hora de votar. Valorize o seu voto!

Para um melhor exercício da cidadania na sociedade democrática é conveniente que nossa atuação se prolongue após as eleições, no acompanhamento dos eleitos, através dos instrumentos que já existem para isso, e que é preciso conhecê-los. O intuito é não só o de fiscalizar, mas também de colaborar positivamente no desenvolvimento das necessárias políticas públicas que garantam os direitos do cidadão.

A política democrática não é luta pela defesa de interesses particulares nem ideológicos, mas serviço e promoção do bem comum, incentivo do desenvolvimento pessoal e solidário das pessoas e dos povos, promoção da justiça e defesa da liberdade.

O conhecimento e aprofundamento da Doutrina Social da Igreja neste tempo poderá fomentar a participação mais consciente e eficaz dos leigos na vida pública.

Deus abençoe e ilumine a todos, eleitores e candidatos, nas eleições municipais deste ano, para o bem do povo!

 

Dom José Francisco Rezende Dias

Arcebispo Metropolitano de Niterói
Presidente do Regional Leste 1 – CNBB

Dom Gilson Andrade da Silva

Bispo de Nova Iguaçu
Vice-presidente do Regional Leste 1 – CNBB

Dom Tarcisio Nascentes dos Santos

Bispo de Duque de Caxias
Secretário do Regional Leste 1 – CNBB

Dom Gilson recebe visita do Vigário Patriarcal da Igreja Ortodoxa Antioquina

julho 17, 2020 / no comments

Dom Gilson recebe visita do Vigário Patriarcal da Igreja Ortodoxa Antioquina

Os fiéis da Igreja Ortodoxa Antioquina residentes em Nova Iguaçu para celebrarem a Divina Liturgia precisam deslocar-se para outras cidades, pois não há em nossa região templos dedicados a esse Rito. Com a pandemia e os protocolos exigidos pelas autoridades, a participação tornou-se ainda mais difícil.

Solidário aos irmãos irmãs dessa importante Igreja, que segundo a tradição oriental, foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, Dom Gilson Andrade da Silva recebeu na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, o revmo. bispo Theodore Ghandour, que manifestou sua alegria pelo encontro. “Foi um grande prazer conhecer Dom Gilson e o Padre Luciano. Nosso intuito, em primeiro lugar foi conhecer a Diocese de Nova Iguaçu e também pedir ajuda desta Igreja para que possamos conhecer a nossa comunidade Ortodoxa presente nesta região, enquanto ainda não temos uma igreja que possibilite, principalmente, que celebremos a Divina Liturgia. Que esse primeiro encontro seja sinal e que Deus nos abençoe para que possamos construir essa bonita amizade entre as Igrejas e abençoe também a toda esta Diocese”, disse o bispo.

Na presença do Bispo Ghandour estiveram presentes os senhores Sleiman Yakoub e Abdulmasih El-Homsi que foram recebidos pelo Padre Luciano Adversi, referencial para a Comissão Diocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso e o Padre Paulo Machado, pároco da Catedral de Santo Antônio de Jacutinga.

“Segundo o n.º 137 do Diretório para a Aplicação dos Princípios e Normas sobre o Ecumenismo do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Bispo Diocesano pode permitir que uma comunidade de fiéis e seus clérigos possam utilizar as dependências de um templo católico e até mesmo os objetos necessários para os seus serviços, caso estes não disponham dos mesmos em seu favor. Dessa forma, além contribuir para que o Ecumenismo seja cada vez mais posto em prática, colaboramos com esses irmãos e irmãs que desejam viver a sua fé em Jesus Cristo e hoje não possuem meios para isso na cidade onde vivem”, destacou Dom Gilson Andrade.

A Comunidade Ortodoxa Antioquina é formada em geral por imigrantes ou descentes da Síria e do Líbano.