A família como vai? – Artigo de Dom Gilson Andrade da Silva

agosto 10, 2019 / no comments

Era o ano de 1994 quando uma das Campanhas da Fraternidade que a Igreja católica costuma celebrar a cada quaresma tratou do tema da família. A pergunta que encabeça este artigo teve a força de ajudar muita gente, naquela ocasião, a repensar a qualidade de suas relações dentro do aconchego do lar e do papel decisivo da família na sociedade. De lá para cá muita coisa aconteceu, estamos passando por aquilo que a Conferência de Aparecida (2007) chamou de mudança de época. Hoje, inclusive, alguns arriscam falar até mesmo de mudança de era. Vivemos um tempo de profundas transformações onde, especialmente as instituições de maior relevância para a vida da sociedade humana, experimentam uma profunda crise. Portanto, convém de novo colocar a mesma pergunta num contexto novo. Não simplesmente perguntar a família como vai, mas concretamente sobre a família de cada um.

Família tem a ver com a sede de amor que existe em todo ser humano. Por isso, por mais que se pretenda reinventar esta realidade que a Sagrada Escritura coloca no ponto de partida da história da humanidade, não se pode negar a sede e a necessidade que todo mundo tem de amor e de amar. Se há algo próprio da identidade humana é a relação que se fundamenta no amor e que tem a sua base numa vida familiar. Falar de família é falar da pertença que nos constitui, por isso não é irrisória a reflexão sobre como vai a família.

Tendo as relações como algo constitutivo da ser humano, cabe também refletir sobre os diversos papeis que se jogam dentro da família. Lembro-me bem que o Sínodo da Juventude de 2018, em Roma, que pude participar, pedia que os papeis de pai e de mãe fossem melhor valorizados e aprofundados. A antropologia cristã reconhece a complementaridade homem e mulher como decisivo para o desenvolvimento da pessoa.

Na Exortação Apostólica A alegria do amor, do Papa Francisco, se recorda que “a mãe, que ampara o filho com a sua ternura e compaixão, ajuda a despertar nele a confiança, a experimentar que o mundo é um lugar bom que o acolhe, e isto permite desenvolver uma autoestima que favorece a capacidade de intimidade e a empatia” (n. 175). Sobre o pai, diz-se na mesma Exortação que na nossa cultura a sua figura “estaria simbolicamente ausente, distorcida, desvanecida” (n. 176). Porém, recorda-se que “Deus coloca o pai na família, para que, com as características preciosas da sua masculinidade […] esteja próximo dos filhos no seu crescimento” (n. 177).

Celebrando o dia dos pais e vivenciando a Semana da Família, de 11 a 17 de agosto, queremos contribuir como cristãos, a partir da nossa oração, reflexão e partilha no projeto de felicidade que Deus tem para nós e que passa pela família. A missão da família é atual e determinante na construção de um mundo novo com o qual todos sonhamos.

 

Fonte: Portal Nova Iguassu On Line

NOS BRAÇOS DO PAI: Falece Madre Maria Bernadete

agosto 10, 2019 / no comments

Madre Maria Bernadete, batizada com o nome de Maria Madalena de Figueiredo, nascida no dia 22 de julho de 1918, em Sousa, na Paraíba, faleceu na tarde de hoje aos 101 anos 

 

Faleceu a Madre Maria Bernadete, de nome civil Maria Madalena de Figueiredo, fundadora do Instituto das Irmãs do Bom Conselho. Madre Maria Bernadete tinha 101 anos e faleceu no hospital, sexta-feira, 9 de agosto, às 15h.

A Madre será velada no Convento Irmãs de Nossa Senhora do Bom Conselho, na Rua Domicio da Gama, Eldorado, Maricá – RJ, hoje 10 de agosto a partir das 9h até o domingo, 11 de agosto.

O corpo será conduzido à paróquia Nossa Senhora do Amparo às 8h30 do dia 12 de agosto. Na paróquia acontece às 14h a Missa de Exéquias.

Esta mulher, que tanto amou e foi amada, confiamos a Deus, através de nossas preces e a certeza de fé, expressa na bela frase de São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos julgados pelo Amor”. Crentes de que todo o amor devotado a Cristo, à Igreja e ao Povo de Deus lhe dará, como recompensa, o repouso nos braços do Pai.

 

História da Madre Maria Bernadete

Madre Maria Bernadete, batizada com o nome de Maria Madalena de Figueiredo, nasceu no dia 22 de julho de 1918, em Sousa, na Paraíba, a primeira de 12 filhos do casal Manoel Francisco de Figueiredo e Francisca Maria de Figueiredo.

Recebeu o Sacramento do Batismo com 40 dias de nascimento, em 1º de setembro, na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios; a Crisma, no ano de 1921, e a primeira Eucaristia, no dia 8 de dezembro de 1925.

Proveniente de uma família religiosa e piedosa, desde muito cedo tinha profunda sensibilidade pelo sagrado. Participava ativamente da igreja com seus pais, de quem adquiriu um sincero amor pela Igreja e zelo pelos sacerdotes. Atuou na catequese infantil e gostava de frequentar a adoração eucarística.

Estudou no Colégio das Irmãs Doroteias, cresceu no conhecimento e na fé cristã, enquanto foi desabrochando a vocação para a vida consagrada.

Aos 15 anos, com o falecimento de sua mãe, além dos estudos, precisou, juntamente com o pai, dedicar-se aos cuidados dos irmãos mais novos que, carinhosamente, a chamavam de ‘mãezinha’. Com o passar dos anos, seu pai conheceu uma senhora que frequentava a mesma paróquia. Alguns dias depois, conversando com a filha sobre a possibilidade de um novo matrimônio, Maria Madalena ficou imensamente feliz e o incentivou a realizar este desejo.

Sentindo que chegara o tempo de realizar seu grande sonho, parecia que tudo fora preparado e conduzido por Deus. Aos dezenove anos, ingressou no Convento das Irmãs Missionárias Carmelitas, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba. No dia 15 de agosto de 1938, iniciou a etapa do postulantado e, em 10 de fevereiro de 1939, foi admitida ao noviciado, recebendo o hábito próprio e o nome religioso de Irmã Maria Bernadete de Jesus. Todo o período de formação durou dois anos.

Irmã Maria Bernadete emitiu os primeiros votos, dedicados à Nossa Senhora de Lourdes, em 1941. Já em 10 de agosto de 1950, proferiu os votos de castidade, pobreza e obediência, entregando-se, definitivamente, a Cristo, e dedicando-se a uma vida de oração, sacrifício e trabalho.

Em janeiro de 1952, dois anos após os votos perpétuos, foi eleita Superiora geral das Irmãs Missionárias Carmelitas, substituindo a fundadora, Madre Carmelita, que estava em idade avançada.

Madre Maria Bernadete, tendo um imenso desejo de incluir na ordem o compromisso de imolar-se pela santificação dos sacerdotes, sem a intenção de deixar o Carmelo, fez um pedido especial ao bispo, que não foi aprovado pelo padre fundador, que a orientou então, a escrever uma carta a Roma.

Passado algum tempo, ela recebeu, como resposta, o aconselhamento de que deveria desligar-se do Carmelo para uma nova fundação. Em oração, percebeu nos acontecimentos a vontade de Deus. Assim, logo começou a organizar o desligamento do Carmelo.

Como responsável pela congregação, iniciou visitas às comunidades, para informar às religiosas a resposta de Roma e, também, despedindo-se de cada uma. Várias delas pediram para acompanhá-la nesta nova missão. O desligamento da Congregação das Irmãs Missionárias Carmelitas aconteceu em 13 de janeiro de 1957, com um grupo de religiosas.

Percorreram um longo caminho, de muitos sofrimentos e provações. No entanto, entre elas reinava grande paz, alegria e confiança na Providência Divina. Permaneceram alguns meses em São Paulo e chegaram ao Rio de Janeiro, onde foram recebidas pelo então Arcebispo Cardeal Jaime de Barros Câmara. Juntamente com Madre Maria Bernadete, as Irmãs Maria do Santíssimo Sacramento, Maria Violeta, Maria dos Anjos e Maria Teresinha iniciaram a nova fundação.

No dia 26 de março de 1959, Dom Jaime as acolheu em sua própria residência, por alguns anos, assumindo a fundação, e acompanhando-as nos primeiros anos, orientando-as espiritualmente, como também dando apoio às necessidades materiais.

Mais tarde, debilitado e impossibilitado de dar continuidade ao trabalho, confiou aos jesuítas, por meio do Padre Flávio da Veiga, os cuidados espirituais das irmãs. A fundação recebeu o nome de Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, que passou a ser marcado pela espiritualidade inaciana: “Em tudo, amar e servir, fazendo tudo para a maior glória de Deus” (Santo Inácio de Loyola).

Nesta transição de direção e orientação espiritual, a sede do instituto foi transferida para a Arquidiocese de Niterói e acolhida pelo arcebispo Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, no dia 11 de julho de 1963. Foi oferecido ao Instituto residir na cidade de Maricá, assumindo os trabalhos pastorais e de catequese da Paróquia Nossa Senhora do Amparo.

As religiosas do Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho se consagram, emitindo os votos perpétuos e oferecendo suas vidas em união com Jesus na Eucaristia, que se imola constantemente ao Pai pela humanidade. As Irmãs, com Jesus, se imolam ao Pai, pela santificação dos sacerdotes. Este carisma foi inspirado no texto do Evangelho de São João: “Por eles, eu me consagro” (Jo 17,19).

A Madre fundadora sempre ensinou às suas filhas que as coisas ordinárias, por mais simples que sejam, devem ser realizadas de modo extraordinário, vivendo intensamente a vida comunitária, com fidelidade e doação. Elas devem ser como uma vela iluminando e aquecendo, sem nada exigir para si.

É uma imensa alegria e uma grande riqueza para o Instituto, ter consigo a presença da fundadora que, no silêncio de sua idade avançada, transmite a todas o valor da consagração e da imolação de uma vida inteira, consumindo-se como uma vela acesa.

 

Colaboração: João Dias com informações do diácono Nélio do Amparo e do Instituto das Irmãs do Bom Conselho
Fotos: Carlos Moioli – ArqRio