Um poder diferente

novembro 24, 2019 / no comments

Quando Jesus foi apresentado a Pilatos, no processo que iria levá-lo à morte, o governador da Palestina dirigiu-lhe uma pergunta crucial: “Tu és Rei”? Jesus declarou que sim, era rei, mas que o seu Reino não era deste mundo ((Jo 18, 36).

Pilatos poderia temer que alguém assim representasse uma ameaça à ordem e ao poder que ele detinha. Mas não! Parece ter intuído que aquele tipo de poder era de grande novidade e, por isso, insistiu no interrogatório, tomando, a seguir, a decisão de soltá-lo. Ao ser instigado pela multidão, porém, entregou Jesus à morte. A declaração de “Rei”, no entanto, foi conservada. Tanto assim que Pilatos mandou fosse colocada no cimo da cruz a inscrição Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus.

É interessante notar que Jesus não tenha querido rechaçar este título que, certamente, poderia dar origem a muitas interpretações, como, de fato, ao longo da história aconteceu. Há sempre o perigo de uma visão equivocada do reinado de Jesus, negando aquela autonomia das realidades temporais que o Concílio Vaticano II afirmou: “as coisas criadas e as sociedades gozam de leis e de valores próprios, que o homem vai gradualmente conhecendo, aplicando e organizando” (Gaudium et spes, 36).

O próprio Jesus declarara isso quando indicou que se deve dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22, 21). Sobre a sua missão, a Igreja mesma afirma que “nenhuma ambição terrena a move, mas ela pretende uma única coisa: guiada pelo Espírito Santo, continuar a obra do próprio Cristo, que veio ao mundo para dar testemunho da verdade; para salvar, e não para condenar; para servir, e não para ser servido” (Idem, n. 3).

Hoje também os cristãos afirmam: “Jesus é Rei”. Neste domingo, a liturgia da Igreja católica, celebra a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, concluindo com ela as celebrações que desde o advento do ano passado foram propostas. Mas o que significa continuar insistindo neste título? Parece-me que não se pode perder de vista algo essencial que da boca de Jesus mesmo nós escutamos: “o meu Reino não é deste mundo”.

O Reino de Jesus, ao contrário dos outros reinados, não depende de um reconhecimento público de sua existência, nem se conquista à força de armas e articulações políticas. Ele já é, e já está presente, independente da adesão das pessoas e de seu reconhecimento, mas revelará toda a sua força no final dos tempos. Por isso, Jesus diante de Pilatos, não hesita em afirmar a sua realeza, ao mesmo tempo que sempre foge quando pretende que o estabeleçam como rei. Assim, Ele redireciona o sentido do seu poder. A realidade do poder fascina a humanidade desde sempre. E isso, desde as pequenas coisas até às mais elevadas. Vai, por exemplo, do poder de ter nas mãos a chave de um armário ao de governar uma nação.

Não é à toda que é no contexto da Paixão e Morte na cruz que Jesus se reveste com as vestes de Rei e recebe uma coroa, mas de espinhos. O Reinado de Jesus é o poder de amar até dar a vida, de escolher com liberdade tornar-se o menor de todos para poder servir a todos, é colocar no centro de tudo o amor desinteressado, ou melhor, interessado unicamente em salvar o outro, em dar tudo de si para que o outro tenha a vida. É dessa forma que Jesus é Rei, é dessa forma que os cristãos reinam com Ele.

A Diocese de Nova Iguaçu, neste domingo, fará uma grande celebração em Nilópolis, aproveitando essa ocasião para declarar que Jesus é Rei da Paz, rezando pela paz em nossa Baixada. Vamos também dar início a uma iniciativa de formação, inspirada na Doutrina Social da Igreja, a fim de ajudar os nossos leigos e leigas a assumirem, de forma mais consciente e capaz, o seu protagonismo na família e na sociedade.

Artigo de Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu e Vice-presidente do Regional Leste 1 – CNBB

 

Dom Nelson Francelino participa de Encontro Latinoamericano de Responsáveis Nacionais da Pastoral Juvenil

novembro 20, 2019 / no comments

O Bispo de Valença e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, dom Nelson Francelino Ferreira, participa no Peru do 20º Encontro Latinoamericano de Responsáveis Nacionais da Pastoral Juvenil. O encontro será realizado no Balneário Santa Rosa, nas proximidades de Lima de 18 a 23 de novembro e tem como tema “Nós jovens somos terra sagrada, o agora de Deus”.

 

Em viagem apostólica, o Papa Francisco enviou aos presentes a sua mensagem de cordialidade dizendo que os jovens são “o agora de Deus”. Confira a mensagem na íntegra.

A Su Excelencia Reverendísima
Monseñor Alfredo Vizcarra Mori, S.J.
Vicario Apostólico de Jaén
Presidente de la Comisión Episcopal para Laicos y Juventud

Caro Irmão:

Saúdo-vos cordialmente, bem como os organizadores e participantes do XX Encontro Latino-Americano de Líderes Nacionais da Juventude Pastoral, que acontece na Casa de Coabitação Juan Pablo II, em Balneario de Santa Rosa, com o lema: “Os jovens são terra sagrada, o agora de Deus.”

Você, ao colaborar no campo do ministério da juventude, presta à Igreja um serviço que não pode ser negligenciado. Os jovens falam conosco e nos desafiam, nos fazem cair na contagem das luzes e sombras de nossa comunidade, e com seu entusiasmo nos encorajam a dar respostas de acordo com nosso tempo. Eles são o terreno fértil e novo que Deus dá às comunidades cristãs. Você é encarregado da tarefa de acompanhá-lo com respeito e mansidão no caminho de sua maturação pessoal, para que você possa tomar posse na fé e, com a graça do Senhor, dar frutos do amor e da esperança.

Na América, o continente da esperança, como em todo o mundo, os jovens são o agora de Deus, porque seu Filho Jesus, que é uma manifestação de sua bondade, caminha e fica com eles, e através de Jesus, o Pai continua a falar-nos na linguagem de seu amor , “quem sabe mais sobre aumentos do que que quedas, de reconciliação do que de proibição, de dar nova oportunidade de condenar, no futuro do que no passado” (Cerimônia de Recepção e Abertura da JMJ, Panamá 24 janeiro 2019). Encorajo-vos a aprofundar-se cada vez mais no conhecimento da pessoa de Jesus, para que, vivendo na intimidade do seu coração, vocês possam se tornar discípulos missionários e testemunhas de sua ternura, e outros jovens possam se aproximar dele, os eternamente jovens, para experimentar a alegria de sua amizade e levar uma existência fundada na fraternidade cristã e solidariedade.

Com esses sentimentos, peço ao Senhor, através da intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América, sustente com sua graça os pastores, os responsáveis pelo ministério da juventude e todos os jovens da América Latina, fortalecendo-os no amor mútuo e acompanhando-os em suas vidas diárias.

Que Jesus abençoe você e a Santa Virgem irá ajudá-lo em seus propósitos do bem. E por favor, não se esqueça de orar por mim.

Fraternalmente

Francisco