Por uma agricultura a serviço da vida do povo

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo  de Campos (RJ)

Dia 28 de julho, comemoramos o dia do agricultor, data instituída pelo presidente Juscelino Kubicheck para valorizar o trabalho do homem do campo que expressava a grande maioria da população brasileira que, nos anos cinquenta, era rural. De lá para os tempos atuais, a agricultura passou por muitas modificações.

De terra de trabalho e subsistência para a família, passou a tornar-se mercantil, extensiva e hegemonicamente centrada na monocultura de grãos. Por outra parte, houve um gigantesco êxodo rural, determinando as migrações internas que causaram o inchaço nas grandes cidades em condições precárias com déficit habitacional cada vez mais avolumado.

Enquanto as megacidades vão se tornando inviáveis, são altamente insalubres e violentas, os alimentos ficam mais caros, pois a agricultura não é pensada em termos de segurança alimentar ou nutricional mas para o mercado e a exportação. O Estatuto da Terra e a própria Reforma Agrária foram tarefas inconclusas, haja vista a escandalosa concentração de terras em poucos proprietários,

realidade que herdamos das Capitanias Hereditárias. Segundo os demógrafos, a população mundial, em 2020, será de 8,5 bilhões de pessoas, o que exigirá articulação e um planejamento empenhativo que possa conjugar a garantia do pão e da justiça para todos(as) os habitantes do planeta. O paradigma de desenvolvimento que visa a prioridade e centralidade no agronegócio, e a pecuária de corte, não será sustentável, pois não consegue harmonizar-se com o cuidado da terra e impede a acessibilidade e democratização da mesma, em beneficio da agricultura familiar, orgânica e camponesa. O desenvolvimento comunitário local e a prosperidade eqüitativa passam por equipar melhor os pequenos agricultores familiares e as cooperativas de produção rural, espraiando e distribuindo a renda, e fixando a população em redes de cidades de escala humana, com respeito à sustentabilidade ambiental. Não teremos paz no campo se não protegermos as populações tradicionais e cortarmos seus vínculos e raízes com a terra. A grilagem e o latifúndio são estruturas violentas que expulsam pessoas, forçando-as a irem de encontro a um destino de exploração e exclusão nas cidades. Que o Pai, o Divino Criador e Agricultor, que cuida da terra para que seja um jardim desfrutado por todos os povos, nos faça tomar consciência da responsabilidade social e ambiental, da missão de alimentar a todos os seres humanos. Deus seja louvado!