A falta de Deus leva as pessoas a atos violentos, afirma Dom Orani

junho 11, 2019 / no comments

A violência contra os cristãos no mundo também tem sido denunciada pelo Papa

Silvonei José, Andressa Collet – Cidade do Vaticano
Em entrevista ao Vatican News sobre as perseguições contra os cristãos no mundo, o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, fala da importância da Igreja em ser portadora da luz de Cristo para transformar os corações e “dizer que é possível uma sociedade diferente”. Um fenômeno que precisa ser interpretado com a experiência da misericórdia, e não com a vingança.

A violência contra os cristãos em diferentes partes do mundo, segundo o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, é motivada, por exemplo, pela intolerância e pela falta de Deus na vida das pessoas.

A denúncia desse fenômeno é recorrente também nas manifestações do Papa Francisco, ao chamar constantemente a atenção da comunidade internacional para perseguições aos cristãos, em particular aos católicos, que muitas vezes não são noticiadas pela mídia. No final do mês de maio, um tuíte do Pontífice afirmava: “Também hoje há tantos cristãos assassinados e perseguidos por amor a Cristo. Dão a vida no silêncio, porque o seu martírio não faz notícia, mas hoje há mais mártires cristãos do que nos primeiros séculos”.

A Igreja que porta luz para transformar corações

A reação das comunidades cristãs tem unido ainda mais as diferentes confissões religiosas, pois têm interpretado o fenômeno com misericórdia, e não com vingança, afirma Dom Orani:

“Neste momento, em que a Igreja é perseguida e que ela sofre dificuldades é que ela fala da experiência da misericórdia, nunca de vingança, justamente como Jesus, no alto da cruz. É nesses momentos, no meio das trevas, que se faz brilhar a luz de Cristo. E não há um século, na história da Igreja, que não houve perseguição em algum lugar do mundo. E isso faz parte da intolerância, da própria caminhada da Igreja, como também da falta de Deus que também leva as pessoas a terem violência uns contra os outros.”

“ Nós somos portadores dessa luz de Cristo pra dizer que é possível uma sociedade diferente: aqueles que escutam, terão um coração transformado; aqueles que não escutam, pelo menos passou na vida deles essa oportunidade de se viver algo diferente. ”

Dom Orani comenta que, na Assembleia Geral da CNBB, no início do mês de maio, os bispos analisaram essa transformação vivida pela sociedade, a questão do secularismo, do laicismo, das pessoas contra todas as religiões e, ao mesmo tempo, também do fanatismo religioso e das situações de pobreza e aumento do desemprego.

“ É toda uma situação em que parece que se perde o rumo e que parece que se escurece um pouco o horizonte do mundo. Cabe a nós, Igreja, sermos aqueles que levam a luz de Cristo aos irmãos, sermos essa luz no meio do mundo. ”

 

Fonte: Vatican News

 

E a Páscoa?

junho 7, 2019 / no comments

A Páscoa está aí revigorando nossas forças, iluminando nosso peregrinar e lembrando que somos passageiros da terra para o céu, caminhantes do Reino e inquilinos de moradas terrenas possuindo já aqui o endereço certo da glória futura.

A Páscoa é a saída para uma vida nova com toda a pujança de Jesus Ressuscitado. Nossa vida triunfa e nos impulsiona para fora dos recalques, azedumes, raivas, murmurações, preconceitos, preguiças, vaidades, prepotências, desamores e tantas misérias tristes do passado. É hora do adeus ao pessimismo e aos tumultos interiores que são receitas negativas, portadores de sérias complicações em todas as vertentes do nosso caminhar terreno.

A Páscoa é a ausência da cultura da morte e a presença da perpetuação da vida em nosso coração e, a exemplo do túmulo vazio, transmite sinais vitais de alegria, coragem, otimismo, esperança, como também de lutas. Afinal, a presença do túmulo vazio era a certeza de que o corpo sem vida do Senhor não estava ali. O coração humano, fechado e abastecido de misérias, jamais comunica vida e a morte, dessa forma, haveria de continuar no pódio.

A Páscoa hoje é, exatamente, a derrota da morte, sinalizada pelo pecado e o fortalecimento da vida com Deus e com os irmãos.

A Páscoa é vida constante em que se dispensa o muito falar e proclama o reinado da ação com um testemunho diário de novos cristãos, novas pessoas, nova Igreja, novos hábitos, nova mentalidade, deixando emergir a obrigação que todos temos de ser discípulos e missionários em busca da missão continental, exigência do Cristo ressuscitado. Se assim não acontecer não é Páscoa/passagem; mas, apenas, representação de atos festivos de passadas e saudosas lembranças de séculos antigos e proclamação memorial de fatos longínquos.

É preciso que corramos e anunciemos, principalmente, que a grande novidade da Páscoa está em sermos novos e corajosos portadores da destruição da barreira do mal merecida pela paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo na suavidade do Mistério Pascal.

A certeza de que a vítima é a grande vencedora leva-nos a um perene “aleluia” que deve brotar de nossos festivos corações.

 

 

Monsenhor João Alves Guedes
Assessor da Comissão Regional Pastoral para a Liturgia