59° Dia Mundial das Comunicações Sociais

junho 1, 2025 / no comments

59° Dia Mundial das Comunicações Sociais

“Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações” (cf. 1 Pd 3,15-16)

 

Dentro da celebração do Sétimo Domingo da Páscoa, no Brasil, solenidade transferida da Ascenção, comemora-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais, e, para essa data, o Santo Padre sempre prepara uma mensagem. Essa mensagem ainda foi preparada pelo saudoso Papa Francisco, que nos encoraja a sairmos em missão e anunciarmos a Palavra de Deus. Do mesmo modo que Jesus enviou os discípulos para a missão e para dar continuidade a tudo aquilo que Ele fez, Jesus nos envia hoje para sermos comunicadores da Palavra de Deus.

Por isso é Dia Mundial das Comunicações Sociais, pois somos chamados a usar todas as formas de mídia para anunciar a Palavra de Deus. Na era digital em que vivemos, onde a internet está em alta, e a inteligência artificial, podemos usar desses meios para o bem e para falar de Deus. O Espírito Santo, que é nosso defensor, o Paráclito, nos dará palavras acertadas para evangelizar. Como nos dizia o Papa Francisco, temos que ser uma Igreja em saída, ou seja, ir ao encontro do outro e anunciar a Palavra. Dessa forma, faremos como os discípulos e levaremos essa Igreja adiante.

O tema da mensagem deste ano vai ao encontro do Ano Jubilar da Esperança que estamos vivenciando — como não poderia deixar de ser. Para poder falar de Deus às outras pessoas, é preciso ter fé e esperança, para animar os desanimados e encorajar os que estão vacilantes na fé. A nossa esperança vem de Cristo Ressuscitado, e o Espírito Santo, que habita em nós desde o batismo, nos impulsiona a anunciar a Palavra de Deus às outras pessoas.

Desde o nosso batismo nos tornamos discípulos e missionários de Jesus, e fomos imbuídos com os dons do Espírito Santo. Para sermos discípulos de Jesus, deve nos acompanhar o dom da mansidão, conforme nos fala o tema desta mensagem. A esperança do cristão é a vida eterna. Busquemos evangelizar enquanto estamos aqui, fazer o bem, praticar a caridade, para, ao final da nossa vida, sermos merecedores da vida eterna.

O Papa Francisco alerta, nesta mensagem, que nem sempre a comunicação gera esperança, mas, algumas vezes, medo e desespero, preconceito e rancor, fanatismo e até ódio. Em certas ocasiões, distorcem a realidade dos fatos com o intuito de inflamar ainda mais os ânimos e gerar desconforto nos outros. O Papa nos diz que é preciso “desarmar” a comunicação e purificá-la de toda agressividade. Infelizmente, é o que vemos em alguns jornais que passam na televisão, cujo foco principal são crimes, tiroteios e violência. Não transmitem notícias, mas levam o telespectador a ter um sentimento de insegurança e medo. Alguns reality shows focam em provocações, discórdias e brigas, e não acrescentam em nada ao telespectador que os assiste.

O Papa alerta ainda que devemos tomar cuidado com as redes sociais e não expor tanto a nossa vida e a de nossos familiares. Muitas vezes, por meio das redes sociais, fomenta-se o ódio, combinam-se ações erradas contra alguém. Enfim, para nós, cristãos, deve ser diferente: temos que usar as redes sociais para o bem e para falar de Deus.

Outra preocupação do Santo Padre é a “dispersão programada da atenção”. Ou seja, algumas pessoas que estão nas redes sociais, por trás da tela do computador, apenas querem atenção e, algumas vezes, se aproveitar dos outros. É preciso tomar cuidado e conhecer bem quem está do outro lado da tela. Nas fotos pode parecer uma coisa; presencialmente, pode ser outra. Usemos menos as redes sociais e tomemos cuidado. Antes de tudo, porém, usemos esse tempo para evangelizar e falar de Deus.

O Papa Francisco afirma que, de fato, é difícil ter esperança, principalmente no mundo de hoje, com tantas injustiças, violências e guerras. A esperança é uma virtude cristã, e todos devem nutri-la. Temos que ter esperança em dias melhores e acreditar que algo bom vai acontecer em nossa vida. Somos dirigidos por nossos pensamentos: se pensarmos coisas positivas, algo de bom acontecerá em nossa vida; agora, se só pensarmos negativamente e não nutrirmos em nós a esperança, as coisas boas não virão.

O Papa afirma ainda que a comunicação deve ser feita com mansidão e respeito. A comunicação deve ser feita de maneira próxima. Até mesmo o sacerdote, ao proferir a homilia, deve se fazer próximo dos fiéis e fazer com que toda a comunidade compreenda aquilo que está dizendo. Uma comunicação próxima é uma comunicação clara e objetiva. Uma boa comunicação é aquela que não vende ilusões ou medo, mas que é capaz de transmitir a esperança e ajudar os outros a superar os medos e enfrentar as dificuldades.

A esperança deve ser um projeto comunitário. A exemplo deste Ano Jubilar que estamos vivenciando, a Igreja inteira é chamada a nutrir a esperança no Senhor e em dias melhores para a humanidade. Por isso, ao longo deste ano, somos convidados a peregrinar até as Igrejas jubilares e vivenciar este Ano da Esperança.

O Papa conclui essa mensagem dando algumas recomendações, como, por exemplo, cuidar do coração — ou seja, da vida interior. Ser mansos e nunca esquecer o rosto do outro. Por vezes, ficamos tanto tempo nas redes sociais que não nos encontramos com as pessoas e até esquecemos sua fisionomia. Semeemos sempre a esperança em nossa comunicação, construamos pontes e atravessemos os muros visíveis e invisíveis do nosso tempo.

Estes são alguns tópicos da mensagem para este 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Não deixemos de nos comunicar e de nos encontrar com o outro. Deixemos um pouco de lado as redes sociais, usemos com sabedoria e para o bem a tecnologia, e anunciemos a esperança que vem de Cristo Ressuscitado.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

 

CNBB lança pesquisa nacional sobre evangelização da juventude

maio 27, 2025 / no comments

CNBB lança pesquisa nacional sobre evangelização da juventude

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal para a Juventude, deu início a uma ampla pesquisa voltada aos jovens de todo o país. Em parceria com a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade e o Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, a iniciativa tem como objetivo compreender mais profundamente as características, realidades e opiniões da juventude brasileira.

A proposta é ouvir jovens de diferentes regiões e contextos, com foco especial na faixa etária entre 18 e 29 anos. Adolescentes de 12 a 17 anos também podem participar, desde que autorizados por seus responsáveis legais. O acesso à pesquisa, liberado após o envio do consentimento, é totalmente voluntário e garantido por protocolos de segurança e confidencialidade.

Os dados coletados servirão como subsídio para a revisão do Documento 85 da CNBB, referência pastoral sobre a evangelização da juventude no Brasil. A atualização do texto busca refletir com fidelidade os desafios e esperanças das novas gerações, fortalecendo a presença da Igreja no cotidiano dos jovens.

Com caráter pastoral e acadêmico, o levantamento respeita o anonimato dos participantes e pode ser interrompido a qualquer momento, sem necessidade de justificativa. O formulário está disponível online e representa uma oportunidade de protagonismo juvenil no processo de escuta e discernimento eclesial.

Ao lançar esta pesquisa, a CNBB reafirma o compromisso com uma Igreja em saída, que valoriza a escuta atenta e constrói pontes com os jovens, em suas múltiplas realidades. O estudo é mais uma etapa no caminho sinodal da evangelização, que se abre ao diálogo e à construção de novas respostas para os tempos atuais.

Clica aqui e participe, a Igreja quer te ouvir