Formação reúne comunicadores católicos para partilha e fortalecimento da missão evangelizadora

novembro 7, 2025 / no comments

Formação reúne comunicadores católicos para partilha e fortalecimento da missão evangelizadora

Entre os dias 28 e 31 de outubro, a Arquidiocese do Rio de Janeiro realizou o 12º Seminário de Comunicação Social, com o tema “Lançai as Redes (Lc 5,4): a construção da voz e da presença nas estratégias da assessoria de comunicação e gestão de redes sociais”. O encontro reuniu comunicadores de diversas dioceses, congregações, institutos e movimentos do país, consolidando-se como um dos principais espaços de formação e partilha para os profissionais da comunicação eclesial no Brasil.

A iniciativa foi coordenada pelo padre Arnaldo Rodrigues, assessor de comunicação da CNBB, e contou com a presença do assessor de comunicação do Regional Leste 1, Adielson Agrelos, entre os participantes. Durante quatro dias, os comunicadores mergulharam em reflexões, palestras e experiências que uniram fé, técnica e propósito, reafirmando a comunicação como missão e serviço na Igreja.

Abertura e o convite à esperança

A abertura do seminário foi conduzida pelo padre Arnaldo Rodrigues, que destacou a importância do diálogo e da esperança como pilares da comunicação cristã. Em seguida, o Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, reforçou a mensagem ao recordar o legado de Dom Eugênio Sales, que costumava reunir representantes de diferentes setores da sociedade para dialogar sobre os rumos da cidade, lembrando que comunicar é abrir espaços de encontro e promover a paz.

Formação, tecnologia e espiritualidade

Entre reflexões teóricas e experiências práticas, o seminário apresentou uma série de conferências que articularam fé, comunicação e tecnologia, destacando a importância da formação contínua dos agentes pastorais diante dos desafios do mundo digital. Os temas abordaram desde o uso ético das ferramentas de comunicação até a integração entre espiritualidade, linguagem e inovação.

O primeiro dia contou com a conferência de Marcelo Braggion, que tratou do tema “Como transformar sua comunicação pastoral em evangelização persuasiva”. O especialista em copywriting lembrou que “a técnica sem direção espiritual é manipulação” e ressaltou que toda comunicação pastoral deve colocar a Palavra de Deus no centro de sua mensagem.

Henri Marques, do UOL, apresentou o tema “Gestão de Redes Sociais: compreender o ambiente para qualificar a comunicação”, abordando o uso inteligente das plataformas digitais e o papel das redes como espaço de evangelização.

Representantes da The Chosen Brasil, Moisés Siqueira e Mateus Horácio, partilharam a experiência da série e o impacto de sua estratégia digital, mostrando como a linguagem audiovisual pode ser ponte entre fé e cultura.

Outro destaque foi a conferência de Anderson Paiva, da Adora Comunicação, sobre “IA a serviço da comunicação católica”. Com exemplos práticos, ele apresentou formas de integrar a inteligência artificial às estratégias de evangelização, lembrando que a tecnologia nunca substitui o humano, mas pode potencializar a missão da Igreja.

Aspectos relacionados à proteção digital também estiveram em pauta. David Almansa, da Rede de Educação Midiática da Presidência da República, e Maurício Ciaravolo, da MultiRio, discutiram a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, a educação midiática e os desafios legais e práticos para criar ambientes digitais mais seguros.

A Igreja e a missão de comunicar

Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, conduziu a conferência “A Comunicação na Igreja no Brasil”. Em sua fala, destacou que comunicar é criar pontes e estar a serviço da comunhão, que o comunicador cristão é chamado a ser presença de esperança e escuta em um mundo de ruídos.

Uma das conferências reuniu Beth Garcia e Bianca Torres, da Agência Approach, que refletiram sobre o papel da assessoria de imprensa na comunicação eclesial, destacando a importância da escuta ativa, da credibilidade e do propósito na construção de narrativas verdadeiras.

Já a jornalista Heloísa Fischer apresentou a conferência sobre linguagem simples e o chamado ao cuidado. Ela defendeu a clareza como forma de empatia e responsabilidade, apontando que a simplicidade no discurso é essencial para democratizar a informação, respeitar a atenção limitada do público e aproximar as pessoas dos conteúdos que a Igreja deseja partilhar.

Diálogo com a Sociedade

Um dos momentos mais marcantes do seminário foi o “Diálogo com a Sociedade”, realizado no Instituto Pró-Saber Humaitá, no Rio de Janeiro. O encontro promoveu uma troca de experiências entre fé, ciência, cultura e comunicação.
A primeira mesa, “Como aproximar a sociedade dos grandes temas da atualidade”, contou com Dom Orani João Tempesta, Dr. Paolo Ruffini (Prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé), Dra. Margareth Dalcolmo (Fiocruz), Gerson Camarotti (GloboNews) e Pedro Nabuco (documentarista).

A segunda mesa, “Meio ambiente, cultura e história: vozes humanas em tempos de transformação”, reuniu Cláudia Sabino, Heloísa Fischer, João Carlos Nara e José Bial, debatendo o papel da linguagem e da memória na construção de um futuro mais humano e sustentável.

Encerramento e mensagem de esperança

Em outro momento de destaque, o padre Arnaldo Rodrigues apresentou um balanço da comunicação da CNBB e abordou os desafios da gestão da informação em tempos de mudanças, além de refletir sobre o recente falecimento do Papa Francisco e a eleição do Papa Leão XIV.

Encerrando o evento, o Dr. Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, partilhou sua trajetória e reforçou que comunicar é um ato de comunhão, destacando que a comunicação é o lugar onde a fé e a humanidade se encontram. O comunicador é chamado a servir à verdade, à escuta e à esperança.

Durante o encerramento, o Prêmio São Paulo VI de Comunicação foi concedido ao Cardeal Orani Tempesta e à jornalista Camila Morais, da TV Aparecida, em reconhecimento à dedicação à comunicação católica no Brasil.

Fotos: Gustavo de Oliveira – ArqRio e Seminário de Comunicação

Papa Leão XIV: Apoiar, acolher e acompanhar aqueles que lutam contra pensamentos suicidas

novembro 7, 2025 / no comments

Papa Leão XIV: Apoiar, acolher e acompanhar aqueles que lutam contra pensamentos suicidas

 

O Vídeo do Papa de novembro, dedicado à intenção de oração de Leão XIV: “Rezemos para que as pessoas que se debatem com pensamentos suicidas encontrem nas suas comunidades o apoio, o cuidado e o amor de que necessitam e se abram à beleza da vida”. O vídeo é produzido e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, com o apoio da diocese americana de Phoenix (Arizona) e a colaboração da Vatican Media.

“Pedimos-Te este mês por todas as pessoas que vivem na escuridão e no desespero”, diz a oração lida pelo Santo Padre: “que possam sempre encontrar uma comunidade que as acolha, que as escute e as acompanhe”. À Igreja – dioceses, paróquias, congregações religiosas, associações de fiéis – pede-se que impeçam que o sofrimento das pessoas desesperadas, que têm a tentação de tirar a própria vida, seja tornado ainda mais intolerável pela solidão. Todos, também os crentes, “podem ser vulneráveis à tristeza sem esperança”: que o Senhor nos ensine, portanto, “a aproximar-nos com respeito e ternura”, com “um coração aberto e compassivo”, a “oferecer conforto e apoio”, a encorajar a procura da “ajuda profissional necessária”.

Um problema global

O suicídio é um tema relevante na sociedade contemporânea: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, todos os anos, no mundo, cerca de 720 mil pessoas tiram a própria vida, ou seja, pouco menos de 2 mil por dia. Mais da metade dos suicídios globais (56%) ocorre antes dos 50 anos, sendo particularmente afetada a faixa etária dos 15 aos 29 anos: para esta faixa etária, o suicídio é a terceira causa de morte, e entre as raparigas e jovens adultas é mesmo a segunda. 73% das pessoas que se suicidam vivem em países de baixo e médio rendimento, mas as nações mais ricas não estão isentas do risco: nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa atual de suicídio é um terço maior do que a de 2000.

Igreja, suicídio e saúde mental

O Catecismo da Igreja Católica (nn. 2280-2283) recorda que o suicídio contradiz o amor a si mesmo, aos outros e a Deus; no entanto, graves perturbações psíquicas, a angústia ou o medo severo da provação, do sofrimento ou da tortura podem atenuar a responsabilidade pessoal. Ao mesmo tempo, convida a não desesperar da salvação eterna daqueles que tiraram a própria vida, confiando-os à misericórdia de Deus e à oração da comunidade.

A prática eclesial atual é, em geral, muito respeitosa para com as pessoas que morreram por suicídio, também porque, nos últimos anos, a Igreja tem aumentado progressivamente a atenção à saúde mental, na oração e na pastoral. Confirma-o o congresso internacional que terá início amanhã, em Roma, organizado pela associação dos Ministros Católicos para a Saúde Mental (CMHM), com o patrocínio da Pontifícia Academia para a Vida. Por ocasião desta intenção de oração de Leão XIV, pessoas de todo o mundo, envolvidas na pastoral da saúde mental, reuniram-se durante três dias (5, 6 e 7 de novembro) na Sala Pio X (via dell’Ospedale, 1) para discutir como a comunidade cristã pode acompanhar as pessoas que enfrentam problemas de saúde mental, depressão, dor profunda, e prevenir, através da escuta e da proximidade, o risco de suicídio. A Rede Mundial de Oração do Papa organizará os momentos de oração comum e também será exibido O Vídeo do Papa de novembro, que acompanha a oração lida por Leão XIV.

Phoenix:  um compromisso diocesano para acompanhar e prevenir

As imagens do vídeo deste mês foram filmadas na diocese de Phoenix, no Arizona, que colocou o tema da saúde mental entre as suas prioridades pastorais. Possui um gabinete próprio para o ministério da saúde mental, oferece espaços de escuta, organiza cursos de formação na comunidade, estabeleceu parcerias com organizações locais e estruturas de saúde, celebra anualmente uma missa em memória das pessoas que faleceram por suicídio, fornece orientações sobre como ajudar alguém que está a pensar em tirar a própria vida e promove campanhas para reduzir o estigma em torno das doenças mentais.

“A intenção de oração do Santo Padre para este mês, pelas pessoas que se debatem com pensamentos suicidas e em particular para que encontrem nas suas comunidades o apoio e o amor de que necessitam, está muito presente no meu coração”, comenta o bispo de Phoenix, Mons. John Dolan. “Vivi em primeira pessoa o doloroso caminho do luto por suicídio. Perdi o meu irmão Tom, as minhas irmãs Terese e Mary e o meu cunhado Joe, todos mortos por suicídio. Há feridas e mistérios que não podemos compreender. E, no entanto, temos esperança! Confiamos num Pai amoroso que tem junto a si os nossos entes queridos e contamos uns para os outros, caminhando juntos como companheiros de viagem. Se te sentes destroçado, se lutas contra pensamentos suicidas, ficas a saber que és profundamente amado e que a Igreja está aqui para ti. Não estás sozinho”.

Escuta e oração

“O tema da prevenção do suicídio – declara o padre Cristóbal Fones, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa – interpela profundamente a Igreja. Não é a primeira vez que uma intenção de oração destaca a fragilidade da saúde mental: em novembro de 2021, o Papa Francisco pediu-nos para rezar pelas pessoas que sofrem de depressão e, em abril de 2020, por aqueles que são escravos de dependências, lembrando-nos que a comunidade cristã é chamada a cuidar também das feridas interiores. O Papa Leão XIV confirma e relança este caminho: já indicou para outubro de 2026 uma intenção específica sobre a pastoral da saúde mental, sinal da sua atenção a um tema crucial para a sociedade atual.

Na oração de novembro, o Papa sublinha que todos nós somos “vulneráveis”: isto diz respeito a todos, inclusive aos religiosos e consagrados. O nosso coração humano, tal como o Coração de Jesus, não está isento de feridas e sofrimentos. Ninguém está imune à escuridão do desespero; por isso, as comunidades cristãs devem tornar-se lugares de acolhimento e de cuidado, onde quem sofre se sinta em casa.

A Igreja não substitui os profissionais de saúde – psicólogos, médicos, terapeutas –, mas pode desempenhar um papel decisivo, oferecendo proximidade, escuta e esperança. É nas paróquias e nas comunidades diocesanas que aprendemos estilos de vida que criam prevenção: ir ao encontro de quem sofre, consolar quem está triste, cuidar juntos, partilhar a esperança que nos anima. Também por este motivo, a Rede Mundial de Oração do Papa tem um carinho especial pela saúde mental: todos os meses, na app Click To Pray, dedicamos um dia especial de oração a esta intenção, para apoiar aqueles que atravessam momentos de fragilidade”.

Por fim, é importante lembrar que, no contexto do Ano Santo 2025, O Vídeo do Papa adquire uma relevância particular, pois dá-nos a conhecer as intenções de oração que o Santo Padre tem no seu coração. Para obter a graça da indulgência jubilar, é necessário rezar por estas intenções.

 

 

Rezemos para que as pessoas que se debatem com pensamentos suicidas encontrem na sua comunidade o apoio, o cuidado e o amor de que necessitam e se abram à beleza da vida.

Papa Leão XIV

Senhor Jesus,
Tu que convidas os cansados e oprimidos
a virem a Ti e a descansarem no Teu Coração,
pedimos-Te neste mês por todas as pessoas
que vivem na escuridão e no desespero,
especialmente por aqueles que lutam
contra pensamentos suicidas.

Que sempre encontrem uma comunidade
que os acolha, escute e acompanhe.
Concede-nos um coração atento e compassivo,
capaz de oferecer conforto e apoio,
bem como a ajuda profissional necessária.

Que saibamos estar próximos, com respeito e ternura,
ajudando a curar feridas, criar laços e abrir horizontes.
Que, juntos, possamos redescobrir que a vida é um dom,
que ainda há beleza e sentido,
mesmo no meio da dor e do sofrimento.
Sabemos que aqueles que Te seguem
também são vulneráveis à tristeza sem esperança.

Pedimos-Te que sempre nos faças sentir o Teu amor
para que, através da Tua proximidade conosco,
possamos reconhecer e proclamar a todos o amor infinito do Pai
que nos conduz pela mão para renovar a nossa confiança na vida que nos dás.

Amém.