“Eis na lapa Jesus nosso bem!”

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo  de Campos (RJ)

A palavra lapa parece, em português, ser mais expressiva que gruta ou caverna, evocando melhor o sentido de abrigo, carinho e proteção que queremos oferecer ao Menino Deus. O Natal desperta, na Humanidade, os sentimentos que nos tornam atentos, gentis e fraternos, desenvolvendo o altruísmo e a dádiva nos corações mais fechados e endurecidos.

É a festa das raízes e do valor do ser humano, voltamos a renascer com Cristo, pois, como afirmava com propriedade a poetisa Cecília Meireles, Uma vez no ano recordamos o Nascimento de Cristo, mas quantas vezes Ele nasce nas nossas vidas e na nossa história". Celebramos com Jesus as origens da nossa família que, como o pinheiro de Natal, oferece uma genealogia que nos leva agradecer o Dom da vida, transmitido com amor e fé.

 Era comum nas árvores de Natal de alguns países colocarem, no lugar da Estrela no topo, o primeiro Adão do qual descendemos todos (as). Por isso, anunciar o Natal é sempre desejar a plenitude da vida e a Paz do Reino. Nisto consiste a essência do verdadeiro Natal: “a festa da pobreza de Deus que se humilhou a si mesmo assumindo a natureza de escravo; de Deus que se esconde dos inteligentes e sábios e se revela aos pequeninos, aos simples e aos pobres (Papa Francisco). Deus ensina, de fato, desde a lapinha e a manjedoura, que para ser pessoa de nossa estirpe humana, o importante é dar, e não tomar; servir, e não dominar; nutrir e cuidar e não depredar.

A esperança natalina da paz, que brota luminosa na Noite Santa, e a boa vontade para com todas as pessoas e criaturas, não pode ser desprezada como se fosse uma utopia inútil, afirmava Martin Luther King. É encantador e maravilhoso que Deus venha morar conosco como um vizinho e peregrino, fazendo parte da aventura humana com seus riscos e desafios, assumindo com alegria e humildade a experiência de ser um estreante na vida.

Aprendamos com Ele, a criança divino-humana, a celebrar e vivenciar cada instante da nossa existência com júbilo renovado, na certeza de sermos amados com amor eterno, incondicional e singular de um Pai que nunca desiste de encontrar aos seus filhos/as. Deus seja louvado!