PÁSCOA É VIDA, PAZ E SANTA ALEGRIA!

Padre Francisco de Assis Soares Cravo

Vigário Administrador Paroquial da Quase Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Barcelos (Diocese de Campos)

A Páscoa cristã é celebração do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o mistério da Redenção, no qual e pelo qual o Filho de Deus feito homem reconciliou com o Criador a criatura humana, que decaíra no pecado. Feito à imagem e semelhança de Deus, o homem havia prevaricado pela desobediência, mas o Senhor, com entranhas de misericórdia, mandou-lhe um Salvador e Mediador, que reparasse, com justiça, a ruptura da harmonia original.

Cristo, Deus e Homem, trouxe credenciais e constituiu-se no Redentor — Deus, diante dos homens; Homem, diante de Deus; Deus, seus méritos são infinitos, capazes de reparação adequada: Homem, encarna a humanidade a ser redimida, de modo que sua Morte foi Vida para nós. De fato, Cristo gerou para a vida (mediante o mistério da Graça, que é a vida de Deus em nós) os que estavam mortos pelo pecado. Páscoa é Cristo Ressuscitado, com quem ressuscitamos da morte do pecado para a vida da Graça e fomos libertados da escravidão para a condição de filhos de Deus e herdeiros do Céu.

Por tudo isso, a Páscoa é Vida, é Paz, é santa Alegria, e é também a mais consoladora inspiração da fé, da esperança e da caridade. Esposa de Cristo em toda essa geração de vida, a Igreja é nossa Mãe. A Fé e a Graça, a Palavra e os Sacramentos constituem seu dote nupcial, são os dons com que Cristo lhe dedica amor e ela transmite aos filhos, não só no Batismo com que os gera de novo para a vida nova, mas também enquanto os faz crescer e os educa, a fim de atingirem a idade adulta e Cristo seja formado plenamente neles. Igreja nossa Mãe!

Quisera, em meio ao incontido júbilo pascal, imprimir acento filial de transbordante afeto e gratidão a essa Mãe, como mensagem aos meus irmãos e irmãs, filhos e filhas, os paroquianos de Barcelos e Comunidades: a Igreja é nossa Mãe! A pertença Igreja não é fato meramente jurídico, formal, externo, mas interior e vital. Não se pertence à Igreja como se pertence a uma associação, a um partido político ou a outra organização qualquer.

O que melhor se pode comparar em sentido natural com a Igreja é a Família. Pertence-se à Igreja, como se pertence à própria família. Na verdade, trata-se de um vínculo espiritual, não natural, mas de uma realidade ainda mais forte, do que a realidade do vínculo carnal e natural. Por este motivo, a Igreja é verdadeiramente Mãe do cristão, e este é verdadeiramente filho da Igreja.

A “maternidade” da Igreja foi sempre tida em grande conta desde os primórdios do cristianismo e nunca deixou de ser celebrada, com eloqüência de doutrina e de expressão, pelos Padres da Igreja, pelos teólogos e pregadores, pelos artistas cristãos e, principalmente, pelo Magistério. Se essa “maternidade” é uma realidade e não apenas uma imagem poética, importa acentuar-lhe, ainda, que sumariamente, o conteúdo doutrinário.

A Igreja é “Mãe” na ordem da graça e os Padres, como Santo Agostinho, revelaram o paralelismo entre o nascimento natural do homem, da mãe, e o seu nascimento sobrenatural, da Igreja. Confesso que o tema é de empolgar, mas, infelizmente, o pouco espaço não permite alongamento. Acrescentaria apenas um argumento a mais. Se no sentido natural o homem não pode ter a vida sem que a receba do pai e da mãe, também no sobrenatural não pode nascer para a vida divina se não a receber de Deus e da Igreja. Conhecida a afirmação feliz de São Cipriano: “Não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja por Mãe”. A Igreja é, pois, Mãe dos cristãos, que deve, por isso, viver como filhos dela, sentimento que o leve a participar da sua maternidade, cooperando com ela para que nasçam para a fé novos filhos de Deus.