Ano Mariano é encerrado solenemente por Dom Edney na Catedral de Nova Friburgo

Tapete e chuva de pétalas de rosas, manto com pedras preciosas, coroa de ouro e brilhantes, troca de manto e coroa da imagem peregrina, canções, Ofício da Imaculada, Santa Missa e crianças recordando os pescadores foram as manifestações de amor e devoção expressas pelo Clero e fiéis na noite de 12 de outubro na Catedral Diocesana São João Batista, em Nova Friburgo. Na ocasião, a Igreja Católica celebrou os 300 anos do encontro da imagem da Mãe Aparecida no Rio Paraíba.

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Com o templo lotado de fiéis balançando lencinhos brancos e azuis, a cerimônia foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Edney Gouvêa Mattoso, e concelebrada por diversos sacerdotes. Confira o que aconteceu.

Tapete de Rosas

Desde às 7h desta quinta-feira, membros de Pastorais, Movimentos e da obra social da Catedral, juntamente com o Vigário Geral da Diocese e Pároco, Pe. Marcus Vinicius Macedo, prepararam um tapete de rosas para a Solene Celebração Eucarística em honra a Nossa Senhora Aparecida. Os 33m do corredor central da porta santa até o presbitério foram cobertos por desenhos feitos com pétalas de mais de duas centenas de dúzias de rosas. Antes de iniciar a confecção do tapete, Pe. Marcus conduziu um momento de oração e abençoou as flores e a equipe de trabalho.

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O responsável pela reprodução dos desenhos foi o paroquiano Marcílio Fernandes da Silva, que expressou sua alegria e gratidão a Mãe de Deus por participar desta festa.

– Faço parte dos paroquianos da nossa Catedral São João Batista com muita honra e privilégio de poder servir ao nosso Bom Deus e a Nossa Mãe, nossa Intercessora, Protetora, que hoje comemoramos nesta festa belíssima que preparamos com todo carinho e cuidado. Foi uma equipe fantástica que Deus nos proporcionou, que fez com que pudéssemos louvar a Jesus por meio de Sua Mãe. A princípio foi uma audácia, pois não imaginava que conseguiria idealizar todo este trabalho. Trabalhamos em conjunto, isso é o sentido de ser Igreja. E, por sermos Igreja, alcançamos esse lindo objetivo que todos os estão vendo.

Ofício da Imaculada e entrada das Bandeiras e da Imagem de Nossa Senhora Aparecida

Às 18h, aconteceu o Ofício da Imaculada, conduzido pelo Coordenador Diocesano da Renovação Carismática Católica (RCC), Flávio Dias. Logo após, Dom Edney presidiu o momento da entronização das bandeiras dos 19 Municípios que compõem o território da Diocese de Nova Friburgo, que foram levadas pelos Seminaristas. Neste momento, também foi feita a leitura de um breve histórico do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1717.

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Posteriormente, a imagem da Virgem entrou na Catedral em um andor conduzido pelo Terço dos Homens desta comunidade. Esta réplica estava ornada com o manto cravejado por 584 pedras preciosas brasileiras – representando a riqueza mineral do país e as múltiplas expressões da piedade popular em honra à Mãe Aparecida – e uma coroa de ouro e brilhantes. Estes presentes foram confeccionados como reconhecimento pelos inúmeros benefícios alcançados ao longo da preparação para os festejos dos 300 anos. Para receber Nossa Senhora, os fiéis portavam velas, que foram acesas pela equipe da Catedral, e cantaram “A Padroeira”.

Após este momento solene, o Epíscopo falou aos fiéis sobre ofensas e blasfêmias contra a fé Católica, de modo especial contra a Santíssima Virgem.

– Fizemos antes da Solene Celebração Eucarística esta singela homenagem à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Uma imagem que apareceu nas águas do Rio Paraíba do Sul, como ouvimos no relato histórico, e que ganhou o coração do povo brasileiro não só pelos milagres que aconteceram, mas por tantos sinais de Deus que esta pequenina imagem agrega – disse o Bispo lembrando o contexto do encontro em 1717.

– A terra de Santa Cruz recebe aquela que seria a Mãe de todos os brasileiros, trazendo já em si uma mensagem que era absolutamente necessária naquele tempo e talvez em nossos tempos também. Ela veio enegrecida, enegrecida pelo lodo do fundo do rio, pela turbidez das águas, depois pela fuligem das velas… não importa como ela assumiu essa coloração, importa o conteúdo simbólico que ela agregou. A Mãe de Jesus é Mãe de todos os homens. É Mãe de todos! Dos brancos, dos pretos, dos amarelos, dos vermelhos. É a Mãe de todas as raças e com isso denunciava a gravidade de uma chaga que se abriu na história do Brasil chamada escravidão – relatou Dom Edney comentando os sinais deixados por Maria ao longo da história da humanidade.

Ao longo de sua explanação, o Bispo também lembrou o ataque à imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional, em 1978, quando uma pessoa se lançou sobre a réplica e esta se quebrou em centenas de pedaços. Fez ainda um paralelo com as intolerâncias sofridas pelo catolicismo nos últimos tempos.

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– Digo que isso também é simbólico, pois anos e anos depois, já em nossos dias, o povo católico, o povo cristão, experimenta a intolerância. Nas últimas semanas, acompanhamos pelos jornais tantas expressões de ódio, verdadeiro ódio à fé católica e de modo especial a Virgem Maria. Exposições, artistas que chamam de arte o que a constituição chama de vilipêndio dos sinais religiosos de todo um povo, de uma nação. Vemos que aquele gesto triste, mas simbólico, era uma prefiguração do que estaria acontecendo em nossos dias. A imagem da Virgem é uma bela representação da Igreja, que é cabeça e corpo.

E complementou. “A Igreja de Cristo é cabeça e corpo. A cabeça sozinha não é a Igreja, o corpo sozinho também não. A Igreja é constituída quando o corpo está unido à cabeça. Mais outro sinal trazido por esta singela imagem”.

Ainda sobre o ataque de 1978, recordou as palavras da restauradora da imagem de Aparecida.

– Outro sinal muito singelo, dito pela própria restauradora que reconstituiu toda a imagem, é que tudo foi quebrado, menos as mãos. As mãos postas de Nossa Senhora ficaram intactas quase que a nos dizer: ‘as ofensas que os filhos dirigem a Mãe não a impedem de continuar rezando por eles’. Não a impediu de prosseguir rezando por eles como continua a não impedir que a Mãe de Deus e nossa reze também por esses que ofendem, que agridem, a fé de um povo. As manifestações que estão acontecendo hoje em todo o território nacional querem de fato expressar uma resposta católica a tantas ofensas. Enquanto muitos blasfemam contra Mãe de Deus e contra a própria fé, nós nos levantamos para honrar da melhor maneira possível, com aq uilo que podemos, com gestos também simbólicos como os que fizemos aqui.

“Ninguém vai calar a fé de toda uma nação! E, por isso, contamos com a assistência materna de Nossa Senhora, que nos fortalecesse, que nos ajuda, que caminha conosco, que não nos deixa esmorecer”, acentuou Dom Edney.

Santa Missa

A Santa Missa foi presidida pelo Sucessor dos Apóstolos e concelebrada pelos Padres Marcus Vinicius Macedo, José Ruy Corrêa Junior, Fernando Pacheco, Cláudio Menezes e Antônio Leão. No início da cerimônia Dom Edney disse que “com a celebração que precedeu a Santa Missa quisemos homenagear a Santa Mãe de Deus e nossa, a Senhora Aparecida. Agora, oferecemos o Sacrifício de ação de graças por tantos benefícios concedidos a nós, ao nosso povo”. O presidente da cerimônia também saudou os sacerdotes e as autoridades presentes.

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Em sua pregação, o Bispo falou sobre a intercessão, atitude encontrada na primeira leitura, quando Ester clama em favor do seu povo que estava ameaçado de morte, e no Evangelho, quando Maria intercede junto a Jesus nas Bodas de Caná.

– No texto do livro de Ester, a rainha foi até o rei e arriscou a própria vida para interceder em favor do seu povo. Nas Bodas de Caná, Maria manifesta sua vocação. Primeiro, a vocação de Mãe. Depois, a Mãe solicita, atenta, que está pari passu acompanhando as dificuldades dos seus filhos, principalmente, daqueles que mais necessitam. Se passássemos o olhar pela nossa história, pela história da Igreja, veríamos muitas narrativas de aparições da Virgem Maria em momentos cruciais, seja para um povo, seja para a humanidade – afirmou o Bispo lembrando também do centenário de Fátima e o contexto das aparições.

“Muitas vezes somos acusados de intolerantes quando somos as verdadeiras vítimas da intolerância, junto com outras expressões religiosas. Você não tem mais o direito de professar a sua fé, seja ela qual for. Vídeos e vídeos na internet se multiplicam mostrando esse tipo de realidade”, disse o Epíscopo a respeito dos desafios vivenciados na atual sociedade.

– Vejam o Ensino Religioso nas escolas: não sossegaram enquanto não levaram para o Supremo Tribunal Federal a questão da inconstitucionalidade deste tema, e o Supremo dá ganho de causa à constituição. O Ensino Religioso Confessional é constitucional sim! Óbvio que não é a confissão católica, alguns dizem isso, mas não é verdade. Pois é confessional para o aluno e não para a instituição – disse Dom Edney frisando que não é somente a religião católica que deve ser oferecida para os alunos, uma vez que estes possuem o direito de expressar qual ensino religioso desejam.

“Uma sociedade sem Deus se desmancha e se transforma em selvageria. E, predominará a lei do mais forte, como já vemos em algumas instituições, inclusive em instituições escolares: professores ameaçados pelos alunos, atentados, muitas coisas”.

Sobre a segunda leitura, extraída do Apocalipse de São João (Ap 12,1.5.13a.15-16a), Dom Edney recordou que a mulher perseguida pelo dragão até os dias de hoje é a Igreja. Falou ainda sobre os ataques contra Nossa Senhora. “Talvez o alvo mais pretendido seja a figura de Nossa Senhora. Por que tantos ataques à figura de Nossa Senhora? Por que ela incomoda tanto?”, questionou o Prelado. “É sempre Nossa Senhora o alvo privilegiado do vilipêndio, da ofensa. Sabem por quê? Porque ela está em nosso coração, pois sabem que atingindo este símbolo, atingem aquilo que temos de mais querido da nossa fé”.

– Que tudo isso que nos acontece tenha um único desfecho: afervorar a nossa fé, o nosso brilho. Não permitirmos que a nossa fé seja enxovalhada, pisada. Não podemos permitir isso! Manifestemos a nossa fé a quem quiser ver. Fico muito feliz com o nosso povo aqui em Nova Friburgo, pois as manifestações públicas de fé, normalmente são muito bonitas, no Corpus Christi, na Semana Santa e em tantas outras ocasiões, sem falar da participação tão expressiva nas Missas Dominicais. Lembremo-nos que a coroa mais bonita que podemos colocar na cabeça de Nossa Senhora é a nossa vida voltada para Cristo, a nossa vida pautada pelo seguimento de Jesus Cristo. Essa será a mais bela coroa, esse será o mais belo manto que podemos oferecer a Ela – concluiu o Bispo.

Troca do Manto e Coroa

Antes da bênção final, três meninos representando os pescadores Felipe Pedroso, João Alves e Domingos Garcia, que descobriram a imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba, levaram o manto e a coroa para a troca destes ornamentos na imagem peregrina da Catedral, que foi entronizada em outubro de 2016. Os próprios jovens, com o auxílio do Prelado, colocaram o manto e coroaram a réplica que veio do Santuário Nacional, em São Paulo. Logo após, Dom Edney entronizou a imagem novamente em seu nicho.

Bastidores do Amor

Para concluir a festividade dos 300 anos, não poderiam faltar os tradicionais agradecimentos àqueles que trabalharam para que este momento acontecesse. Pe. Marcus, homenageou o Bispo, as freiras responsáveis pelos bordados, o ourives e paroquianos que confeccionaram o tapete de rosas e ajudaram na preparação para este dia.

– É dever de justiça proferir umas palavras de gratidão. Em primeiro lugar Dom Edney, gostaria de expressar ao senhor a nossa mais sincera e filial gratidão pelo incentivo, pelo apoio, e mais do que isso, o exemplo de devoção a Santíssima Virgem. Hoje, toda a comunidade quer colocar o senhor aos pés da Virgem como esses pescadores, para que seja ainda mais um pescador de homens.

E continuou os agradecimentos.

– Preciso também manifestar meu sentimento de gratidão pelos movimentos, pastorais, obra social e pelo laicato desta igreja, que desde às 7h, capitaneada pelo Marcílio, a quem também expressamos o nosso fervoroso muito obrigado, por terem feito esse maravilhoso tapete de pétalas de rosas. Na aurora deste dia, estava um generoso grupo, não entregando o seu tempo, mas o seu coração para que a Mãe de Deus passasse num tapete de pétalas de rosas. Todas as pétalas foram abençoadas – afirmou o sacerdote dizendo aos fiéis que podiam levar as flores como recordação deste dia.

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O Bispo convidou todos os que trabalharam para que fossem ao presbitério. “Fiz questão que eles viessem ao presbitério, pois às vezes ouvimos falar o nome, mas não sabemos quem é a pessoa e muito menos o que está por trás de cada uma delas”. O Prelado testemunhou o serviço, o esforço, a dedicação e o amor dos que estavam ali ao seu redor, frisando o que cada um fez. “Não poderia sair daqui sem dizer isso, pois estes são os bastidores do amor, que motivaram todo este trabalho”.

Dom Edney, fez seus agradecimentos: as Irmãs do Instituto Imaculado Coração de Maria e São Miguel Arcanjo, que residem em Bom Jesus do Itabapoana e bordaram cuidadosamente o manto da imagem que entrou na procissão; ao Sr. Raimundo Rodrigues Silva, ourives responsável pelo cravejamento das pedras preciosas neste manto; as irmãs do Carmelo de Santa Teresinha, mosteiro de Carmelitas Descalças situado na Arquidiocese de Aparecida/SP, que bordaram o manto da imagem peregrina da Catedral; ao Clero e aos seminaristas; aos fiéis que ornamentaram este templo; ao Ministério Emanuel e aos Corais da Catedral e Cantomusarte; e, a todos que colaboraram direta e indiretamente para que tudo fosse realizado. Agradeceu também a presença do Prefeito de Nova Friburgo, Sr. Renato Bravo, da Primeira Dama, C ristina Bravo, e do Vereador Pierro Moraes e sua família.

“Tudo isso foi pensado para que a Catedral de Nova Friburgo, nesses 300 anos que a imagem de Aparecida está entre nós, pudesse prestar esta homenagem”, finalizou o Bispo.

Texto: Monara Teixeira
Fotos: Bessane Neto e Grasiele Guimarães
Do site da Diocese de Nova Friburgo