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Um ministério fecundo no amor: Retiro do clero de Duque de Caxias

março 25, 2019 / no comments

Um ministério fecundo no amor

Clero da diocese faz retiro e ouve palavra que os convida a viver a paternidade espiritual

 

Dentre os recursos espirituais que a Igreja oferece aos seus ministros ordenados para ajudá-los a viver bem a sua missão está o retiro anual. Todo clérigo tem o compromisso de fazer ao ano um exercício espiritual de cinco dias. Na diocese de Duque de Caxias existe o belo costume de realizar esta atividade no tempo da Quaresma, tempo que, segundo o monge Anselm Grün, deve ser para os cristãos tempo de uma verdadeira faxina interior. E o retiro ajuda nessa faxina.

E foi justamente com essa palavra que dom Luiz Antônio Ricci abriu a sua reflexão. Escolhido como pregador do retiro do clero diocesano, ocorrido entre os dias 11 e 15 de março, o bispo auxiliar de Niterói conduziu os presentes a um “segundo chamado”, ou seja, a redescoberta do único chamado que Deus tem para cada um de nós na ótica da volta ao primeiro amor. E enfatizou que essa volta consiste em redescobrir que o padre é chamado a ser fecundo. Se, por um lado, ele é privado da paternidade biológica pelo celibato, por outro, é chamado a exercer a sua paternidade espiritual e pastoral. E é a partir do exercício dessa paternidade que a sua vida e missão podem ser fecundas, sendo sinal sacramental da presença de Deus Pai no seio da Igreja e do mundo.

Para tanto, dom Luiz Ricci conduziu os participantes pelos caminhos da paternidade através de quatro verbos: desejar, gerar, cuidar e deixar partir. Sem dúvida, uma reflexão rica, que ajudou a renovar as forças daqueles evangelizadores que se dispuseram a parar suas atividades missionárias por alguns dias para ouvir a voz de Deus por meio da pregação, das orações, do silêncio e da presença da natureza tão exuberante no local onde o retiro foi realizado, o Centro de Estudos do Sumaré, pertencente à arquidiocese do Rio de Janeiro.

A fim de ajudar os leitores a ter um “gostinho” daquilo que foi vivenciado pelo bispo dom Tarcísio, 21 padres e 4 diáconos que compareceram ao retiro, realizamos uma entrevista com o pregador, a qual passamos a transcrever agora.

Padre Marcos: O senhor trouxe no início do retiro uma palavra de Anselm Grün que dizia que a Quaresma é um tempo de faxina interior. O retiro é uma oportunidade para realizar essa faxina. No caso dos nossos leigos e leigas, que não têm a possibilidade que os padres têm de fazer um retiro extenso, que práticas podem adotar para fazerem uma verdadeira faxina quaresmal?

Dom Luiz Ricci: Nós compreendemos que para os leigos é difícil um tempo maior para essa revisão de vida, que nós chamamos de faxina interior, faxina anual, que é esse tempo de graça que a Igreja nos oferece na Quaresma. Mas, mesmo com o tempo escasso, é possível encontrar na agenda durante o dia, durante a semana, algum momento para uma revisão de vida. A faxina é algo prazeroso. O ambiente fica melhor, mais saudável. Então mesmo que os nossos irmãos leigos não tenham um tempo maior como tivemos aqui no retiro, a Quaresma toda é um tempo de Graça. E por isso é possível sim encontrar um tempo para intensificar a oração, a caridade, o autocontrole. Que cada um possa fazer essa revisão, ver o que precisa ser colocado para fora, que está atrapalhando. Faxina é isso. Mas ao mesmo tempo, quando nós fazemos  faxina além de colocar para fora o que atrapalha, nós também reencontramos coisas boas que ficaram esquecidas e precisam ser retomadas.

Padre Marcos:  O tema do retiro foi “o Segundo Chamado”, que não se trata tanto de um novo chamado que se sobrepõe ao primeiro, mas um retomar do único chamado recebido do Senhor numa perspectiva nova, como uma volta ao primeiro amor. O senhor acredita que em todas as vocações essa retomada necessária? E como fazer isso?

Dom Luiz:  De fato esse voltar ao primeiro amor, ao primeiro chamado, é imperativo. Hoje a gente têm muitas vozes, muitas propostas, e facilmente, ao assumir muitos compromissos, a gente esquece de voltar ao primeiro amor. Essa é uma exigência que está na Palavra de Deus: não tanto fazer muitas coisas, mas fazer por amor a Cristo. Então, é lógico, um casal sempre deve voltar… qualquer profissão também. Na vida matrimonial, lembrar daquele juramento de fidelidade que foi feito diante do altar. Sempre é bom retomar. Até quando Jesus falou da indissolubilidade do matrimônio ele voltou ao Gênesis. Então, se a gente não volta ao início, a gente se perde. E como fazer isso? A importância da memória: retomar a motivação inicial. Como diz o papa: olhar para o passado com gratidão, ver o presente com paixão e olhar para o futuro com esperança.

Padre Marcos: O senhor afirmou que quem não exerce a paternidade morre. Portanto, os padres devem exercer a paternidade, não de modo biológico, visto que são celibatários, mas de modo espiritual, como pais de nossas comunidades. De que maneira as comunidades podem ajudam os seus padres a exercer bem essa sua missão de paternidade espiritual e pastoral?

Dom Luiz: O nosso povo é um povo paterno e materno. Se nós, bispos, padres e diáconos devemos exercer essa paternidade espiritual, por outro lado, a gente sabe que o nosso povo já faz isso com a gente. São tantos gestos de carinho, de acolhida, de afeto, de amizade. Portanto, o povo ajuda a gente sendo o que o povo é: próximo. Se o padre tem que ser pastor, próximo do povo, por sua vez, ele precisa dessa família espiritual, que é a comunidade, uma família fecunda que vai tornar o ministério do padre também fecundo. Portanto, o padre tem a paternidade espiritual, mas a comunidade tem uma paternidade espiritual para com o padre. Assume o padre: é o nosso padre!  Não de maneira possessiva, pois uma hora ou outra o padre pode ser transferido.  A transferência acontece, porém, a amizade permanece!

Padre Marcos:  Depois desses dias de convívio com o clero da diocese de Duque de Caxias, que mensagem o senhor gostaria de deixar para os demais membros da nossa Igreja Particular?

Dom Luiz: Eu quero agradecer essa oportunidade. Eu percebo que todos os padres assumiram esse retiro como momento de graça. Quero dizer para o povo da diocese de Duque de Caxias que os padres de vocês fizeram um bom retiro. Eu aprendi muito com eles também: sobretudo a simplicidade. Estávamos em casa. Então, querido povo: vocês estão bem servidos. Vejo que vocês têm padres bons, comprometidos; padres que são fecundos, paternos. Aproveitem da vida e do ministério desses padres para que vocês possam crescer também em santidade. Por sua vez, ajudem-nos também a crescer em santidade. Estamos todos nesse processo!

 


Colaboração: Padre Marcos Bejarano

Fotos: Padre Daniel Felix

 

 

BISPOS DO REGIONAL PARTICIPAM DE APRESENTAÇÃO DO MONSENHOR MARCO FRISINA

março 21, 2019 / no comments

BISPOS DO REGIONAL PARTICIPAM DE APRESENTAÇÃO DO MONSENHOR MARCO FRISINA

Após passarem o dia reunidos, os bispos do Regional Leste 1 – CNBB, participaram na noite da última quarta-feira, 20 de março, na Sala Cecília Meireles no Largo da Lapa do concerto no Coração da Comunidade. O evento promovido pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro teve a presença da Orquestra da Ação Social para a Música do Brasil, regida pelo maestro Giuseppe Laucas e do Coral da Associação de Canto Coral que tem a regência do maestro Jésus Figueiredo que se apresentaram junto com o Monsenhor Marco Frisina, maestro do coro da Diocese de Roma.

Monsenhor Frisina

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, o maestro italiano é nascido e ordenado em Roma onde exerce seu ministério presbiteral. Entre as suas diversas funções é consultor do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e Reitor da Basílica de Santa Cecília no Trastevere. Autor de numerosos cantos litúrgicos, Monsenhor Frisina fundou e dirige desde 1984 o Coro da Diocese de Roma, com o qual anima as mais importantes liturgias diocesanas, algumas das quais presididas pelo Papa.

Ação Social pela Música no Brasil (ASBM)

Fundada em 1994, a ASBM hoje é dirigida pela violinista e produtora cultural, Fiorella Solares, viúva do Maestro David Machado, que implantou o projeto no Brasil. São 12 núcleos, dentre eles quatro na cidade do Rio de Janeiro. Com o objetivo de fomentar a cultura da música clássica dando a população amplo acesso, há 23 anos a ASBM promove a fomação de orquestras jovens, como a Orquestra Jovem do Brasil, a Orquestra Mercosul e a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro.

Coro da Associação de Canto Coral

Criado em dezembro de 1941, tendo como patron musical o compositor Heitor Villa-Lobos e como diretora artística a maestrina Cleofe Person de Mattos, a associação tem o objetivo de divulgar o patrimônio musical brasileiro e já realizou mais de 750 concertos no Brasil e no exterior.

No coração da comunidade

Sala Cecília Meirelles ficou repleta para acompanhar o inédito concerto. Com apenas três ensaios entre a orquestra, o coro e Monsenhor Frisina levaram os presentes a experimentar o melhor da musica clássica brasileira e sacra. Entre as canções apresentadas estavam o Prelúdio das Bachianas nº 4 de Heitor Villa-Lobos e as composições de maestro italiano, como o canto atribuído a Santo Inácio de Loyola, Anima Christi, além do doce e irônico Preferisco il Paradiso de São Filipe Néri.

Feliz com o realização e receptividade Mosenhor Frisina já deixou agendada sua volta ao Brasil em 2020 quando ficará por 10 dias e prometeu trazer presentes à Cidade Maravilhosa. Três canções em homenagem a três joias cariocas: ao Cristo Redentor, a São Sebastião e à Associação Social pela Música do Brasil.

 

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Imagens: Carlos Moioli – Jornal O Testemunho de Fé (ArqRio)

 

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