Nota de Pesar pelo falecimento do Pe. Jesús Hortal Sánchez, S.J.

fevereiro 2, 2026 / no comments

Nota de Pesar pelo falecimento do Pe. Jesús Hortal Sánchez, S.J.

 

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.
Desde agora, está reservada para mim a coroa da justiça” (2Tm 4,7-8)

 

O Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, manifesta profundo pesar pelo falecimento do Pe. Jesús Hortal Sánchez, S.J., ocorrido em 2 de fevereiro de 2026.

Sacerdote jesuíta, teólogo, canonista e educador, Pe. Hortal prestou relevantes serviços à Igreja e à sociedade, especialmente no campo da educação católica e do pensamento canônico. Sua trajetória está profundamente ligada à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde exerceu a função de Reitor entre os anos de 1995 e 2010, conduzindo a Universidade com espírito evangélico, rigor acadêmico e fidelidade à identidade católica, segundo o modo de proceder da Companhia de Jesus.

Durante sua gestão, a PUC-Rio viveu importantes avanços acadêmicos, institucionais e sociais, com destaque para iniciativas voltadas à inclusão, à formação integral da pessoa humana e ao fortalecimento de suas estruturas acadêmicas e de governança. Como canonista reconhecido, Pe. Jesús Hortal contribuiu significativamente para a segurança jurídica e canônica da Universidade, sempre em consonância com a missão da Igreja no mundo da educação.

Além de Reitor, destacou-se como professor, gestor e homem do diálogo, cultivando a escuta atenta, a abertura ecumênica e o diálogo inter-religioso. Sua atuação ultrapassou os muros universitários, alcançando instâncias educacionais, eclesiais e científicas no Brasil e na América Latina, deixando um legado fecundo para a Igreja e para a sociedade.

Ao recordar sua vida e missão, quis a Divina Providência que a Páscoa do Pe. Jesús Hortal Sánchez, S.J., se desse neste dia em que a Igreja celebra a Festa da Apresentação do Senhor e o Dia Mundial da Vida Consagrada, realidade que ele abraçou com fidelidade como religioso da Companhia de Jesus. O Regional Leste 1 une-se em oração à Companhia de Jesus, à comunidade acadêmica da PUC-Rio, aos familiares, amigos, colegas e alunos, agradecendo a Deus pelo testemunho de fé, serviço e dedicação do Pe. Jesús Hortal.

Pela intercessão da Virgem Maria e de Santo Inácio de Loyola, que o Senhor, a quem serviu com fidelidade, o acolha na plenitude de sua paz e lhe conceda a recompensa prometida aos servidores bons e fiéis.

DOM GILSON ANDRADE DA SILVA

Bispo de Nova Iguaçu (RJ)
Presidente do Regional Leste 1 – CNBB

 

DOM LUIZ HENRIQUE DA SILVA BRITO

Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda (RJ)
Vice-presidente do Regional Leste 1 – CNBB

 

DOM ANTÔNIO LUIZ CATELAN FERREIRA

Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário do Regional Leste 1 – CNBB

 


O Papa para o Dia Mundial das Comunicações: “Preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem”

janeiro 28, 2026 / no comments

O Papa para o Dia Mundial das Comunicações: “Preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem”

 

 

Na Mensagem para o 60º Dia das Comunicações Sociais, “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão introduz com a expressão: “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro”. “O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos doados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele próprio nos dirigiu”. O Pontífice continua sua introdução recordando que “preservar rostos e vozes humanas significa preservar o “reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que emerge da vida e que se manifesta precisamente na comunicação com os outros”.

Ecossistemas informativos e as relações pessoais

Papa Leão adverte que se “falharmos nessa preservação”, a tecnologia digital “corre o risco de modificar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes damos como certos”. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não apenas interferem nos ecossistemas informativos, mas invadem também o nível mais profundo da comunicação: o da relação entre pessoas humanas”.

Desafio antropológico

“O desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico” continua o Papa. “Preservar rostos e vozes significa, em última instância, preservar nós mesmos. Acolher com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial, não significa esconder de nós mesmos os pontos críticos, as opacidades e os riscos”.

Não renunciar ao próprio pensamento

Mas hoje acontece que “algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – lucrativo para as plataformas – recompensam as emoções rápidas”, penalizam as expressões humanas, que necessitam de mais tempo, como o esforço de compreensão e a reflexão”. Ao fechar “grupos de pessoas em bolhas de consenso fácil e de indignação fácil”, “enfraquecem a capacidade de escuta e de pensamento crítico, aumentando a polarização social”. Além disso, em alguns contextos, há “uma confiança ingenuamente acrítica” em relação à IA percebida como “uma espécie de ‘amiga’ onisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, ‘oráculo’ de todos os conselhos”. Tudo isso pode “enfraquecer” a capacidade do homem “de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica”, adverte o Pontífice. “Contentando-nos com uma compilação estatística artificial”, corremos o risco de, “a longo prazo, consumir nossas capacidades cognitivas, emotivas e comunicativas”.

Não ceder às máquinas

Todavia, a questão fundamental não é sobre “o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que podemos e poderemos fazer nós, crescendo em humanidade e conhecimento, com um uso inteligente de ferramentas tão poderosas a nosso serviço”. “Renunciar ao processo criativo e ceder às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa, no entanto, enterrar os talentos que recebemos com o fim de crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

Simulação das relações e da realidade

Temos dificuldade cada vez maior de identificar se estamos interagindo com outros seres humanos ou com ‘bots’ ou ‘influencers virtuais’. Os chatbots, adverte o Papa, com sua estrutura dialógica e adaptativa, mimética, “é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Essa antropomorfização, que pode soar até mesmo divertida, é ao mesmo tempo enganosa, especialmente para as pessoas mais vulneráveis”. Com visíveis consequências, pois “tornados excessivamente ‘afetuosos’, além de sempre presentes e disponíveis, podem se tornar arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desse modo, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas”.

“A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não apenas ter consequências dolorosas no destino dos indivíduos, mas pode também ferir o tecido social, cultural e político das sociedades”

Imersos na multidimensionalidade

Leão XIV também faz um alerta sobre “distorções” presentes nos sistemas emergentes, chamadas BIAS, que podem reforçar tendenciosidades existentes e ampliar a discriminação, o preconceito e a estereotipagem. “Estamos imersos em uma multidimensionalidade, onde está se tornando cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção”. “A isso, continua, “se soma o problema da falta de precisão. Sistemas que vendem uma probabilidade estatística como conhecimento estão, na verdade, oferecendo-nos, no máximo, aproximações da verdade que, às vezes, são verdadeiras ‘alucinações’.

Desafios

O desafio” sugere ainda o Papa, “que nos espera não está em frear a inovação digital, mas em orientá-la, em sermos conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas humanas, para que estas ferramentas possam ser verdadeiramente integradas por nós como aliadas”. Esta aliança é possível, mas precisa fundamentar-se em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. “Esta pode ser articulada, dependendo dos papéis, como honestidade, transparência, coragem, capacidade de visão, dever de compartilhar o conhecimento e direito a ser informado. Para os que estão no comando das plataformas on-line; criadores e desenvolvedores de modelos de IA; aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais. Ainda no âmbito da responsabilidade o Papa recorda: “Deve-se tutelar a paternidade e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e dos outros criadores de conteúdo. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e em um padrão elevado de qualidade”.

Com relação à cooperação, Leão afirma: “Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de guiar a inovação digital e a governança da IA”. Continuando afirma a necessidade de “criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – da indústria tecnológica aos legisladores, das empresas criativas ao mundo acadêmico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável”.

Por fim, com relação à educação, Leão afirma: “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, a avaliar a confiabilidade das fontes e os possíveis interesses que estão por trás da seleção das informações que chegam até nós” e “elaborar critérios práticos para uma cultura da comunicação mais saudável e responsável”.

Introduzir estudos

Na conclusão da mensagem o Papa reitera a necessidade “cada vez mais urgente” de introduzir nos sistemas educativos de todos os níveis, ao lado do letramento midiático, também a alfabetização no campo da IA. “O acrônimo MAIL (ou seja, Media and Artificial Intelligence Literacy) descreve bem essa necessidade, e algumas instituições civis já estão promovendo essa conscientização. “O MAIL”, explica o Pontífice, “ajudará a todos a não se adequarem à deriva antropomorfizante dos sistemas de IA, mas a tratá-los como ferramentas; a utilizar sempre uma validação externa das fontes – que poderiam ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA; a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de contestação”, concluiu Leão.

Papa Leão conclui sua mensagem reiterando “Precisamos que o rosto e a voz voltem a significar pessoa. Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”.

Informações: Vatican News