Papa Francisco: “Quem acolhe a um migrante, acolhe a Cristo”

junho 7, 2024 / no comments

Papa Francisco: “Quem acolhe a um migrante, acolhe a Cristo”

Pelos que fogem de seu país” é a intenção de oração do Papa Francisco no O Vídeo do Papa de junho que divulga a Rede Mundial de Oração do Papa

Muros na terra, muros no coração

O vídeo – realizado com a colaboração de Tele VID e com o apoio do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral – é uma história a partir das fronteiras de várias partes do mundo. Aparecem rostos sufridos, pés que caminham, bolsas cheias com o pouco que se conseguiu levar de casa. Mas também pode-se ver gestos de solidaridade, abraços, projetos de acolhida: o Papa recorda aos cristãos que “quem acolhe a um migrante, acolhe a Cristo”.

Na sociedade atual, inclusive nas nações que se dizem cristãs, este parece ser um princípio esquecido: de fato hoje, denuncia o Papa Francisco, “em alguns países onde chegam, os migrantes são vistos com alarme, com medo”, e isto leva ao “fantasma dos muros: muros na terra, que separam as famílias e muros no coração”. Mas “os cristãos”, adverte o Papa, “não podemos compactuar com esta mentalidade”.

Fuga e desenraizamento

Nos últimos anos, o número de desalojados superou ao da Segunda Guerra Mundial. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCF), durante o ano de 2023 mais de 110 milhões de pessoas foram deslocadas à força em todo o mundo. Neste contexto, o Papa Francisco lembra que aos migrantes se devem acompanhar, promover e integrar.

“Ao drama que vivem as pessoas forçadas a abandonar sua terra, fugindo de guerras ou da pobreza, se une tantas vezes o sentimento de desenraizamento, de não saber aonde se pertence”, lamenta o Papa no início do vídeo – que é lançado no mês em que a ONU comemora o Dia Internacional do Refugiado (20 de junho). E por isso mesmo pede que se “promova uma cultura social e política que proteja os direitos e a dignidade do migrante. Uma cultura que os promova em suas possibilidades de desenvolvimento”.

Uma nação universal

O tema dos migrantes e refugiados tem preocupado o Papa Francisco desde o início de seu pontificado. Já na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013) disse: “Os migrantes me colocam um desafio particular por ser Pastor de uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos. Por isso, exorto a todos os países a uma abertura generosa que, em lugar de temer a perda da identidade local, seja capaz de criar novas formas de síntese cultural”. 

Anos mais tarde, na Encíclica Fratelli Tutti (2020) convidava a ter “um coração aberto ao mundo intero” e respeitar “o direito de todo ser humano a encontrar um lugar aonde possa […] realizar-se integralmente como pessoa”. Assim como também, reforçou a necessidade de desenvolver uma “cultura do encontro” na qual haja pontos de contato, se construam pontes e se projete incluindo a todos. Nesse sentido, o vídeo renova o pedido do Papa para não ser indiferentes diante da crise migratória.

Deus caminha com seu povo

Em consonância com a intenção deste vídeo, desde 1914, a cada ano a Igreja convida a rezar pelos migrantes no marco da Jornada Mundial do Migrante e Refugiado. “Deus caminha com seu Povo” é o lema escolhido para a edição de 2024 que se realizará no próximo dia 29 de setembro. 

O prefeito do Dicastério para o Servição do Desenvolvimento Humano Integral que organiza e divulga jornada, Cardeal Michael Czerny, reflete: “O Papa Francisco nos lembra que ‘Deus caminha com seu povo’. A Sagrada Família teve que refugiar-se em terra estrangeira porque a vida do Menino Jesus estava em perigo. Todos estamos convidados a acolher, proteger, promover e integrar as pessoas que abandonam sua pátria para salvar suas vidas ou em busca de um futuro digno. Ao proteger os direitos dos migrantes, se promove o desenvolvimento humano integral de todos e as comunidades que acolhem se enriquecem de tantas maneiras”.

Nações com responsabilidades fraterna

O Padre Frédéric Fornos, S.J., Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, refletindo sobre o drama dos migrantes, afirma: “Os migrantes que fogem da guerra e da fome, tantas vezes sobreviventes desesperados e aflitos de viagens perigosas, são objeto de batalhas políticas. É importante recordar que não são apenas números nem estatísticas, são pessoas. Nossas histórias pessoais e coletivas estão marcadas pela migração. Ao invés de tratar os migrantes como um peso ou um problema, devemos encontrar soluções baseadas na compaixão e no respeito à dignidade humana. Este olhar nasce do Evangelho e da oração e o Magistério da Igreja nos recorda sempre”.

O Padre Fornos lembra a reflexão do Papa Francisco na Fratelli Tutti: “A verdadeira qualidade dos distintos países do mundo se mede por esta capacidade de pensar não somente como país, mas como família humana, e isto é provado especialmente em épocas críticas. […] Somente uma cultura social e política que integre a acolhida gratuita poderá ter futuro”.

Assista o vídeo na íntegra:

Junho Verde: Campanha dedicada a proteção do Meio Ambiente

junho 6, 2024 / no comments

Junho Verde: Campanha dedicada a proteção do Meio Ambiente

 

No mês de junho a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convoca a todos a voltarem à atenção para a Campanha Junho Verde, um período dedicado à conscientização sobre a importância da preservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos.

A Campanha, de motivação da CNBB, foi estabelecida pela Lei 14.393/2022, que altera a Política Nacional de Educação Ambiental e institui a celebração do mês temático como parte das atividades educativas na relação com o meio ambiente. O texto foi sancionado no dia 4 de julho.

O Junho Verde acontece também no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. E durante todo o mês são trabalhadas atividades de incentivo à conscientização e à proteção do meio ambiente.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG)

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e ex-presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, um dos idealizadores da proposta da Campanha, concedeu entrevista ao portal da CNBB e avaliou como o Junho Verde tem incentivado a realização de ações práticas e educativas para o cuidado com a Casa Comum, na perspectiva da ecologia integral.

Confira a entrevista na íntegra:

Como o senhor avalia o Junho Verde após este tempo da Lei em vigor?
A Campanha Junho Verde é uma vitória da sociedade brasileira, alcançada com o dedicado trabalho de nossa Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Uma conquista a ser comemorada, mas que exige, permanentemente, avanços, pois a Campanha é permanente interpelação: todos – o poder público, escolas, igrejas, empreendedores, sociedade civil – são chamados a reconhecer a própria responsabilidade na necessária mudança de rumo para salvar o planeta. A humanidade precisa adotar novo estilo de vida, mais coerente com os princípios da ecologia integral, capaz de garantir o desenvolvimento econômico sustentável. Para isso, deve ser amadurecida a consciência sobre a interdependência entre todos os elementos que integram o planeta. De iniciativas simples às mais complexas, que envolvem grande parcela da população, o Junho Verde precisa inspirar uma reação educativa capaz de debelar insensibilidades diante da responsabilidade humana nos desastres climáticos e nas tragédias socioambientais.

O que ainda é necessário fazer para tirar a lei do papel?
A Lei vai se tornar cada vez mais eficaz quando os cidadãos exigirem de seus governantes mais compromisso com a salvaguarda dos bens naturais. Para isso, cada pessoa deve avançar na compreensão de que os recursos naturais devem ser adequadamente cuidados, bem geridos, nunca explorados predatoriamente. Não se deve esperar apenas das instâncias do poder ações capazes de incentivar o compromisso cidadão com o meio ambiente. Igrejas, escolas e outras instituições da sociedade civil têm papel relevante na formação educativa que inspire adequado exercício da cidadania diante das crises socioambientais. Quando a cidadania é qualificadamente exercida, o poder público é interpelado a agir de modo mais célere, oferecendo respostas essenciais às demandas mais urgentes da sociedade.

A partir dessa perspectiva, nossa arquidiocese de Belo Horizonte promove, constantemente, um conjunto de iniciativas para sensibilizar as pessoas sobre a importância do cuidado com o semelhante e o planeta. Desde 2020, organizamos Romarias pela Ecologia Integral, peregrinando a Brumadinho, cidade que, em 2019, ficou marcada pelo rompimento da barragem com rejeitos de mineração. As Romarias também são vividas em junho, no horizonte do Junho Verde, sempre em um lugar que inspira mais cuidados para a manutenção do equilíbrio socioambiental. Outra iniciativa em nossa Arquidiocese foi a instituição da Casa de Francisco, em uma área de rica biodiversidade. A Casa recebe alunos de escolas públicas para uma programação educativa que partilha saberes relacionados à defesa do meio ambiente.

Qual a relação desta lei com o magistério da Igreja/Papa Francisco?
A Campanha Junho Verde tem fundamento essencial no magistério do Papa Francisco, que magistralmente ensina, à luz da fé: a Criação de Deus deve coabitar o planeta em harmonia. Portanto, tudo que está em desarmonia com o equilíbrio da Criação está na contramão da vontade de Deus. A Carta Encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado com a casa comum e, posteriormente, a Exortação Apostólica Laudate Deum oferecem uma profunda compreensão a respeito da grave crise que a casa comum atravessa, possibilitando a cada um enxergar que não é possível existir humanidade saudável em um planeta adoecido. O Papa Francisco sempre ressalta que as crises ambiental e social, com tantas pessoas sofrendo, são indissociáveis, tornando mais adequado compreendê-las como um mesmo desafio socioambiental. Com simplicidade, nosso amado Pontífice revela, assim, a complexidade do momento que atravessamos, ensinando que o cuidado com o planeta é exigência cidadã e, ao mesmo tempo, compromisso de fé daqueles que creem no Deus-Criador.

Acesse os materiais da Campanha (aqui).

Fonte: CNBB