São Martinho recebe prêmio Prix Cáritas 2019

junho 13, 2019 / no comments


A ONG, mantida pelos Carmelitas, é a primeira instituição brasileira a receber o prêmio.

A Associação Beneficente São Martinho ganhou o Prix Cáritas 2019. A cerimônia aconteceu hoje (12/06), na cidade de Lucerne, na Suíça, onde fica a sede da entidade. Receberam a premiação o diretor da São Martinho, Frei Adailson Santos, O.Carm., e a assistente social e coordenadora do Núcleo de Acompanhamento Interdisciplinar, Lucimar Correa. Pascale Baeriswyl, Secretário de Estado do Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros (DFA), prestou homenagem ao empenho dos vencedores.

Desde 2003, a Cáritas Suíça premia o Prix Cáritas todo mês de junho. Este prêmio reconhece personalidades por um compromisso admirável, um excelente trabalho no campo social, cooperação para o desenvolvimento intercultural. Os vencedores são caracterizados por seu compromisso inovador e sustentável. Em 2019, foram 9 candidaturas de instituições por todo o mundo.

“A São Martinho concorreu com várias instituições de vários países e esse prêmio é o resultado do nosso trabalho. Por mais difícil, por mais desafiador que seja atuar na causa da infância e da adolescência,  esse prêmio confirma que a São Martinho está no caminho certo. Celebrar 35 anos com essa premiação tem um grande peso”, afirma o diretor da instituição Frei Adailson dos Santos.

Ele dedicou o prêmio a todos os colaboradores que atuaram no passado e aos que hoje atuam na São Martinho e destacou que a missão da instituição é ancorada na missão da Província Carmelitana de Santo Elias, que tem como cerne o Evangelho.

“A São Martinho é abraçada pela Província, que tem como missão o mandato de Jesus de cuidar da vida do outro, a promoção da vida do outro, e o acolhimento do próximo. Ter consciência clara dessa missão na sociedade, não sairmos desse trilho e continuamos a atender essa necessidade”, pontuou.

A premiação aconteceu às 17h30 (horário local), no Centro de Cultura e Congressos de Lucerna.

“Ao conceder-lhes o Prix Cáritas 2019, gostaríamos de reconhecer a incansável dedicação demonstrada pelos senhores como diretor e, há muitos anos, como coordenadora do Núcleo de Acompanhamento Interdisciplinar da Associação Beneficente São Martinho. Em especial, gostaríamos de destacar as ações voltadas às crianças e adolescentes carentes que vivem nas ruas ou em ocupações no Rio de Janeiro e que sofrem ou são ameaçadas pela violência. Através do valioso trabalho da São Martinho, elas têm acesso a novos meios de subsistência e, assim, possuem melhores oportunidades para o futuro”, afirmou a mensagem enviada pela Cáritas à São Martinho, assinada por Hugo Fasel e Elisabeth Karagiannis, respectivamente Diretor de Marketing e Gerente de Comunicação.

Nota da CNBB sobre julgamento no STF a respeito da criminalização da homofobia

junho 12, 2019 / no comments

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta quarta-feira, 12 de junho, nota sobre o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal a respeito da criminalização da homofobia. “Em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo”, afirma a CNBB.

E acrescenta: “a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo”.

Leia a nota na íntegra:


 

Nota da CNBB

 

  1. A Igreja Católica, especialmente por sua Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, historicamente, é defensora incondicional da vida, desde a sua concepção até a morte natural. Nesse sentido, é contrária a qualquer ato de violência. Atentados contra a vida merecem a mais severa condenação por parte de toda a sociedade civil e, principalmente, das autoridades devidamente constituídas.
  2. Dedicamos a nossa atenção ao julgamento, em curso, no Supremo Tribunal Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26) e do trâmite no Senado Federal do Projeto de Lei 672/2019 para alterar a Lei 7.716/1989. Nosso posicionamento é alicerçado em princípios ético morais que defendem o respeito a todos, sem distinções.
  3. O Magistério da Igreja indica o acolhimento solidário e respeitoso, evitando-se todo sinal de discriminação. Isto não significa se omitir ou negar o que ensina a sua doutrina: o matrimônio é a união entre o homem e a mulher, com a possibilidade de gerar vida. Nesse sentido, em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo: a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo.
  4. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confia e espera que as autoridades do Judiciário e do Legislativo, cônscios de suas responsabilidades, trabalhem, de modo adequado, dedicando-se, com profundidade, a essa questão que exige também ouvir diferentes perspectivas. Um tema tão delicado e complexo exige ser tratado pelo amplo diálogo e pela reflexão de toda a sociedade. Assim, é possível contribuir para promover a harmonia social em uma sociedade que precisa superar as polarizações. Assegurar cada vez mais a integridade do cidadão, a partir do respeito fraterno que todo ser humano deve cultivar em relação a seu semelhante. Esse compromisso requer irrestrito respeito a princípios morais e religiosos intocáveis.
  5. Em espírito de comunhão e serviço, a CNBB quer colaborar para que se encontre o caminho necessário para vencer injustiças e perseguições – a violência contra o ser humano, que inclui também o desrespeito à liberdade religiosa e aos valores do Evangelho de Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida”.

 

Brasília, 12 de junho de 2019.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

 

Dom Jaime Spengler, OFM

Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB