Campanha da Fraternidade: Mensagem do Papa Francisco ao povo brasileiro

março 7, 2019 / no comments

Campanha da Fraternidade: Mensagem do Papa Francisco ao povo brasileiro

 

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

 

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

Cientes disso, os cristãos – inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1,28) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28) – devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, «são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus» (n. 505).

De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política – à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma «nobre forma de caridade» (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela CAL-CELAM, 1/XII/2017) – requer-se que vivam «com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação» (ibid.).

Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericórdia vultus, 15). Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

 

Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

 

[Franciscus PP.]

 


Ouça a mensagem do Papa

 

 

Dom Evaristo: “o Sínodo para a Amazônia será momento de mostrar de que lado a Igreja está”

fevereiro 24, 2019 / no comments

“Nós sabemos que a terra é de Deus, um dom sagrado. Os povos tradicionais da Amazônia assim a tratam, assim a preservam, mas a vida está sendo atacada em função do comercio, da economia”, analisa o bispo da prelazia de Marajó (PA), dom Evaristo Pascoal Spengler. Durante o encontro de teólogos e teólogas promovido pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) e a rede Igrejas e Mineração, em Brasília, entre os dias 27 e 30 de janeiro, o bispo destacou o Sínodo Especial sobre a Amazônia convocado pelo papa Francisco como ocasião para valorizar esta relação dos povos com a criação.

“O sínodo da Amazônia é momento de mostrar de que lado a Igreja está: do lado da vida, dos mais fracos, dos mais pobres, dos povos indígenas, dos ribeirinhos, dos quilombolas. Essa é a missão que Jesus nos mostra a partir do seu Evangelho. Jesus pisa nas estradas, nos caminhos da Palestina, e a Igreja quer, como Jesus, também ser essa presença viva de Deus no meio dessa grande Amazônia dizendo ‘aqui há vida, porque Deus está presente na vida desse povo’”, afirmou.

Essa relação de respeito e cuidado com a terra, reconhecendo que é dom de Deus e também a “Mãe Terra” – como o papa Francisco ressalta na encíclica “Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum” – é encontrada nas vozes amazônicas que sobressaíram nas escutas sinodais realizadas ao longo de 2018, dentro do processo de preparação para o Sínodo, marcado para outubro deste ano.

“Muitas comunidades de toda a Amazônia se empenharam para fazer a escuta do sínodo e agora a Repam está tentando articular, num aprofundamento teológico, toda essa contribuição que veio das comunidades, paróquias, dioceses, prelazias”, explica dom Evaristo.

De acordo com a Repam, foram mais 70 atividades de escuta para o Sínodo, somente no Brasil, entre rodas de conversas, seminários e assembleias territoriais. “O povo teve uma contribuição belíssima e a função dos teólogos agora foi dar um embasamento teológico, bíblico a todas essas propostas que chegarão às mãos dos bispos e finalmente será formado o Instrumentum Laboris para o sínodo”, comenta dom Evaristo ao destacar a importância do encontro que reuniu 18 teólogos e teólogas na sede das Pontifícias Obras Missionárias, em Brasília.

As reflexões do encontro subsidiarão os peritos que vão participar do encontro pré-sinodal, em Roma, quando será elaborado o Instrumentum Laboris, que é o texto de trabalho que os bispos irão utilizar durante a assembleia sinodal. A assembleia especial do Sínodo dos Bispos deste ano irá tratar do tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.