Juventudes do Brasil se reúnem na 10ª Ampliada Nacional da PJ

janeiro 13, 2026 / no comments

Juventudes do Brasil se reúnem na 10ª Ampliada Nacional da PJ

Com a participação de representantes jovens do Regional Leste 1 – CNBB, a 10ª Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude (ANPJ) foi realizada entre os dias 6 e 10 de janeiro, na Diocese de Miracema do Tocantins, no Regional Norte 3 da CNBB. O encontro reuniu representantes de diversas regiões do país para avaliar e projetar a caminhada da Pastoral da Juventude (PJ) no Brasil, a partir do atual Plano Pastoral, que orienta a ação evangelizadora da pastoral em um ciclo de seis anos.

Jovens de algumas dioceses do Regional estiveram presentes em Miracema sob a liderança de Renan Gentil,  coordenador nacional da PJ pelo Regional Leste 1 da CNBB e membro da Diocese de Nova Iguaçu. A presença dos jovens reafirma o compromisso com a articulação nacional da Pastoral da Juventude e com a missão evangelizadora junto às juventudes no Estado do Rio de Janeiro.

Organizada pela Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude, em comunhão com a coordenação do Regional Norte 3, a Ampliada reuniu representantes regionais articulados, membros das coordenações, assessoria juvenil e convidados de instituições parceiras. Ao longo dos cinco dias, os participantes refletiram sobre os rumos da ação missionária da PJ, revisando formas de presença, organização e atuação, e reafirmando o compromisso profético com as juventudes brasileiras e a construção da Civilização do Amor, inspirada no Evangelho de Jesus Cristo.

Com o tema “Ser PJ hoje: nosso ser e fazer” e o lema “Na beira do rio, o verbo se fez ação”, inspirado em Dom Pedro Casaldáliga, a programação foi conduzida a partir do método pastoral “ver, julgar, agir, avaliar e celebrar”. As reflexões partiram da realidade dos grupos de base e das diversas expressões da Pastoral pelo país, resultando na elaboração coletiva de propostas de ações e atividades, além da escolha do jovem que assumirá o serviço da Secretaria Nacional da PJ no triênio 2026–2028.

A iluminação bíblica do encontro teve como referência o versículo de Romanos 5,5  “A esperança não decepciona” , em sintonia com o Ano da Esperança e com o convite da Igreja para que os cristãos sejam peregrinos da esperança.

A relevância da articulação nacional da Pastoral da Juventude foi destacada por dom Antônio Fontinele de Melo, membro da Comissão Episcopal para as Juventudes da CNBB. Segundo ele, a Ampliada contribui para fortalecer a missão da PJ na construção de uma Igreja mais próxima do povo e comprometida com a justiça e a solidariedade.

Realizada às margens do Rio Tocantins, no coração do Brasil, a escolha do local conferiu um significado simbólico ao encontro. A Diocese de Miracema do Tocantins acolheu as atividades, evidenciando a pluralidade das juventudes e a presença da Pastoral da Juventude no Norte do país. Esta foi a segunda vez que o estado do Tocantins sediou uma Ampliada Nacional da PJ, a primeira ocorreu em janeiro de 2008, na então Arquidiocese de Palmas.

O bispo diocesano de Miracema do Tocantins, dom Philip Dickmans, manifestou alegria ao receber os participantes e destacou a vitalidade que a convivência com os jovens traz à vida da Igreja. Em sua mensagem final, ressaltou a dimensão missionária do encontro, em sintonia com os apelos do Papa Francisco e com o chamado permanente à esperança.

Durante a Ampliada, foi apresentado o jovem Arlefe Ribeiro, do Regional Norte 2, que assumirá o serviço missionário da Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude no triênio 2026–2028. Natural da Diocese de Macapá (AP), Arlefe traz uma trajetória de atuação nos grupos de base, na coordenação paroquial e na articulação regional da PJ.

Novo Consistório em junho, Leão XIV: faremos um por ano

janeiro 13, 2026 / no comments

Novo Consistório em junho, Leão XIV: faremos um por ano

 

O próximo Consistório já está marcado: em junho, às vésperas da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, também com duração de dois dias. Foi o próprio Pontífice quem anunciou essa segunda reunião, no discurso conclusivo da terceira e última sessão desta tarde, que reuniu 170 cardeais, eleitores e não eleitores. O Papa — explicando que a reunião destes dois dias se coloca “em continuidade” com o que foi pedido às congregações gerais antes do Conclave — manifestou a vontade de continuar os Consistórios com periodicidade anual e duração de 3 a 4 dias. O Santo Padre já havia antecipado, no seu primeiro discurso, que este Consistório é uma “prefiguração do nosso caminho futuro”. Ele também confirmou a Assembleia Eclesial de outubro de 2028, anunciada em março passado.

Gratidão e proximidade

Além dos anúncios, Leão XIV quis agradecer aos presentes pela participação e pelo apoio. Um agradecimento especial aos cardeais mais idosos pelo esforço de comparecer: “O testemunho de vocês é precioso”, e uma manifestação de proximidade aos purpurados ao redor do mundo que não puderam estar em Roma nestes dias: “Estamos com vocês e somos próximos de vocês”.

Uma “sinodalidade não técnica”, aquela que o Papa diz ter experimentado entre ontem e hoje: uma profunda sintonia e comunhão, com uma metodologia escolhida para favorecer um melhor conhecimento mútuo, diante da diversidade de formações e experiências de cada um. Daí, a referência ao Concílio Vaticano II, base do caminho e da renovação da Igreja, e também o esclarecimento de que os outros dois temas propostos e não votados ontem pela assembleia — a liturgia e a Praedicate evangelium — estão fortemente conectados ao Concílio e não devem ser esquecidos. Por fim, não faltou, da parte do Pontífice e também de todos os membros do Colégio Cardinalício, um olhar para a situação geral do mundo, que torna “ainda mais urgente” uma resposta por parte da Igreja que se faz próxima das Igrejas locais que sofrem com guerras e violências.

O olhar voltado para a Venezuela

Nessa mesma linha, embora os temas do Consistório fossem outros — sinodalidade e missão à luz da Evangelii Gaudium, votados ontem pela maioria dos cardeais —, não faltou um pensamento, em especial por parte dos cardeais latino-americanos, sobre a situação da Venezuela. Porta-voz dessa preocupação foi o cardeal Luis José Rueda Aparicio, arcebispo de Bogotá, na Colômbia, na mesa dos relatores durante uma coletiva de imprensa noturna com os cardeais Stephen Brislin, arcebispo de Joanesburgo, na África do Sul, e Pablo David, bispo de Kalookan, nas Filipinas.

O arcebispo colombiano recordou as palavras do Papa no Angelus de 4 de janeiro, no dia seguinte ao ataque dos Estados Unidos, nas quais Leão XIV “expressou sua profunda preocupação com o que está acontecendo na Venezuela e se comprometeu a incentivar o diálogo e a busca do consenso, invocando a paz, para construir uma paz que seja ao mesmo tempo desarmada e desarmante, que busque unir os povos no respeito aos direitos humanos e à soberania”. “Aquela mensagem de domingo deu o tom às minhas reflexões destes dias”, afirmou Rueda. Não era o tema oficial do Consistório, mas era “inevitável” que os membros do Colégio Cardinalício “estejam preocupados com o que está acontecendo”, estejam “se fazendo perguntas” sobre a direção que está sendo tomada, sobre como a geopolítica da América Latina está mudando e como a Igreja pode acompanhar a população. A Venezuela é um tema que “trazemos no coração, nos entristece a todos e desejamos os melhores desdobramentos possíveis no futuro próximo”, afirmou Rueda.

Companheiros de caminho

Cardeais brasileiros participaram do Consistório.

Os três cardeais relatores apresentaram então os temas e o clima geral que emergiram durante os trabalhos iniciados pela manhã e continuados à tarde, marcados também por momentos de canto e oração, com uma pausa para o almoço no átrio da Aula Paulo VI (com a presença do Papa, que presenteou cada um com a medalha do seu pontificado). A sinodalidade, a necessidade de vivê-la como “companheiros de caminho”, de que ela se reflita no exercício da autoridade, na formação e no trabalho dos núncios, de que seja vivida na Cúria com “uma maior internacionalização”, e depois a releitura da exortação do Papa Francisco Evangelii gaudium, texto que não “caducou” com o pontificado anterior, mas que ainda interpela dioceses, a Cúria Romana e o próprio Papa, foram o objeto das reflexões dos grupos linguísticos. Foram vinte grupos: onze incluindo cardeais não eleitores, nove com cardeais eleitores, ordinários de dioceses e núncios ainda em serviço, explicou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.

“O Papa fazia anotações, estava muito atento”

Por sua vez, Brislin definiu a experiência como “muito enriquecedora”, graças às diferentes perspectivas que permitiram aprofundar as necessidades do mundo. Foi, portanto, uma oportunidade para conhecer e se conhecer. “O fato de haver um novo encontro em junho é um sinal de que o Santo Padre levou muito a sério o fato de que podemos ajudá-lo em seu papel de Sucessor de Pedro”, disse. “Oito meses após o Conclave, o Papa quis nos convocar para nos ouvir”, afirmou Rueda. Isso “nos fortalece na missão da Igreja”.O cardeal David elogiou o formato usado para os trabalhos, graças à qual “todos puderam falar”, e apreciou o fato de que o Papa “ouviu mais do que falou”: “Ele fazia anotações, estava muito atento, e as contribuições que deu foram muito enriquecedoras para todos nós”.

A importância de se conhecer

Um jornalista perguntou quais seriam os verdadeiros elementos de novidade surgidos neste Consistório, já que muitos dos temas elencados já haviam sido amplamente aprofundados durante a dupla sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade. Em resposta, Brislin explicou que a novidade não deve ser buscada “apenas nas discussões”, mas na própria “oportunidade de nos conhecermos e de nos ouvirmos”. “Isso é importante porque viemos de diferentes partes do mundo; alguns são novos cardeais, outros já o são há muito tempo”. O Papa, acrescentou o arcebispo de Joanesburgo, “quer ser colegial, quer ouvir, quer recorrer à experiência e ao conhecimento dos cardeais que vêm das diversas partes do mundo, porque isso pode ajudá-lo a guiar a Igreja”. Os perfis são “diversos”, mas trabalhou-se “em uma harmonia que não é uniformidade”, concluiu o cardeal Rueda.

Leigos e mulheres

Ainda sobre os temas, os jornalistas também perguntaram se a questão da participação dos leigos e o papel das mulheres na Igreja de alguma forma entraram nas discussões. A esse respeito, o cardeal David disse: “Como não reconhecer o papel das mulheres e seus ministérios na Igreja?”. “Certamente” a questão feminina é “uma preocupação constante”, afirmou o purpurado filipino, recordando os resultados — publicados recentemente — da Comissão para o estudo do diaconato feminino. David também mencionou o “clericalismo” e retomou a ideia do “sacerdócio” do povo, inspirada no Vaticano II. “Falamos do corpo da Igreja: temos a cabeça da Igreja, mas não apenas a cabeça, há também um corpo. As pessoas têm o poder de participar da vida e da missão da Igreja”.

Fonte: Vatican News
Foto: Vatican Media