Liturgia no Curso anual do clero da Diocese de Nova Friburgo

Entre os dias 3 e 5/6 o Clero da Diocese de Nova Friburgo esteve no Seminário Diocesano Imaculada Conceição para o Curso Anual. A abertura da programação foi feita pelo Bispo, Dom Edney Gouvêa Mattoso, na manhã de 3/6. Este ano, o tema do encontro é ‘A espiritualidade litúrgica’, sendo o Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, Dom Armando Bucciol, o palestrante. Ao longo da programação, os sacerdotes participaram de Santa Missas, palestras, momentos de oração, partilha e confraternização. O encerramento aconteceu na tarde do dia 5, sendo que às 11h, Dom Edney presidiu a Santa Eucaristia.

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Abertura

Para iniciar o encontro, foi oferecido aos sacerdotes um café da manhã na casa de formação. Posteriormente, todos se dirigiram ao auditório para a abertura oficial do curso. Na oportunidade, Dom Edney agradeceu a presença de todos e apresentou o palestrante.

– É uma alegria estarmos juntos para partilhar dias não só de convívio, mas também de formação. Este ano, quem vai nos falar é Dom Armando Bucciol, que dispensa apresentação do currículo, pois a sua própria pessoa, sua sabedoria, já nos remete a um conhecimento profundo do tema da Liturgia. Dom Armando é Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB e com muita generosidade aceitou nos dar essa formação durante esses dias, o que pode ter certeza Dom Armando que é motivo de grande alegria e honra para todos nós.

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Palestra

Após as palavras do Epíscopo, o palestrante também fez seus agradecimentos antes de discorrer sobre o tema. “Obrigado Dom Edney por sua generosidade e amizade”.

– Estou aqui com muito prazer e amizade para com vocês irmãos no ministério. Estudei um pouco de liturgia na minha juventude e depois comecei a estudar mesmo quando fui escolhido Presidente da Comissão da Liturgia. Venho como irmão compartilhar com vocês minhas reflexões e experiências – complementou Dom Armando.

Logo após, o Bispo contou um pouco de sua história e disse que “falar de liturgia, sobretudo, aos padres, é um grande desafio”. No início de sua reflexão, Dom Armando abordou o que é a liturgia.

– O objetivo dessa reflexão introdutiva pretende ser este: viver com intensidade e maior proveito espiritual esses momentos de graça, verdadeiros kairós em nossas vidas de cristãos e de pastores. Na maioria das vezes, quando falamos de liturgia nos estudos e nas conversas, ficamos considerando o como da liturgia. Penso que antes de considerarmos o como, é preciso perguntar a respeito do por que da liturgia? Do que é a liturgia na Igreja Cristã? – indagou o Epíscopo – Esta é a minha pergunta: Quanto as nossas liturgias podem ser chamadas de liturgias cristãs? Quais as condições e as características que tornam cristãs as celebrações da Igreja?

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E complementou. “O questionamento mais próprio para nós seguidores de Jesus deve levar as características próprias de uma liturgia que pretende ser cristã. Sabemos que todas as tradições possuem sua liturgia. Poderíamos afirmar que toda instituição tem os seus ritos”.

Depois, o palestrante foi apresentando diversos teólogos e seus pensamentos. Falou ainda sobre a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, que tratou da questão da renovação litúrgica da Igreja, lembrando que “sem sombra de dúvida, a intenção do Concílio foi de dar a Igreja uma liturgia mais fiel ao Evangelho e a busca da fidelidade deve ser permanente”.

Dom Armando apresentou aos presentes um vídeo sobre o Concílio Vaticano II e uma abordagem do primeiro Bispo da Diocese de Nova Friburgo, Dom clemente Isnard, que esteve presente no Concílio e que atuou como Membro do Conselho para Execução da Constituição de Liturgia (1964-1969), Secretário Nacional de Liturgia (1964), Presidente do Departamento de Liturgia do CELAM (1979-1982), Membro da Congregação para o Culto Divino do 1º Sínodo dos Bispos em 1967, dentre outras atividades.

Depoimento

O Assessor Diocesano de Liturgia, Pe. Rafael Archetti, destacou a importância do tema no curso de atualização do clero 2018.

– A espiritualidade litúrgica que nos é proposta como tema deste Curso Anual faz-nos perceber a centralidade do Mistério que Deus nos convida a celebrar. É Ele quem concede à Igreja os meios para render-Lhe graças, louvá-lO e, pelo Espírito Santo que reza em nós, conduz nossas orações e súplicas. Quanto mais – nós padres – percebemos este protagonismo de Deus na ação litúrgica da Igreja, mais nos damos conta de que somos meio, instrumentos da graça que Ele derrama sobre os corações, servidores da Liturgia. E antes de qualquer objetivo externo, vamos nos dando conta de que somos os primeiros destinatários deste cuidado divino, que aprofundamos com uma melhor e reta compreensão da essência evangélica da Espiritualidade litúrgica.

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Santa Missa de encerramento

Às 11h do dia 5/6, aconteceu na Capela do Seminário a Missa do último dia do curso. Presidida por Dom Edney, a Eucaristia foi concelebrada por Dom Armando e pelos sacerdotes presentes, contando com a participação de diáconos, seminaristas e leigos.

Dom Edney pontuou logo no início de sua pregação a relação entre a primeira leitura (Am 7,10-17), o salmo (Sl 18) e o Evangelho (Mt 9,1-8) e destacou a missão recebida na ordenação sacerdotal. “Temos uma missão que nos foi dada por Deus: anunciar a Boa Nova do Senhor. E esse anúncio muitas vezes implica em renúncia daquilo que de fato não está concertando com a Palavra de Deus”.

O Sucessor dos Apóstolos afirmou ainda que “o verdadeiro profeta é aquele que sabe fazer exatamente esta dinâmica que a Palavra nos coloca: de um lado anunciamos o Reino de Deus, mas do outro, somos chamados a denunciar, e muitas vezes com veemência, aquilo que contradiz a presença do Reino de Deus no meio de nós. E, muitas vezes, dizer essas coisas não agrada”. E complementou. “Devemos ser populares, ou seja, do povo, mas não ceder ao populismo”.

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Concluindo, Dom Edney suplicou. “Que Nosso Senhor nos inspire por meio do Seu Espírito, a sermos fiéis àquilo que Ele nos pede e tenhamos sempre a consciência, como nos disse a oração da coleta de hoje: somos servos, fomos tirados do meio do povo para servir ao povo de Deus nas coisas que Ele deseja fazer”.

Após a bênção final, o clero se reuniu para o almoço de confraternização e, na parte da tarde, participou da última palestra e do encerramento do Curso 2018.

Texto e fotos: Monara Teixeira