Entrar pela Porta de ternura e liberdade

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo  de Campos (RJ)

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O quarto Domingo da Páscoa nos convida a contemplar a bela e fascinante figura do Bom Pastor que ama, conhece e dá a vida às suas ovelhas. Num mundo de anonimatos e relações virtuais é muito consolador experimentar o amor de alguém que se importa conosco e sai ao nosso encontro.

Mais, nos anuncia que Ele é a Porta que protege, ampara e conduz para fora, isto é, nos impulsiona a sair de nós mesmos, abandonando as áreas de conforto e apegos, enviando-nos em missão. Cristo chama para projetar-nos sempre além, para buscar novos horizontes e tornar-nos, com Ele e a partir D’Ele, em pescadores de homens e mulheres. Reconhecer sua voz significa abrir-se para o que nos queima por dentro, esse desejo de amor eterno e abrasador que nos leva a maior aventura do ser humano: seguir a Jesus.

É claro que esta caminhada implica em interpretar os sinais do chamado, discernir e escolher não é apenas um percurso solitário nem vazio, precisa de acompanhamento e persistência. Resgatar a disponibilidade, a entrega e a escuta para atender o Cristo que passa e focalizar todas as nossas espectativas e aspirações na ousadia e coragem de dar um sim incondicional.

Ser gratos e generosos para renunciar e optar, com um coração livre, por  este itinerário de uma fé decidida, autêntica e oblativa. Afirmar, como Santo Agostinho, que tinha temor e pânico por não estar, segundo sua própria confissão, preparado para deixar tudo e abraçar com determinação e prontidão a vida e a mensagem do Ressuscitado que passava a seu lado e convidava, como faz hoje.

Neste assumir a vocação cristã estarão presentes ou serão fonte de inspiração, os pobres, a oração que faz ver e caminhar com compaixão e serenidade ao lado dos que sofrem, dos pequenos e amargurados e dos que têm fome e sede de justiça. Cristo fixa seu olhar misericordioso em nosso rosto, aguardando uma resposta concreta, magnânima e plena, introduzindo-nos na alegria de quem vive e gasta sua vida para ser no mundo, e entre os outros, um testemunho e uma presença clara e inequívoca do Bom Pastor.

Que, neste Ano Mariano, Nossa Senhora possa estímular tanto o sucesso deste encontro como a aquisição de virtudes e valores para a Nova Evangelização e, finalmente,  a fidelidade à nossa vocação. Deus seja louvado!