Igreja Católica no Rio de Janeiro realiza lançamento da 6º Semana Social Brasileira

setembro 25, 2020 / no comments

Igreja Católica no Rio de Janeiro realiza lançamento da 6º Semana Social Brasileira

Na próxima sexta-feira, 2 de outubro, as Dioceses que compõem o Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançarão por meio de uma atividade online no Facebook e YouTube, a 6ª Semana Social Brasileira (6ª SSB).

Essa edição apresenta a proposta de mobilizações com o tema central: Mutirão pela Vida: por Terra, Teto e Trabalho. Uma inspiração a partir dos três “T”, que foram gestados no 1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa Francisco, em outubro de 2014, em Roma. No discurso Francisco convocou: “Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.

Para Dom José Reginaldo Adrietta, bispo de Jales (SP) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, a 6ª SSB assume o compromisso com novos valores e novas formas de convivência entre os seres humanos e com todos os seres da Terra. O contexto para motivar a sua realização tem aspectos da realidade social, econômica e política do Brasil, que desafiam a sociedade brasileira a dialogar, aprender, avaliar, questionar, sugerir soluções, participar dos processos que definem o futuro do país e, sobretudo, fortalecer as formas de organização popular na luta por direitos essenciais negligenciados. “A questão da moradia, do teto, está na reflexão central da Semana Social Brasileira porque, em primeiro lugar, é um problema fundamental na sociedade brasileira. Não seremos autenticamente democráticos se não tivermos esse direito garantido a todos e todas”.

 O evento de lançamento promovido pela Igreja no Rio de Janeiro será transmitido pelas Redes Sociais das Dioceses e do Regional Leste 1 – CNBB no Facebook e YouTube a partir dás 20 horas e terá a presença dos membros da Presidência da entidade e a assessoria de Dom Roberto Ferrería Paz, bispo de Campos dos Goytacazes. Também participarão do encontro online o Sr. Tobias Tomines, o Padre Alcindo Martins Milena e Dom Luciano Bergamin, bispo emérito de Nova Iguaçu.

Você poderá assistir o evento em www.cnbbleste1.org.br/6ssb

Assista o vídeo de convocação para o Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira

 


 

O sentido da vida e o Evangelho

setembro 19, 2020 / no comments

O sentido da vida e o Evangelho

 

O “setembro amarelo”, com a sua proposta de saúde e equilíbrio mental,é sempre uma boa provocação para perguntar-nos sobre o sentido da vida.

Viktor Frankl (+1997), psiquiatra austríaco sobrevivente de Auschwitz e fundador da logoterapia (terapia do sentido da vida), entendeu, na dura experiência do campo de concentração que, mais do que sede de poder (Adler) ou sede de satisfação das pulsões (Freud), o ser humano é sede de sentido. E quando isso não é atendido, a tendência é adoecer. A falta de sentido, segundo ele, seria a grande ameaça que estaria adoecendo as pessoas do nosso tempo.

O fundador da logoterapia, ao citar Nietzsche,lembrava que “quem tem um porquê viver, suporta o como”. A pauta das nossas escolhas falado sentido que atribuímos à existência, mesmo inconscientemente. Somos movidos pelo sentido.

A religião, fazendo parte da experiência humana desde os primórdios, é expressão da transcendência do sentido da vida. Ao oferecer respostas à dor, ao sofrimento eà morte, a experiência religiosa contribui para que a vida se dilate a horizontes que respondem à sede de infinito que trazemos dentro de nós. A visão materialista não é capaz de satisfazer, pois sufoca o coração humano que tende ao infinito.

Lançando um olhar simples para o Evangelho, vemos que Jesus, na sua mensagem, oferece um sentido maior à vida, apresentando-se Ele mesmo como “caminho, verdade e vida”. O encontro com Cristo no percurso da história encheu de sentido a vida de muitas pessoas que, por sua vez, compartilharam este sentido com outros.

Nada mais começar sua atividade pública, Ele pregou sobre a oportunidade daquele tempo em que lhe correspondia inaugurar. Com Ele chegou o “tempo da graça”, o kairós, em linguagem bíblica.

Trata-se de uma realidade que não se impõe, levando em grande conta a liberdade de cada um. Para isso, convidava as pessoas a acolherem com fé a sua mensagem através da experiência da “metanoia”. O sentido desta palavra grega,que normalmente traduzimos como conversão,indica mudança de mentalidade, de direcionamento. A cada tempo novo correspondem novas exigências e novos aprendizados para entrar na posse do sentido que sempre é o que move o ser humano e é maior que ele.

A direção indicada por Jesus é o Reino de Deus que, com Ele, acaba de chegar.

Sobre este Reino, ao longo da história muito se escreveu e muita opinião foi dada. Mas aqui interessa-nos simplesmente lembrar que o reinado de Deus é o senhorio de Jesus Cristo. Entrar na sua lógica de amor a Deus, ao próximo e nas consequências que ela supõe.

Assumir o reinado de Deus como direção da vida significa colocar a pessoa de Jesus Cristo no lugar que lhe cabe, ou seja, no centro da própria existência. É verdade que isso supõe a fé na sua pessoa. Por isso, junto com o convite à conversão, Jesus pede que se creia na Boa Nova, na força transformadora da sua mensagem.

Com a distância de 21 séculos nós podemos certamente dizer que a mensagem de Jesus fez muito pelo mundo através de muitos discípulos seus que se comprometeram de verdade com a sua Palavra. Hoje, com muita facilidade apontam-se erros do presente e do passado. Se quisermos ser justos temos que ir além e, com honestidade intelectual, ser capazes de reconhecer que a fé cristã contribui para um mundo cheio de perspectivas positivas para a humanidade. Basta lembrar o valor do conceito de pessoa e de sua dignidade e a consequente promoção humana que isso supôs. Quantas iniciativas a favor da humanidade foram inspiradas na fé cristã: os hospitais, as universidades, o aprofundamento no conceito de justiça conjugado com a misericórdia, o direito à liberdade de consciência acima de qualquer regime político e contra as decisões da maioria, a contribuição para o fortalecimento das culturas e a sua purificação daquilo que diminui a dignidade da pessoa, a reflexão ecológica, etc.

Em um mundo de tantas vozes e incertezas, as testemunhas do Evangelho vivido fazem ressoar o apelo simples de Jesus: convertam-se e creiam na Boa Nova.

 

Artigo de Dom Gilson Andrade da Silva, bispo de Nova Iguaçu e Vice-presidente do Regional Leste 1 – CNBB.