Papa Leão XIV autoriza a promulgação de novos descretos e reconhece virtudes heroicas de religiosa brasileira

janeiro 28, 2026 / no comments

Papa Leão XIV autoriza a promulgação de novos descretos e reconhece virtudes heroicas de religiosa brasileira

 

 

O Papa Leão XIV autorizou, nesta quinta-feira, 22 de janeiro, a promulgação de novos decretos do Dicastério para as Causas dos Santos, durante audiência concedida ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério. Os atos aprovados pelo Pontífice dizem respeito ao reconhecimento de um milagre, de um martírio e das virtudes heroicas de diversos Servos e Servas de Deus, etapas decisivas no caminho rumo à beatificação ou à declaração de venerabilidade. Entre os decretos promulgados está o reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus brasileira irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade, conhecida como “Mãezinha”, que passa a receber o título de Venerável.

Uma vida consagrada a Deus no coração do Brasil

Nascida em 12 de janeiro de 1909, em Maria da Fé (MG), Maria Giselda Villela viveu desde cedo uma profunda experiência de fé, marcada pelo desejo de total consagração a Deus. Ao professar os votos como religiosa, assumiu o nome de irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade e destacou-se por uma espiritualidade centrada no mistério trinitário e por uma vida de oração intensa, vivida com fidelidade silenciosa e perseverante. Sua vocação encontrou expressão plena na fundação do Carmelo da Sagrada Família, em Pouso Alegre, onde contribuiu decisivamente para o enraizamento da vida carmelitana na Igreja particular e para a difusão de um testemunho contemplativo profundamente unido à realidade e às necessidades do povo.

A Venerável Maria Imaculada da Santíssima Trindade faleceu em 20 de janeiro de 1988, em Pouso Alegre, deixando como herança espiritual uma comunidade marcada pela fidelidade ao carisma carmelitano, pela centralidade da oração e pela confiança filial na ação de Deus. O decreto promulgado reconhece que a Serva de Deus viveu de modo heroico as virtudes cristãs — fé, esperança e caridade — bem como as virtudes humanas, de forma constante e exemplar. Para a beatificação, será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após sua morte.

Novos beatos

Na mesma ocasião, o Santo Padre autorizou a promulgação do decreto que reconhece o milagre atribuído à intercessão da Venerável Serva de Deus Maria Ignazia Isacchi, nascida Angela Caterina, fundadora da Congregação das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus de Asola. Com o reconhecimento do milagre, a religiosa italiana, nascida em 1857 e falecida em 1934, poderá ser proclamada beata.

Também foi promulgado o decreto que reconhece o martírio do Servo de Deus Augusto Rafael Ramírez Monasterio, sacerdote da Ordem dos Frades Menores, nascido em 5 de novembro de 1937, na Cidade da Guatemala, e assassinado em 7 de novembro de 1983, por ódio à fé. O reconhecimento do martírio dispensa a necessidade de milagre para a beatificação.

Veneráveis italianos

Leão XIV também autorizou o reconhecimento das virtudes heroicas de Maria Tecla Antonia Relucenti, cofundadora da Congregação das Pias Operárias da Imaculada Conceição, nascida em Ascoli Piceno (Itália) em 1704 e falecida em 1769; de Crocifissa Militerni, nome religioso da italiana Teresa, religiosa da Congregação de São João Batista, nascida em 1874 e falecida em 1925; e de Nerino Cobianchi, fiel leigo, também italiano, esposo e pai de família, nascido em 1945 e falecido em 1998. Com esse reconhecimento, todos passam a receber o título de Veneráveis.

Fonte: Vatican News

2026 marca o bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil

janeiro 27, 2026 / no comments

2026 marca o bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil

 

 

Dentro das comemorações do bicentenário de relações do Brasil com a Santa Sé, foi realizado na terça-feira, 20 de janeiro, em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana, o seminário “Relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé”, organizado pela Embaixada do Brasil junto a Santa Sé.

O cardeal Jaime Spengler e o reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, padre Anderson Antônio Pedroso, S.J., participaram da mesa institucional de abertura do seminário.

O seminário convidou à reflexão sobre o percurso histórico do bicentenário das relações bilaterais entre o Brasil e a Santa Sé inaugurada em 23 de janeiro de 1826 quando o Papa Leão XII recebeu as credenciais diplomáticas do primeiro representante brasileiro junto ao Vaticano, o monsenhor Francisco Corrêa Vidigal.

O embaixador do Brasil junto à Santa Sé, o diplomata Everton Vieira Vargas, disse ser um privilégio iniciar, com o seminário, as celebrações do bicentenário das relações entre o Brasil e a Santa Sé. “Estas relações tiveram início com a aceitação pelo Papa Leão XII das cartas que credenciavam o  monsenhor Francisco Corrêa Vidigal como representante do império brasileiro para negociar o reconhecimento da independência do Brasil pela Santa Sé”, disse.

Segundo o embaixador, trata-se de um fato relevante para história do Brasil porque foi por meio do reconhecimento e adesão do Papa Leão XII que o Brasil teve sucesso em ganhar também o reconhecimento de outros países.

15 anos do acordo Brasil-Santa Sé

Em sua fala, dom Jaime afirmou que o desenho das fronteiras do Brasil como são hoje, seja no Sul ou na região amazônica, se deve muito ao papel dos missionários. “Se o Brasil tem hoje as fronteiras que tem muito se deve aos missionários”, afirmou.

O presidente da CNBB recordou ainda dos 400 anos das missões jesuíticas no Brasil, o que ele definiu como uma epopeia bonita e extraordinária, e dos 15 anos do Acordo Brasil-Santa Sé celebrado pela CNBB em 2025  com a realização do Seminário sobre a Laicidade do Estado e a Liberdade Religiosa, ocasião na qual se recordou a história e os frutos do acordo para a liberdade religiosa no Brasil.

Os membros da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  cardeal dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente; dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente; e dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral estão participando das programações do bicentenário.

Na foto de capa, repersentantes da CNBB encontram-se com o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, o diplomata Everton Vieira Vargas, e com o cardeal cardeal Lorenzo Baldisseri, que foi Núncio Apostólico no Brasil durante nove anos, de novembro de 2002 até janeiro de 2012 e teve um papel relevante na diplomacia pontifícia, incluindo intervenções relacionadas ao acordo entre o Brasil e a Santa Sé.

 

Fotos: Padre Vitor Simão dos Santos Freitas, da arquidiocese de Goiânia

 

Bicentenário das Relações Brasil-Santa Sé

O Vaticano incluiu o bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil, celebrado em 2026, entre as datas comemorativas oficiais que recebem destaque em sua programação institucional. Estabelecidas em 1826, poucos anos após a Independência do Brasil, essas relações figuram entre as mais antigas mantidas pelo Estado brasileiro com outras nações.

A programação comemorativa tem como momento central a missa solene do dia 23 de janeiro, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, mas se estende ao longo do ano com diversas atividades. Entre elas, estão previstos o lançamento de um selo postal comemorativo, produzido pelo Servizio Poste e Filatelia da Santa Sé, no Museu do Vaticano; a realização da Mostra do Bicentenário de Cinema Brasileiro, nos dias 23 e 24 de abril, no Cinema Troisi, com curadoria do cardeal José Tolentino de Mendonça; e um seminário sobre o Padre Antônio Vieira, marcado para o dia 7 de maio, na Biblioteca Nacional Central de Roma.

No Brasil, as celebrações incluem atividades durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em abril, uma Sessão Solene no Congresso Nacional, eventos institucionais na sede da Conferência, em Brasília, além de uma exposição comemorativa. As iniciativas buscam preservar a memória histórica, expressar gratidão mútua e renovar o compromisso comum entre o Brasil e a Santa Sé, destacando a contribuição da Igreja Católica na construção de uma sociedade mais fraterna, justa e solidária.

Confira abaixo o link com a íntegra do seminário:

Fonte: CNBB