BISPOS DO RIO DE JANEIRO ELEGEM A NOVA PRESIDÊNCIA DO REGIONAL LESTE 1 – CNBB

maio 9, 2019 / no comments

BISPOS DO RIO DE JANEIRO ELEGEM A NOVA PRESIDÊNCIA DO REGIONAL LESTE 1 – CNBB

 

Dom José Francisco Rezende Dias, Arcebispo Metropolitano de Niterói (RJ), foi eleito na noite desta quinta-feira, 09 de maio, o novo presidente do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dom José Francisco era o atual vice-presidente do organismo. O episcopado fluminense também escolheu dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu (RJ), como vice-presidente e dom Tarcisio Nascentes dos Santos, bispo de Duque de Caxias (RJ), foi reeleito como secretário. A eleição foi realizada durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP).

 

Biografia do Presidente: Filho do casal Higino Strazzer Dias e Maria do Rosário Rezende Dias, Dom José Francisco nasceu em Brasópolis, Minas Gerais, em 02 de abril de 1956. Após cursar o ensino fundamental na Escola Estadual Coronel Francisco Braz e o ensino médio na Escola Estadual Presidente Wanceslau em Brasópolis-MG, concluindo o curso científico no Colégio Pré-Universitário em Pouso Alegre-MG, entrou para o Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre onde cursou a faculdade de Filosofia entre os anos de 1973 e 1974 e a faculdade de Teologia no Instituto Teológico do Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté-SP, entre os anos de 1975 e 1978. Dom José fez seu Mestrado em Teologia Espiritual pelo Pontifício Instituto Teresianum de Roma (1987-1989). Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) pelo Papa São João Paulo II em 28 de março de 2001 e sua ordenação episcopal aconteceu em 02 de junho do mesmo ano na Catedral da Arquidiocese mineira. Está no Governo Pastoral da Arquidiocese de Niterói desde o 15 de fevereiro de 2012 quando sucedeu Dom ALano Maria Pena que tornou-se arcebispo emérito.

Como padre de Pouso Alegre, Dom José foi Vigário Paroquial nas paróquias de Silvianópolis, Carvalhópolis, Turvolândia, Paraisópolis e Sapucaí Mirim; Reitor da Comunidade de Teologia da Arquidiocese de Pouso Alegre em Taubaté; Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre; Pároco da Paróquia de Santa Rita de Caldas; Diretor do Instituto Teológico Interdiocesano São José em Pouso Alegre; Vigário Geral e Reitor do Seminário da Arquidiocese de Pouso Alegre. Após a sua ordenação episcopal foi Bispo Auxiliar de Pouso Alegre-MG (2001-2005); e Bispo de Duque de Caxias-RJ (2005-2011).

 

Biografia do Vice-presidente: Dom Gilson é carioca da gema, nascido no bairro do Méier na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 11 de setembro de 1966. Logo cedo mudou-se para a cidade de Mendes onde conheceu o Padre Marceau Constant que lhe ajudou nos primeiros passos de sua caminhada vocacional. Entrou para o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino da Diocese de Petrópolis (RJ) onde cursou a faculdade de Filosofia entre os anos de 1985 e 1987. Os estudos de Teologia foram feitos na Universidade de Navarra na Espanha entre os anos de 1988 e 1991. No ano em que conclui os estudos teológicos foi ordenado presbítero no dia 04 de agosto. Realizou mestrado em Sagrada Teologia na Pontíficia Universidade da Santa Cruz em Roma, Itália, e no dia 27 de julho de 2011 foi nomeado pelo Papa Emérito Bento XVI como bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia (BA), sua ordenação episcopal aconteceu no dia 24 de setembro daquele ano na Catedral de São Pedro de Alcântara em Petrópolis e no dia 10 de outubro fora apresentado na Arquidiocese soteropolitana. Desde o dia 01 de setembro de 2018 é o bispo coadjutor da Diocese de Nova Iguaçu, devendo suceder Dom Luciano Bergamin, CRL, quando este tornar-se emérito ao completar 75 anos de idade.

Antes do episcopado Dom Gilson atuou como Vice-Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, Petrópolis-RJ (1991-1997 e 1999-2004); Vigário Paroquial da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim em Petrópolis (1991-1994); Professor no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino (1991); Professor de Teologia e Filosofia na Universidade Católica de Petrópolis desde (2000-2011); Membro do Conselho Pastoral Diocesano (2004-2011); Membro da Equipe de Coordenação Diocesana do Plano Pastoral de Conjunto e da Missão Popular; Diretor do Instituto de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Católica de Petrópolis (2004-2005); Reitor do Seminário (2004-2011); Coordenador da Pastoral da Juventude da Diocese de Petrópolis (2004-2011); Membro do Colégio de Consultores (2006-2011); Presidente da Associação Mantenedora Faculdades Católicas Petropolitanas – UCP (2008-2011). Após a sua ordenação episcopal, foi bispo auxiliar de Salvador, Bispo Referencial dos Ministérios e Vocações no Regional Nordeste 3 – CNBB e representou o Brasil no Sínodo dos Bispos em outubro de 2018 na Cidade do Vaticano.

 

Biografia do Secretário: Filho do casal Elói Gonçalves dos Santos e Emerita Nascentes dos Santos, Dom Tarcisio nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 27 de fevereiro de 1954. Cursou o ensino médio no Colégio Brasil. Tornou-se seminarista da Arquidiocese de Niterói e realizou os estudos acadêmicos de Filosofia na Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil no Rio de Janeiro e de Teologia no Seminário Maior de Mariana em Minas Gerais (1975-1976) e na Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil (1976-1978) no Rio de Janeiro. Sua ordenação presbiteral aconteceu em Niterói no dia 08 de dezembro de 1978. Em Roma, Dom Tarcisio realizou o estudos de mestrado e doutorado em Teologia Sistemática pelo Centro Acadêmico Romano da Santa Cruz entre os anos de 1985 e 1992. No dia 11 de fevereiro de 2009 foi nomeado Bispo de Divinópolis em Minas Gerais pelo Papa Emérito Bento XVI. Dom Tarcisio está no Governo Pastoral da Diocese de Duque de Caxias desde o 03 de novembro de 2012 quando tomou posse sucedendo a Dom José Francisco Rezende Dias que fora nomeado Arcebispo Metropolitano de Niterói.

Como Padre, Dom Tarcisio foi Pároco da Paróquia de São Domingos, em Niterói; Vice-Reitor e ecônomo do Seminário; Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema; Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Ilha da Conceição, Pró Vigário Geral, Diretor Espiritual do Seminário; Membro do Conselho Presbiteral; Membro da Comissão Regional dos Presbíteros; Sócio da Sociedade Brasileira de Canonistas-SBC (2003) e da ANPB; Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, da Venda da Cruz, e Conselheiro Espiritual das ENS; Vigário Episcopal do Vicariato Niterói Norte (2005-2009); Diretor do Instituto Filosófico e Teológico do Seminário São José; Professor de Teologia Fundamental e Teologia Sistemática: na Faculdade de São Bento, do Mosteiro do Rio de Janeiro; no Instituto Filosófico e Teológico do Seminário São José e no Seminário Maior da Diocese de Nova Friburgo. Após sua ordenação episcopal, foi bispo de Divinópolis de 2008 a 2012 e é o atual secretário do Regional Leste 1 – CNBB.

 

Regional Leste 1 – CNBB: O Regional Leste 1 é uma representação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Estado do Rio de Janeiro. É composto por (arce) bispos de onze circunscrições eclesiásticas fluminenses que estão divididas em duas províncias. Integram a Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro a Arquidiocese que a nomeia, mais as dioceses de Barra do Piraí – Volta Redonda, Duque de Caxias, Itaguaí, Nova Iguaçu e Valença. Já a Província Eclesiástica de Niterói é composta pela Arquidiocese de Niterói, as dioceses de Campos dos Goytacazes, Nova Friburgo e Petrópolis e a Administração Apostólica Pessoal de São João Maria Vianney. Diversas pastorais, movimentos, organismos e institutos estão integradas ao Regional por meio das Comissões Episcopais Pastorais.

 

 

Mandato: Dom José Francisco sucederá o Cardeal Orani João Tempesta que esteve a frente do organismo desde 2011. A nova presidência terá a missão de coordenar e animar a vida pastoral da Igreja Católica no Estado do Rio de Janeiro no próximo quadriênio (2019-2023).

 

 

Os bispos do Brasil em sua 57ª Assembleia Geral emitem “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro”

maio 8, 2019 / no comments

 

MENSAGEM DA CNBB AO POVO BRASILEIRO

 

“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5)

Suplicando a assistência do Espírito Santo, na comunhão e na unidade, nós, Bispos do Brasil, reunidos na 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, no Santuário Nacional, em Aparecida-SP, de 1 a 10 de maio de 2019, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro, tomados pela ternura de pastores que amam e cuidam do rebanho. Desejamos que as alegrias pascais, vividas tão intensamente neste tempo, renovem, no coração e na mente de todos, a fé em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado, razão de nossa esperança e certeza de nossa vitória sobre tudo que nos aflige.

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20)

Enche-nos de esperançosa alegria constatar o esforço de nossas comunidades e inúmeras pessoas de boa vontade em testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo, comprometidas com a vivência do amor, a prática da justiça e o serviço aos que mais necessitam. São incontáveis os sinais do Reino de Deus entre nós a partir da ação solidária e fraterna, muitas vezes anônima, dos que consomem sua vida na transformação da sociedade e na construção da civilização do amor. Por essa razão, a esperança e a alegria, frutos da ressurreição de Cristo, hão de ser a identidade de todos os cristãos. Afinal, quando deixamos que o Senhor nos tire de nossa comodidade e mude a nossa vida, podemos cumprir o que ordena São Paulo: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!’ (Fl 4,4) (cf. Papa Francisco, Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, 122).

“No mundo tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Longe de nos alienar, a alegria e a esperança pascais abrem nossos olhos para enxergarmos, com o olhar do Ressuscitado, os sinais de morte que ameaçam os filhos e filhas de Deus, especialmente, os mais vulneráveis. Estas situações são um apelo a que não nos conformemos com este mundo, mas o transformemos (cf. Rm 12,2), empenhando nossas forças na superação do que se opõe ao Reino de justiça e de paz inaugurado por Jesus.

A crise ética, política, econômica e cultural tem se aprofundado cada vez mais no Brasil. A opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres, conforme já lembrava o Papa João Paulo II na Conferência de Puebla (1979). Nesse contexto e inspirados na Campanha da Fraternidade deste ano, urge reafirmar a necessidade de políticas públicas que assegurem a participação, a cidadania e o bem comum. Cuidado especial merece a educação, gravemente ameaçada com corte de verbas, retirada de disciplinas necessárias à formação humana e desconsideração da importância das pesquisas.

A corrupção, classificada pelo Papa Francisco como um “câncer social” profundamente radicada em inúmeras estruturas do país, é uma das causas da pobreza e da exclusão social na medida em que desvia recursos que poderiam se destinar ao investimento na educação, na saúde e na assistência social, caminho de superação da atual crise. A eficácia do combate à corrupção passa também por uma mudança de mentalidade que leve a pessoa compreender que seu valor não está no ter, mas no ser e que sua vida se mede não por sua capacidade de consumir, mas de partilhar.

O crescente desemprego, outra chaga social, ao ultrapassar o patamar de 13 milhões de brasileiros, somados aos 28 milhões de subutilizados, segundo dados do IBGE, mostra que as medidas tomadas para combatê-lo, até agora, foram ineficazes. Além disto, é necessário preservar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. O desenvolvimento que se busca tem, no trabalho digno, um caminho seguro desde que se respeite a primazia da pessoa sobre o mercado e do trabalho sobre o capital, como ensina a Doutrina Social da Igreja. Assim, “a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, mas às vezes parecem somente apêndices adicionados de fora para completar um discurso político sem perspectivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 203).

A violência também atinge níveis insuportáveis. Aos nossos ouvidos de pastores chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens assassinados, das famílias que perdem seus entes queridos e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O feminicídio, o submundo das prisões e a criminalização daqueles que defendem os direitos humanos reclamam vigorosas ações em favor da vida e da dignidade humana. O verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via eficaz para responder à violência e à falta de segurança, inspirado no mandamento “Não matarás” e não em projetos que flexibilizem a posse e o porte de armas.

Precisamos ser uma nação de irmãos e irmãs, eliminando qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Somos responsáveis uns pelos outros. Assim, quando os povos originários não são respeitados em seus direitos e costumes, neles o Cristo é desrespeitado: “Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25,45). É grave a ameaça aos direitos dos povos indígenas assegurados na Constituição de 1988. O poder político e econômico não pode se sobrepor a esses direitos sob o risco de violação da Constituição.

A mercantilização das terras indígenas e quilombolas nasce do desejo desenfreado de quem ambiciona acumular riquezas. Nesse contexto, tanto as atividades mineradoras e madeireiras quanto o agronegócio precisam rever seus conceitos de progresso, crescimento e desenvolvimento. Uma economia que coloca o lucro acima da pessoa, que produz exclusão e desigualdade social, é uma economia que mata, como nos alerta o Papa Francisco (EG 53). São emblemático exemplo disso os crimes ocorridos em Mariana e Brumadinho com o rompimento das barragens de rejeitos de minérios.

As necessárias reformas política, tributária e da previdência só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres, “juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências éticas da ordem democrática, CNBB – n. 72). Nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres. Daí a importância de se constituírem em autênticas sentinelas do povo as Igrejas, os movimentos sociais, as organizações populares e demais instituições e grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito. Instâncias que possibilitam o exercício da democracia participativa como os Conselhos paritários devem ser incentivadas e valorizadas e não extintas como estabelece o decreto 9.759/2019.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33)

O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor. Queremos uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação dos jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida em todas as suas formas e expressões, incluído o respeito à natureza, na perspectiva de uma ecologia humana e integral.

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que aprovamos nesta 57ª Assembleia da CNBB, e o Sínodo para a Pan-Amazônia, a se realizar em Roma, em outubro deste ano, ajudem no compromisso que todos temos com a construção de uma sociedade desenvolvida, justa e fraterna. Lembramos que “o desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade – caritas in veritate -, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas nos é dado” (Bento XVI, Caritas in veritate, 79). O caminho é longo e exigente, contudo, não nos esqueçamos de que “Deus nos dá a força de lutar e sofrer por amor do bem comum, porque Ele é o nosso Tudo, a nossa esperança maior” (Bento XVI, Caritas in veritate, 78).

 

A Virgem Maria, mãe do Ressuscitado, nos alcance a perseverança no caminho do amor, da justiça e da paz.

 

Aparecida-SP, 07 de maio de 2019.