Fazer o bem sem olhar a quem: Padre Jorjão: 25 anos de serviço ao povo de Deus

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Você sabe quem é o Padre Jorge Luiz Neves Pereira da Silva? Dessa forma talvez você não lembre… Mas se a pergunta fosse: você conhece o Padre Jorjão? Melhorou muito, né? É com esse apelido carinhoso que todos sempre o acolhem por onde passa, desde sua ordenação sacerdotal, cujo jubileu de prata foi comemorado na última terça-feira, 8 de agosto.

São 25 anos de entrega a Deus. São 25 anos de muito trabalho diário ao povo do Rio de Janeiro. A família carioca toda o conhece, dos mais novos aos, como sempre brinca, “jovens há mais tempo”. As crianças, a quem chama carinhosamente de “bombinhas”, se divertem quando são erguidas por ele e recebem a bênção, fazendo o sinal da cruz. Os jovens, por quem tem tanta admiração, acolhem o sacerdote como dirigente espiritual na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e em tantas outras igrejas. Alguns deles cresceram ouvindo seus conselhos, namoraram e, quando chegou o tempo do matrimônio, já tinham certo na cabeça: “Quem vai fazer meu casamento é o Padre Jorjão!”. Os idosos escutam atentos os seus conselhos, que nunca deixam de ter uma palavra de fé, ânimo e coragem. E é assim que todos que acompanham a caminhada o consideram: um pai espiritual.

Movido sempre pelo amor e pela caridade, o incansável padre também tem o olhar atento aos mais necessitados, visitando orfanatos, asilos, casas de repouso, entre outras instituições de assistência social. Pela população em situação de rua tem um carinho especial, escutando e aconselhando quem encontra. Nessa missão teve o incentivo de um grande amigo carioca que hoje está no caminho de se tornar santo, o Servo de Deus Guido Schaffer. Antes e depois de sair pelas ruas da cidade, curando feridas e levando a Palavra de Deus, o jovem médico e seminarista sempre rezava ao Pai do Céu e também pedia o aconselhamento do “pai” aqui na terra, como Guido considerava Padre Jorjão.

Nos últimos anos, o sacerdote passou por alguns momentos marcantes. Um deles foi realizar o sonho de ajudar a organizar e participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho de 2013, e estar com Papa Francisco no encontro com representantes da sociedade civil, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele entregou uma imagem de São Francisco, por quem tem devoção, ao Sumo Pontífice. Agora, em 2017, Padre Jorge recebeu o título de cônego, pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, em reconhecimento aos serviços prestados à Igreja Católica.

Uma música que sempre canta nas missas e que também entoou no encontro com Papa Francisco, destaca o mandamento que Jesus Cristo definiu como maior e pode resumir essencialmente o sacerdórcio de Padre Jorjão: “Onde reina o amor, fraterno amor. Onde reina o amor, Deus aí está”. Em entrevista ao jornal Testemunho de Fé, o sacerdote conta curiosidades sobre a vida sacerdotal, do chamado ao aprendizado diário.

Testemunho de Fé: Como surgiu seu chamado à vida sacerdotal?

Padre Jorjão: Começou com uma homilia de Dom Romer em que ele dizia que 90% dos jovens já tinham sentido alguma vez na vida o desejo de ser padre. Eu que já fora coroinha quando criança e que gostava muito de ir à missa e ficar rezando diante da imagem de Jesus crucificado fiquei muito impressionado. Foi então que vi um filme de Zefirelli: “Irmão Sol, Irmã Lua”, sobre São Francisco de Assis. Fui conversar com o frei Ivan, sobre a via Franciscana. Ele era um irmão que cantava como um anjo, nos recebia com um abraço caloroso e um sorriso que nos convidava à amizade. Desde então, fazia parte do grupo de jovens Grupo Alicerce Capuchinhos, e entrei no grupo vocacional, onde conheci Frei José Ubiratan, hoje Bispo Diocesano de Itaguaí, na época mestre de noviços. A partir de então, vinha todos os dias rezar as vésperas com os noviços, participava da missa conventual e da Adoração Eucarística, após a oração das Completas, toda 6ª feira à noite.  Eram momentos de profundo encontro com o Bom Deus, em que descobri que Ele me chamava a consagrar a Ele a minha vida.

TF: O senhor também tem outras formações. Como elas contribuíram para o sacerdócio?

Padre Jorjão: No âmbito religioso, cursei o Mestrado em Direito Canônico e estudei música. Sempre gostei de música. Desde pequeno ouvia minha mãe cantar, e estudei piano. Além disso sempre gostei de estudar línguas estrangeiras, o que me ajudou sobretudo nas Jornadas Mundiais da Juventude, que tive a graça de participar de sua grande maioria.

TF: Quais experiências mais te marcaram na vida sacerdotal? Pode contar uma que tem guardada em seu coração até hoje?

Padre Jorjão: Além das Jornadas Mundiais da Juventude, das quais participei de quase todas, lembro-me com muito carinho do coral de quase 2000 jovens durante o Encontro Mundial das Famílias com o Papa São João Paulo II, um convite que recebi de pessoas muito queridas como Christina Sá e Martucha. Como esquecer daquele momento maravilhoso? No Maracanã e no Aterro do Flamengo, diante de São João Paulo II, com a arquitetura divina ao fundo, sob a multidão das vozes que entoava o canto da missa de Santa Teresinha: “Tua Igreja é um Corpo, cada Membro é Diferente”. Também tenho muito que agradecer ao meu pároco, Monsenhor Manuel, que sempre me apoiou desde o início e me acolheu com muito carinho na Paróquia Nossa Senhora da Paz. Ele ajudou a me tornar o sacerdote que sou hoje com seu exemplo de padre.

TF: Até hoje o senhor já fez milhares de batizados, Primeira Comunhão e casamentos e conheceu muitas pessoas. Uma que esteve muito perto do senhor é o Servo de Deus Guido Schäffer, que está no caminho de se tornar santo. O que esse jovem significou na sua vida?

Padre Jorjão: Foi a primeira confissão que ouvi como sacerdote em minha vida de padre. Conhecê-lo e conviver com ele foi um dos muitos presentes do Bom Deus em minha vida. Convivi com muitos santos, como Frei Otávio Schneider, franciscano de quem estive perto por 10 anos na Nossa Senhora da Paz. Tantos sacerdotes, religiosas e leigos marcaram esses 25 anos mais 13 de formação. Ao todo 38 anos desde que o Senhor me chamou a servi-lo.

TF: O que o senhor aprendeu e o que aprende a cada dia com o sacerdócio?

Padre Jorjão: Aprendi com o Povo de Deus que o que importa é o bem que a gente faz, o amor que semeamos. Todo o resto passa. Ninguém vai se lembrar das homilias que você preparou. Depois da missa, costumo perguntar aos jovens o que disse e eles quase sempre nunca se lembram. Mas as pessoas não se esquecem dos doentes que visitamos, das unções nos hospitais e nas casas, dos funerais que participamos nas horas de dor e de luto. Das vezes em que os ouvimos e, mesmo cansados paramos para lhes dar uma benção ou ouvir suas dificuldades. Lembro-me das palavras de meu venerável professor e pregador de minha primeira missa, Dom Estêvão Bittencourt: “O Padre é o coração de Cristo junto aos homens; o padre é o coração dos homens junto a Deus”. O que fica neste mundo é o bem que nós fazemos. Termino a entrevista com meu amor à Nossa Senhora, a quem consagrei meu ministério desde o primeiro dia, no Santuário da Medalha Milagrosa. Que nossa Mãe amada vele por todos nós, sacerdotes, consagradas e consagrados, para que sejamos fiéis ao seu divino filho, seguindo seu exemplo.

Do site da Arquidiocese do Rio de Janeiro