COMUNICAÇÃO PARA A VERDADE E A PAZ

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Pe Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça *

    Muitos falam em paz , mas se afastam da verdade e , com isso, da justiça. Haveria paz sem justiça? Claro que não. Daí a importãncia de se comunicar a verdade, para não se pregar ao vento, praticando em contradição toda sorte de injustiças e na contramão de tudo o que se propaga , semear a desigualdade e a violação aos direitos fundamentais da pessoa humana. Assim iniciamos a nossa reflexão, provocando uma análise crítica sobre todo o comportamento social e mundial que esgota os discursos em defesa da paz , enquanto se forjam as guerras e ,detalhadamente, os projetos de exploração e manipulação do ser humano, como objeto de uso e abuso.

    Vale ressaltar a riqueza da Campanha da Fraternidade promovida pela CNBB ,Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no ano de 1989, exatamente sobre tema “Fraternidade e Comunicação”, com o lema que dá título a este artigo. Nesta, podemos ver a dimensão ética e teológica da comunicação, uma vez que é ” um fenômeno essencialmente humano” e  “expressão da pessoa humana enquanto produz cultura e se orienta segundo os valores de sua dignidade, feita à imagem e semelhança de Deus”.”É na comunicação que a pessoa se afirma e expressa sua liberdade e abertura… plenamente realizada  no reconhecimento e promoção do outro. Por isso o amor é a forma mais plena de liberdade e a maior expressão de comunicação

 ( Texto base números 1 e 4).

     Não podemos ,assim , desvincular a comunicação de seu compromisso ético , se a quisermos como um serviço à pessoa humana e não como um instrumento de deturpação ou desfiguração destruidora da sua dignidade.Afirmamos com o precioso texto da Campanha:

“A ética fundamenta os princípios do agir humano dentro dos valores que garantem os direitos da pessoa , a construção de uma sociedade justa  e solidária , a verdade e a paz. A dimensão ética na comunicação social e o uso dos Meios de Comunicação atingem não só os relacionamentos interpessoais , mas envolvem aspectos sociais, religiosos, econômicos, políticos e culturais da história humana “( Texto base , número 5).

     Constatamos que , quando a comunicação é instrumentalizada e se distancia de sua missão humana natural, desligada de qualquer  valor objetivo social , em prol do bem comum , pela adequação com a realidade, serve ideologicamente a alguns grupos e a interesses egoístas de uma parcela social, numa indecente “ditadura do pensamento único”.Em relação a esta tendência desequilibrada e contraditória , apresenta  o texto da CF 1989, alguns exemplos :

    “- Informações manipuladas distorcidas ou errôneas, em oposição à verdade que liberta, que dá segurança e fundamenta a paz;

     – divulgação de matérias contrárias à dignidade da pessoa humana como o racismo, as múltiplas e sutis formas de discriminação religiosa,social ou política, a pornografia e a exploração da mulher e da criança na publicidade, contrárias à promoção dos direitos das pessoas e à convivência social justa e solidária;

     – a imposição de ideologias do status quo  ou  de mudanças radicais sem respeito à liberdade democrática;

     – o utilitarismo e o estímulo à corrupção frente às exigências de honestidade” (Texto Base, número 6).

    Quanto à imposição de ideologias, vemos atualmente, os inúmeros ataques à estrutura familiar, querendo eliminar a diferença natural entre homem e mulher, a identidade psicossomática de cada pessoa e sua especificidade comprovada cientificamente, forçando uma artificial teoria do gênero, negando a realidade patente da diferenciação que se inclina à complementariedade na família e ,por esta , à realização no amor e à geração e educação dos filhos. Nesta sabedoria psicocorporal e espiritual da natureza está revelado o próprio projeto de Deus : “Deus criou o ser humano à sua imagem…Homem e mulher Ele os criou”(Gn 1,27).” Por isso,deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne”(Gn 2,24; Mt 19,5). Renegando a objetiva e real diferença específica e complementar, querem destruir  o próprio conceito de família, natural, lógico-científico,garantido e consignado na Constituição Brasileira. Tendo sido rejeitado este sofismático projeto de lei no Congresso, não respeitam claramente os princípios democráticos, tentando ditatorialmente impor , através dos planos estaduais e municipais, a ideologia às crianças e adolescentes, camuflando-a nas propostas em meio às questões ambientais ,à educação para não discriminação e eliminação de desigualdades sociais, étnicas…de gênero e orientação sexual. Isso,sem nem mesmo consultar os pais  e nem dar a eles o direito de se manifestar sobre a própria educação ético-sexual dos seus filhos, a quem cabe democraticamente esta primeira responsabilidade e dever civil. Isto é uma manipulação antiética,ilícita e antidemocrática, um desrespeito à Constituição e aos cidadãos, uma agressão à família, base e fundamento, alicerce da  sociedade, escola das virtudes e da  verdade, para a construção da justiça e da paz. Preservemos e defendamos a família, como nos exorta o Papa Francisco , desde o início do seu ministério Petrino, bem como antes em todo o seu pastoreio sacerdotal. “Comunicar a Família” sempre, sua dignidade e insubstituível riqueza e imprescindível missão  de edificar o homem e o mundo.

          E , no domingo da Ascensão, em que celebramos o 51° DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS, o Pontífice nos conclama a “Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”, firmando-nos na Palavra do Deus Pastor que nos assegura: “Não tenhas medo,que eu estou contigo” ( Is 43,5). Expressa em sua Mensagem especial para este dia:

   “Gostaria que esta mensagem pudesse alcançar e incentivar todos aqueles que , seja no âmbito profissional, seja nas relações     pessoais , todos os dias ‘moem’ tantas informações para oferecer um pão   perfumado e bom para aqueles que se alimentam     dos frutos da sua comunicação. Gostaria de exortar todos a uma comunicação construtiva que, ao rejeitar os preconceitos em     relação ao outro, promovam uma cultura do encontro, graças a qual se possa aprender a ver a realidade com crescente               confiança” , “…um estilo comunicativo aberto e criativo, que não seja disposto a conceder ao mal um papel de protagonista,         mas procure evidenciar possíveis soluções, inspirando uma abordagem propositiva e responsável nas pessoas a quem se           comunica a notícia”. Oferecer a “BOA NOTÍCIA ” que é o próprio  JESUS, confiando nas “sementes do Reino”, nos “horizontes     do Espírito “.

* Assessor da Pastoral da Comunicação e da Pastoral Familiar da Diocese de Nova Friburgo.