Proteger o sagrado

fevereiro 2, 2020 / no comments

Apesar das estatísticas apontarem para um crescimento do número dos indiferentes no tocante à religião, assistimos ultimamente um interesse pelo assunto, entre outras coisas, como pretexto de expressão artística nem sempre condizente com o significado do sagrado. Não pretendo aqui engrossar a polêmica que tal uso vem provocando, mas refletir sobre a autenticidade da questão do respeito que o sagrado pede. Temos visto que brincar com o sagrado pode, por um lado, provocar o riso superficial de alguns, mas também tem suscitado não poucas reações de indignação e de pedido de respeito.

A proteção ao sagrado transcende à mera questão do respeito, pois sempre esteve vinculada com a possibilidade de dar sentido amplo à vida, e, portanto, de proteção a tudo o que é humano e a todo o cosmos. Para os romanos, o recinto sagrado era um lugar de proteçãopara as pessoas. Os gregos consideravam que a principal característica do que é santo era a vida. O sagrado possui em si uma força de vida, por isso o tratavam com temor e respeito.

Estudos acurados sobre a terminologia da palavra “sagrado”, encontram no latim sancire (sancionar) uma de suas raízes mais autorizada. Assim, etimologicamente, significaria conferir validade, conferir realidade. Fazer com que algo se torne real. O sagrado sustenta a vida cotidiana e a abre ao transcendente, tornando-o parte da sua experiência. Quando se perde o recurso ao sentido, especialmente numa cultura como a nossa, onde prevalece mais o comoque o porque, a tendência é não querer mais suportar a dor, o sofrimento, os lutos. Não se pode mais compreender o sofrimento, a morte, a finitude humana. Corre-se o risco do desespero, da fuga nas mais diversas formas, ferindo ainda mais a vida da pessoa. Muitas vezes me questiono se a chamada crise de sentido, que muitos hoje denunciam, não tem a ver com um certo vazio do sagrado.

O sagrado está relacionado com a questão do sentido, da realidade que transcende o homem, mas que, ao mesmo tempo, não lhe é indiferente, nem o desinteressa. Muito acertada é aquela afirmação de Klaus Hemmerle para quem o sagrado é “o intocável que me toca”. O mesmo autor dizia que “só no contato com o sagrado eu tenho em mim a felicidade e sou libertado da insegurança e da falta de fundamento de mim mesmo”.

É preciso ainda reconhecer que, neste campo, se sofre alguma influência de Nietzsche, Marx e Freud, que fizeram uma leitura de certos fatos culturais, particularmente os fatos religiosos, como sintomas de processos escondidos, de natureza bem diferentes e, de certa maneira, coincidiam em ver a religião como projeção de desejos meramente humanos que ganhariam no mito a força da transcendência. Um certo “preconceito” filosófico foi sendo desenvolvido, portanto, especialmente nos últimos séculos.

O cristão ao rezar, implora que o nome de Deus, que é Pai, seja santificado. Com isso, pede-se que a forma única que Ele tem de ser Pai seja respeitada, não se confunda com uma projeção nossa, nem com nenhuma experiência humana que embace o brilho do verdadeiro rosto de Deus. O rosto de Deus é amor, misericórdia, e foi mostrado em Cristo. E a coerência do cristão tem a ver com a tradução na vida do dia a dia desse rosto de Deus. Respeitar o sagrado, é aproximar as pessoas do verdadeiro ser de Deus que se aproximou de nós. Na perspectiva cristã, o sagrado não é distante, mas deve ser respeitado porque toca ao essencial da vida e, por isso mesmo, tem a ver com a salvação da pessoa na sua integridade. Proteger o sagrado é proteger a possibilidade de viver a vida com o seu verdadeiro sentido. Já Irineu de Lyon dizia no século II, que “a glória de Deus é o homem vivo”. Quando se respeita o sagrado, no seu autêntico sentido, a vida manifesta toda a sua força.

 

Artigo de Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu e Vice-presidente do Regional Leste 1 – CNBB

 

Igreja no Rio lança campanha de ajuda ao desabrigados pelas chuvas

janeiro 31, 2020 / no comments

A Arquidiocese do Rio de Janeiro, através da Cáritas Arquidiocesana, está mobilizada para ajudar os desabrigados de cidades do Norte e Noroeste fluminense.

As chuvas que começaram no dia 24 de janeiro afetaram ainda cidades dos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais, com desalojados e vítimas. De imediato, a pedido do arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, a Cáritas enviou R$ 10 mil para a Diocese de Campos (RJ) e mais R$ 10 mil para a Diocese de Cachoeiro de Itapemerim (ES).

“Deposite sua colaboração na conta da Cáritas da Arquidiocese do Rio e nós encaminharemos para os necessitados”, pediu Dom Orani, através de um vídeo, disponibilizado nas mídias sociais da arquidiocese.

O apelo também está sendo feito pelo vigário episcopal para a Caridade Social, monsenhor Manuel Manangão, que está coordenando a campanha de solidariedade. “Diante das tragédias das enchentes que atingiram as regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, venho apelar para a caridade e generosidade de todos, cujos recursos serão enviados para ajudar as necessidades imediatas”, disse monsenhor Manangão, sinalizando que as contribuições financeiras podem ser feitas em:

Banco Bradesco
Agência: 814-1
Conta Corrente: 48500-4
Em nome da Cáritas Emergências
CNPJ 34.267.971/0001-14.

 

O projeto “Missão do Amor que Cura”, mantido pelo Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, também promove campanha, recebendo doações de água mineral, alimentos não perecíveis, material de higiene, roupa de cama, toalhas, colchonetes e material de limpeza.

Segundo o diretor do hospital, padre Paulo Batista, o “local de coleta das doações fica na sede da própria instituição, situada na Rua Conde de Bonfim, 1033, na Tijuca, e pode ser feita a qualquer hora”.

 

Colaboração: Carlos Moioli – ArqRIo