Mensagem ao Povo de Deus em tempo de pandemia

novembro 26, 2020 / no comments

Mensagem ao Povo de Deus em tempo de pandemia

 

Feliz aquele que suporta a provação, porque, uma vez provado,
receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam. (Tg 1,12)

 

Amado Povo de Deus, nós bispos do Brasil, reunidos num encontro virtual para refletir sobre a atual presença e missão da Igreja, queremos expressar nossa mensagem de esperança e proximidade.

Neste ano irrompeu inesperadamente a pandemia da COVID19, alterando nossas rotinas, revelando outras enfermidades de nosso tempo e causando grande impacto num já fragilizado sistema de saúde, na seguridade social, nos sistemas produtivos, na educação, na vida familiar, social e religiosa em geral. O Papa Francisco alerta que “a tribulação, a incerteza, o medo e a consciência dos próprios limites, que a pandemia despertou, fazem ressoar o apelo a repensar os nossos estilos de vida, as nossas relações, a organização das nossas sociedades e, sobretudo, o sentido da nossa existência”. (Fratelli Tutti, 33)

Estamos num tempo de muitos questionamentos e cabe-nos escutar o que o Espírito tem a dizer para a Igreja (Ap 2,7) nesse contexto. A provação tem favorecido importantes aprendizados e oportunidades para a vivência e o anúncio do Evangelho. Reconhecemos, com gratidão, o empenho de tantas comunidades cristãs que foram criativas para manter a ação evangelizadora, especialmente pelas mídias sociais, promovendo a transmissão de celebrações litúrgicas, catequeses e aconselhamento aos fiéis. A Igreja doméstica foi fortalecida, em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que promovem a comunidade cristã como Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Missão. Percebe-se o protagonismo dos leigos e, especialmente, das mulheres na promoção da Igreja nas casas.

Igualmente somos impelidos pelo Evangelho a perseverar na caridade. Nas paróquias, comunidades eclesiais missionárias e instituições religiosas de todo país, multiplicaram-se as redes de solidariedade em defesa da vida. Por isso, foi coloca em prática a ação solidária É Tempo de Cuidar, voltada a atender demandas de primeira necessidade das pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social no contexto da pandemia. Unidos a outras entidades da sociedade civil, estamos buscando concretizar o Pacto pela Vida e pelo Brasil, conclamando toda a sociedade para que, nesse tempo de pandemia, ninguém seja deixado para trás.

Como nos tem provocado o Papa Francisco, precisamos escutar o clamor das famílias, trabalhar por uma economia “mais atenta aos princípios éticos” (Fratelli Tutti, 170), oferecer uma política melhor, sem desvios na garantia do bem comum, propor uma educação humanista e solidária, comprometidos na permanente construção da democracia. É urgente combater o racismo que se dissimula, mas não cessa de reaparecer. (Fratelli Tutti, 20) Queremos assegurar a vida desde a concepção até a morte natural, preservar o meio ambiente e trabalhar em defesa das populações vulneráveis, particularmente indígenas e quilombolas. Preocupa-nos o crescimento das várias formas de violência, entre elas, o feminicídio. “Cada ato de violência cometido contra um ser humano é uma ferida na carne da humanidade; cada morte violenta “diminui-nos” como pessoas”. (Fratelli Tutti, 227)

Como discípulos missionários, queremos crescer nesse tempo difícil, empenhados em remover as desigualdades e sanar a injustiça. A humanidade aguarda uma vacina que, distribuída com equidade, possa ajudar a garantir a vida e a saúde para todos.

Pedimos que Deus acolha junto a Si os que morreram neste tempo e dê consolação e paz às famílias enlutadas. Abençoamos especialmente os incansáveis profissionais da saúde, os professores, os cuidadores e todos que atuam em serviços essenciais. Nossa prece também pelos presbíteros, diáconos permanentes, consagrados e consagradas, leigos e leigas de nossas igrejas, para que se sintam encorajados.

O Advento é um tempo de renovar nossa esperança. Confiantes, afirmamos que a fé em Cristo nunca se limitou a olhar só para trás nem só para o alto, mas olhou sempre também para a frente (Spe Salvi, 41). Não desanimemos, não estamos sozinhos: o Senhor está conosco!

Acompanhe-nos a Santa Mãe de Deus, Senhora Aparecida, consolo dos aflitos, saúde dos enfermos e esperança nossa! Invocamos sobre todos a bênção da Santíssima Trindade, que sua misericórdia continue fortalecendo e animando o povo brasileiro.

 

Brasília-DF, 25 de novembro de 2020

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte-MG
Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo de Roraima-RR
2º Vice-Presidente

 

Dom Jaime Spengler

Arcebispo de Porto Alegre-RS
1º Vice-Presidente

 

Dom Joel Portella Amado

Bispo auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro- RJ
Secretário-Geral da CNBB

 

Confira a seguir em formato pdf, a íntegra da mensagem (aqui). 

Revista de Nova Iguaçu destaca atuação de Padre que transferiu o CENFI para Brasília

novembro 12, 2020 / no comments

REVISTA DE NOVA IGUAÇU DESTACA ATUAÇÃO DE PADRE QUE TRANSFERIU CENFI PARA BRASÍLIA

Padre Fernando Vandenabeele, missionário belga da Congregação do Imaculado Coração de Maria (CICM), faleceu no dia 20 de outubro, vítima  da Covid-19. Com atuação na Baixada Fluminense, exerceu grande parte de seu ministério na diocese de Nova Iguaçu (RJ) e foi homenageado na capa da revista diocesana “Caminhando”. Entre os feitos listados em sua biografia, a responsabilidade de transferir da cidade do Rio de Janeiro (RJ) para Brasília (DF) o Centro de Formação Intercultural (Cenfi), um dos serviços de apoio missionário que deu origem ao Centro Cultural Missionário (CCM).

Padre Fernando Vandenabeele | Foto: reprodução CNBB Leste 1

Natural de Bruxelas, na Bélgica, padre Fernando nasceu no dia 7 de novembro de 1937. Ainda jovem entrou para a congregação dos Missionários de Scheut, família religiosa fundada pelo Padre Theofiel Verbist em sua cidade natal, sendo ordenado presbítero em 6 de agosto de 1961. Chegou ao Brasil em 1963 e foi aluno da sexta turma do Cenfi, em 1965.

Em artigo publicado no site do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Leste 1), o bispo de Nova Iguaçu e presidente do Regional, dom Gilson Andrade da Silva, afirmou que a capacidade pastoral, intelectual e humana de padre Fernando “despertou a atenção a nível de organismos missionários de âmbito nacional”. Assim, em fevereiro de 1976, ele assumiu o Centro de Formação Intercultural para estrangeiros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o Cenfi e, em 1979, foi encarregado de fazer a transferência do Rio para Brasília.

O CENFI

Este serviço aos missionários que chegam ao Brasil nasceu em 1960, em Anápolis (GO), fundado pelos Franciscanos Menores, por obra do norte-americano Fr. João Batista Vogel, sob impulso do famoso teólogo e sociólogo Mons. Ivan Illich, e de seus Centros de Formação Intercultural (CIF) de Fordham, nos EUA, e de Documentação Intercultural (Cidoc) de Cuernavaca, no México.

Objetivo dessa obra é:

  • promover, coordenar e executar medidas e providências destinadas a incrementar a aproximação cultural e a estreitar as relações humanas entre os povos do Continente americano;
  • organizar e manter em funcionamento estabelecimentos destinados ao estudo e a pesquisa da estrutura social e econômica do país, costumes e estilo de vida de seus grupos;
  • mobilizar equipes destinadas a cooperar, no país e no exterior;
  • proporcionar a estudantes, missionários, diplomatas e técnicos estrangeiros, conhecimento a respeito da língua, costumes e cultura do país.

Pensado inicialmente para a capacitação dos missionários franciscanos, o centro foi logo aberto a acolher religiosas e religiosos de outras congregações. Em 1962, o Cenfi foi transferido para Petrópolis (RJ), lugar considerado mais acessível à época. Naquele ano, obteve a aprovação de seus primeiros estatutos por uma Assembleia de Constituição da entidade presidida por Dom Hélder Câmara.

Em 1969, a CNBB e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) passaram a integrar o Cenfi , participando de suas Assembleias Gerais. No ano seguinte, vista a pouca procura pelo Centro de Formação Intercultural, a Assembleia Geral decidiu transferir o Cenfi para São Paulo (SP).

Em 20 de janeiro de 1972, o Cenfi volta para o Rio de Janeiro, agora na capital fluminense. A seguir, neste mesmo ano, o Cenfi tornou-se um organismo vinculado à CNBB, indicado especialmente para o acolhimento de missionários estrangeiros. Na ocasião, também o Serviço de Cooperação Apostólica Internacional (Scai) começou a exercer suas atividades junto com o Cenfi.

Em 1977, decide-se pela transferência do Cenfi/Scai para Brasília, aí sob a responsabilidade de padre Fernando Vandenabeele. São abertas negociações com a Sociedade do Verbo Divino e com as Servas do Espírito Santo para a instalação do Centro. O organismo chega a Brasília em agosto de 1978, e começa a funcionar na Av. L 2 Norte – Quadra 609.

No entanto, desde a XV Assembleia Geral da CNBB, em 1977, aponta-se para a urgência de constituir um Centro Missionário que pudesse formar e acompanhar os missionários de maneira mais consistente. O projeto é retomado em 1979, na XVII Assembleia Geral, e efetivado em caráter experimental a partir de fevereiro de 1981. Em dezembro de 1982 é criado o Centro Cultural Missionário (CCM).

Missionários do Cenfi, em 1994, na sede da 601 Norte

Assim, CCM assumiu a antecedente junção entre o Centro de Formação Intercultural (Cenfi) e o Serviço de Colaboração Apostólica Internacional (Scai), e a mais recente criação do Centro de Animação e Estudos Missionários (Caem). Em 29 de dezembro de 1982, a Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) da CNBB, constituídas em Assembleia do CENFI-SCAI, decidem de reunir num único Centro Cultural Missionário o CENFI-SCAI, sob forma de dois departamentos, e o CAEM, departamento para animação e estudos missionários. Foi neste mesmo ano que a sede do organismo recém-criado seguiu para um prédio cedido pela Companhia de Jesus às Pontifícias Obras Missionárias, na Av. L-2 Norte – Quadra 601. A nova sede, próxima à Esplanada dos Ministérios, oferecia melhores acomodações e melhores possibilidades para as atividades.

A partir de 1995, os cursos do Cenfi são realizados numa sede própria para o CCM, situada em Brasília na quadra 905 Norte, Conjunto “C”, num imóvel doado pela Congregação do Espírito Santo e reformado pela CNBB com a colaboração das Pontifícias Obras Missionárias. No local, mais recentemente (2017 a 2019), funcionou uma sede provisória da CNBB, durante a reforma da sede.

Neste ano, o CCM tornou-se uma filial vinculada à CNBB com a finalidade oferecer um percurso de iniciação à missão no Brasil para missionárias e missionários que chegam do exterior. A entidade promove cursos de formação missionária para brasileiras e brasileiros enviados a outra região ou país como missionários além-fronteiras. É seu papel também realizar eventos de estudo e aprofundamento sobre teologia, espiritualidade e prática de missão para diversos segmentos eclesiais e fomentar o surgimento e a capacitação específica de animadores missionários na Igreja no Brasil.

 

Fonte: CNBB