Iluminar as consciências

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Caros amigos, uma das mais importantes tarefas da Igreja, como continuadora da missão de Cristo, é a de esclarecer ao mundo sobre a verdade, pois Ele veio para “iluminar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte, a fim de guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1, 79). E Ele afirma: “Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê em mim não pereça nas trevas” (Jo 12, 46). Assim, é parte inalienável da missão da Igreja pregar a Verdade de Jesus e “rejubilar-se com a verdade” (Cfr. ICor 13, 6).

Entretanto, pairam sobre as mentes de muitos fiéis, confusões sobre a unicidade da verdade e, por causa de muitas controvérsias de nosso tempo, a maioria das pessoas trata a existência da autenticidade como uma questão sem importância para a vida concreta. Falando deste “cansaço” do homem moderno que o impede de procurar a veracidade dos fatos, alerta o Papa Francisco em sua primeira encíclica Lumen Fidei: “o homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande, para se contentar com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada. Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direção” (LF, 3).

Qual deve ser a posição do cristão ante as confusões de nosso tempo? Como cantamos na conhecida canção: “Onde houver dúvida, que eu leve fé!”. Portanto, cabe aos pastores, e também a todos os filhos e filhas da Igreja, sustentar com ânimo renovado a existência de uma única verdade capaz de dar sentido a todas as coisas. Tal atitude, não é uma imposição exterior ao homem, mas uma resposta aos seus anseios mais profundos de vida, conhecimento e liberdade.

Assim sendo, toda pastoral da Igreja deve seguir o caminho do esclarecimento das consciências, que, muitas vezes, não é paralelo à via da popularidade. Nosso Senhor alerta, desde o princípio da pregação da Boa Nova, que a luta pela verdade é acompanhada por perseguições, mas nenhuma oposição humana é motivo suficiente para renunciar à sua defesa.

Infelizmente, a tentação da comodidade e de não ter problemas é muito grande. Por isso, muitos cristãos se calam, por omissão ou ignorância. Mas, aos que assumem concretamente os compromissos do seu batismo sempre consolará a última bem-aventurança: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10). Deus abençoe a todos!

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo  de Nova Friburgo (RJ)