A coragem de testemunhar a paz e a misericórdia de Cristo

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Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo  de Campos (RJ)

Nestes últimos dias de abril o Papa Francisco visitou o Egito onde, há pouco tempo, foram mortos, por um atentado à bomba, 44 irmãos cristãos coptos que estavam em suas Igrejas. Houve muita apreensão com esta viagem peregrina do Papa e os consultores de segurança insistiram para não celebrar em lugares abertos e reduzir os contatos. Mas, Francisco, seguindo os passos do pobre de Assis que 800 anos antes tinha levado a benção ao Sultão, em tempos de cruzada, não se intimidou e preferiu confiar no Bom Deus transparecendo a doçura e a mansidão do Cristo Divino Mestre.

Encontrou-se com o grande imã de Al Azher, o Sheik Ahmed El Tayeb, abraçando-o e mostrando confiança e amor incondicional. Diante dos teóricos da guerra preventiva e dos que propalam de uma forma categórica que não pode haver diálogo com os muçulmanos, o Papa Francisco nos faz ver que importa apostar na paz preventiva e desarmar os corações com gestos de proximidade, bem querer e respeito.

O medo aos que muitas todos como terroristas. Não se trata de transigir com a violência dos grupos radicais, mas de compreender que a solução nunca será apenas militar, passará certamente com tentativas e pontes de acolhida a estas culturas visando ajudá-las num desenvolvimento autônomo e sustentável, eliminando qualquer resquício de superioridade discriminatória e imperialista, não impondo receitas de democracia nem minando a sua identidade religiosa.

Por outra parte, é necessário levar conforto e solidariedade aos cristãos perseguidos e espezinhados, defendendo a liberdade religiosa e sua cidadania plena. O encontro que culminou com a famosa Declaração de Marrakesh, assinada por líderes cristãos e muçulmanos, sobre liberdade religiosa e tolerância, há dois anos, e a atual visita do Papa ao Egito, abre esperanças de entendimento e de superação da violência dos extremistas, por um diálogo paciente, generoso e perseverante entre os citados abraâmicos.

O Papa nos convida a construir a paz entre cristãos e muçulmanos, tarefa e missão que tem antecedentes genuínos e belos, como vimos na benção de São Francisco de Assis. Deus seja louvado!