Bispo de Campos destaca importância da Festa de Santo Amaro

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Dom Roberto Francisco Ferreria Paz – Bispo Diocesano de Campos fala da festa de Santo Amaro, tradicional na cidade, e que atrai mais ou menos 150 mil devotos nos dias de festa. A devoção a Santo Amaro é um dos legados dos Monges Beneditinos, presentes desde 1648 em Campos. Foram os pioneiros na catequese e na evangelização dos habitantes primitivos na região. Em 1736 foi inaugurada a igreja dedicada a Santo Amaro, dando inicio as festas que acontecem até os dias de hoje com uma multidão de devotos.

Nesta entrevista Dom Roberto Francisco chama a atenção para a importância da festa no contexto religioso, mas também cultural e social, com um importante apelo ao turismo religioso, que esta sendo incentivado com a criação do roteiro Caminho de Santo Amaro, com visitas as igrejas históricas ao longo do percurso que é feito pelos romeiros a pé, na madrugada de 15 de janeiro,

ENTREVISTA

A importância da Festa de Santo Amaro (social, religiosa e cultural) para a cidade e para a Igreja Católica.

Dom Roberto Francisco – É uma das principais festas religiosas da Região do Norte Fluminense e representa um dos três caminhos espirituais do Brasil (o de Anchieta, no Espírito Santo e o das Missões em São Miguel, no Rio Grande do Sul), constituindo uma experiência de fé caracterizada pela cruz fonte de conversão e missão, a compaixão e a misericórdia, expressa nos milagres em benefício dos pobres e desamparados e a paz com Deus, os irmãos e toda a criação. A cavalhada como bem cultural testemunha a importância do diálogo inter-religioso em especial com o mundo islâmico. Como se pode apreciar, é uma festa que oportuniza um valioso espaço para a Nova Evangelização e a inculturação da fé, agregando valores e movimentando o turismo religioso regional.

Com a criação da Reitoria já tem alguma previsão da Igreja ser santuário? e a importância de ser criado o Santuário de Santo Amaro?

Dom Roberto Francisco –  É um processo que vai organizando os requisitos de um Santuário: uma infraestrutura de acolhida e que dê conforto aos peregrinos e um espaço celebrativo maior que comporte a afluência de um número de fiéis em constante crescimento. Além disso a formação de lideranças e de ministérios a serviço da evangelização e das diversas pastorais para atender as diferentes idades e situações.

 Destacar um pouco do legado dos monges beneditinos na construção da devoção e do pioneirismo na implantação da fé católica na cidade e região.

Dom Roberto Francisco –  A devoção a Santo Amaro chegou muito cedo ao Brasil, já em 1560, em São Paulo, com os monges beneditinos. Verifica-se através da peregrinação monástica, um movimento religioso de evangelização e de espiritualidade orante, que marcou profundamente a região fluminense, tornando os mosteiros em centros irradiadores da fé e da civilização cristã. O legado cultural dos beneditinos é observável na sua contribuição educacional; nas artes sacras: música, escultura, arquitetura, especialmente nas Igrejas e Mosteiros, que são registros perpétuos que transcendem o tempo.

 O que representa o Caminho de Santo Amaro para a questão do turismo religioso?

Dom Roberto Francisco – Na medida em que acolhemos e facilitamos, dando apoio ao caminho espiritual de Santo Amaro, acreditamos que pode se tornar uma das jornadas e itinerários de fé, que mobilizarão grandes contingentes de pessoas. A fé é sempre uma aventura espiritual, que nos leva a caminhar e Santo amaro conjuga na sua trilha e senda mística a cruz, a compaixão e paz, três elementos profundamente cristãos que respondem plenamente a sede de Deus da humanidade.

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Ricardo Gomes