São Martinho abre ano jubilar com peregrinação à imagem de “Jesus sem-teto”

fevereiro 24, 2019 / no comments

A Associação Beneficente São Martinho (SM) abriu oficialmente os trabalhos de 2019 no dia 15 de fevereiro, com a visita peregrina de colaboradores e beneficiários à imagem do “Jesus sem-teto” na Catedral de São Sebastião. Este ano a instituição celebra 35 anos de fundação e esta primeira atividade teve um significado muito especial, conforme explicou Frei Adailson Santos, O.Carm., diretor geral da SM: reassumir a missão para com os mais vulneráveis da sociedade.

“A São Martinho assume e reassume aqui a sua missão para com os mais vulneráveis da sociedade. Com esse encontro de oração e espiritualidade pedimos ao Senhor força e energia para continuar a nossa luta e a nossa missão. Aonde existir um grito, a São Martinho está lá através de seus colaboradores para ouvir, acolher e ser instrumento de transformação da vida daqueles que clamam. A São Martinho é o ouvido e a voz de Deus para responder a esses apelos. E só os poderemos responder se estivermos atentos a esses clamores”, frisou.

Diante da escultura de “Jesus sem-teto”, Frei Adailson fez um breve momento de reflexão e oração. Convidou as crianças, adolescentes e jovens beneficiários a contemplarem a obra de arte e a rezarem por todos os que sofrem por não ter moradia na cidade do Rio de Janeiro e por todos os excluídos da sociedade.

“Nós fazemos essa caminhada, de peregrinos, pedindo a Deus para que Ele nos conceda a graça do discernimento, da sabedoria, de poder responder a esses gritos que ecoam diariamente”, afirmou o religioso carmelita, que também lembrou as vítimas de tragédias recentes no Rio de Janeiro e pediu a oração por todos os que sofrem. “Esta imagem do Cristo, pobre, sem-teto, representa Jesus que vem ao encontro dos nossos irmãos e irmãs que vivem em situação de rua. E é em comunhão com todas essas realidades que nós queremos rezar, pois somos solidários a todas elas também”, disse.

Ele finalizou sua reflexão com uma palavra de esperança:

“O senhor diz para nós: não desanimem. Não estamos aqui para contemplar a tristeza, mas sim contemplar a esperança: esperança de dias melhores para os nossos jovens”.

Em seguida, os participantes fizeram uma visita guiada no interior da Catedral e no Museu de Arte Sacra. A manhã foi encerrada com a celebração da Santa Missa, na Capela do Santíssimo. Estiveram presentes cerca de 100 pessoas.

Durante a homilia, o diretor da Associação Beneficente São Martinho conclamou todos os colaboradores que atuam na instituição a prosseguirem na missão:

“O Reino que Deus desejou para o ser humano é um reino de justiça, onde todos têm o seu lugar. Dentro da Associação Beneficente São Martinho todos têm o seu lugar, e o seu lugar é de vida e vida em abundância. Queremos traduzir ainda mais o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo através de nossas ações. Que nós possamos aprender com Jesus a sermos cada vez mais homens e mulheres que abraçam as realidades do Reino que estão postas à nossa frente. Cabe a cada um de nós, como discípulos e discípulas, missionários e missionárias de Cristo, construir um mundo onde as crianças possam sonhar, onde elas possam viver com expectativas de felicidade e alegria. Que o senhor nos ajude”.

Foto de capa: Wellington John

Mais de 350 pessoas participam de estudo sobre a Campanha da Fraternidade 2019

fevereiro 24, 2019 / no comments

Neste sábado, dia 09, mais de 350 pessoas das quatro regiões pastorais da diocese participaram do Encontro de Sensibilização da Campanha da Fraternidade 2019 com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1,27)”. O encontro foi realizado na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no Conforto, em Volta Redonda. Dom Francisco iniciou o encontro dando boas-vindas aos participantes fazendo uma breve recordação das Campanhas da Fraternidade e explicando como surgiu a temática da CF de 2019.

“A Campanha da Fraternidade é a expressão quaresmal da conversão de toda a Igreja…inicialmente os temas da Campanha da Fraternidade eram mais internos à Igreja, mas aos poucos devido, sobretudo, a momentos impactantes à população, refiro-me ao período da ditadura militar, as Campanhas da Fraternidade começaram a ter muito mais de atenção aos problemas urgentes e emergentes no Brasil”, relembrou o bispo explicando que o tema deste ano foi escolhido há três anos. “Tem gente que pensa que esse tema surgiu depois das últimas eleições. É bom que se saiba que os temas da CF são escolhidos três anos antes para poder preparar os subsídios, cantos, reflexões e para assim perpassar as várias instâncias da Igreja”, esclareceu.

Para conduzir o estudo, foi convidado o Frei Olávio Dotto, assessor nacional da Comissão das Pastorais Sociais da CNBB. Em mais de três horas de explanação, o frei percorreu temas como os objetivos da Campanha da Fraternidade, a história das campanhas e a importância delas no desenvolvimento social no Brasil, mostrando o cenário atual das pastorais e movimentos da Igreja. Sobre o tema específico, Frei Dotto apresentou o conceito de Políticas Públicas, o processo de implementação delas, a responsabilidade orçamentária na escolha da aplicação das verbas, participação popular e outras vertentes do tema.

“É um tema muito provocador para nós cristãos católicos. É um desafio nosso nos encantarmos pelo tema das políticas. A gente acha que é um tema difícil, que se trata de política de governo e não temos nada a ver com isso. Precisamos nos encantar e ao mesmo tempo nos nossos municípios ver com as nossas lideranças como elas se mobilizam para acompanharem a execução dos orçamentos: onde o dinheiro é aplicado, como é feito, as prioridades…mas sempre com aquele foco assim todo especial para onde existe mesmo os riscos sociais, onde está a vulnerabilidade social. E ao mesmo tempo cabe às paróquias mobilizar, incentivar para que os nossos cristãos possam participar dos espaços dos conselhos paritários onde discutem as políticas públicas”, disse o frei resumindo a participação popular em três grandes ações. “É a gente participar, fiscalizar e ao mesmo tempo se organizar para propor as políticas públicas. Reforçar a consciência política e participar do debate político e com isso não estou dizendo política partidária, mas a política que estabelece o bem comum”, explicou.

Para quem já faz parte dessa realidade de participação popular, ter esse tema como Campanha da Fraternidade “dá força e motiva outros irmãos”, como disse Luzia Quintino presidente do Conselho Municipal de Saúde de Volta Redonda.

“A importância dos leigos estarem inseridos no controle social é a nossa visão diferenciada quanto ao evangelho, preocupação com o coletivo, cuidado e humanização. Por isso é muito importante estarmos inseridos nas questões voltadas para as políticas públicas. Não podemos só ficar dentro da Igreja. Temos que levar a Igreja para fora, participando ativamente da parte política, porque é isso que o evangelho nos pede. Que a gente faça justiça e ajude as outras pessoas”, concluiu.