‘Natal dos Pobres’: unidade em favor da dignidade humana

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O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, e as comunidades que prestam assistência a pessoas em situação de rua e de dependência química passaram a manhã do dia 26 de dezembro junto às pessoas que se encontram na Cracolândia do Bandeira 2, em Del Castilho, Zona Norte do Rio, onde realizaram diversas atividades.

Dom Orani presidiu a celebração eucarística assim que o grupo chegou ao local. Em seguida, foi servida ceia de Natal, um almoço servido pelo cardeal e pelos consagrados presentes. Depois, agentes de saúde voluntários do Hospital São Francisco na Providência de Deus, localizado na Tijuca, prestaram atendimentos, tendo como suporte o ônibus da missão “Amor que Cura”.

“A arquidiocese tem um trabalho com as pessoas dependentes químicas nos vários locais onde elas se concentram. No Natal, damos ainda mais visibilidade a essa ação, através da celebração da missa e da presença de várias instituições e grupos que, durante o dia todo, realizam ações sociais, oferecendo assistência médica e religiosa, uma confraternização, e disponibilizando a orientação necessária para quem quer sair dessa situação de exclusão social”, disse Dom Orani.

Missão ‘Natal dos Pobres’

Organizada pelo Centro Pastoral Bom Samaritano, da Fraternidade Toca de Assis, a missão intitulada “Natal dos Pobres” é voltada para pessoas em situação de rua. Em especial, para o atendimento pastoral aos dependentes químicos, uma vez que a realidade é que muitos dos que estão em situação de rua acabam expostos à dependência química.

Recordando algumas dificuldades e burocracias existentes que atrapalham a realização dos diversos trabalhos sociais, Dom Orani destacou, durante a homilia, a presença de vários grupos, entidades, associações e carismas durante a ação.

“Esse resultado é fruto da proposta que fizemos, antes da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, de trabalharmos em rede. Propusemos que os vários grupos com as mesmas preocupações em nossa arquidiocese pudessem auxiliar-se entre si, construindo juntos essa unidade”, explicou o cardeal.

Segundo ele, os problemas da grande cidade não se resolvem apenas com o trabalho isolado de um grupo ou em uma só região. Torna-se cada vez mais necessária essa unidade para alcançar a todos os que precisam de ajuda.

“Expresso nossa alegria de ver essa potencialização do trabalho como consequência do Evangelho. Vejo, com muito entusiasmo, que o número de pessoas, grupos, pastorais e comunidades atuando na ação já cresceu muito desde o começo. Peço a Deus para que continuemos assim para cumprirmos nossa missão”, desejou o arcebispo.

O guardião da missão da Fraternidade Toca de Assis no Rio de Janeiro, irmão Eli Maria Servo do Cordeiro, falou sobre o principal objetivo da ação. Para o frei, muito mais do que levar um alimento corporal, a missão tem como objetivo levar a Palavra de Deus.

“É uma grande realização poder apresentar aos irmãos essa possibilidade de uma recuperação da saúde do corpo. Mas nosso maior interesse, que é essencial para eles, é a recuperação da vida e da saúde espirituais. As diversas ações aqui realizadas servem como uma ‘isca’ para que a gente consiga ‘pescar’ alguns deles e possibilitar uma vida nova com dignidade através da recuperação. É um dia de festa e alegria para todos nós!”, afirmou irmão Eli.

Quem reside na região, marcada pela desigualdade social, também ficou grato com a presença da Igreja nesse período natalino.

“Moro aqui há seis anos e tenho um filho de dois meses. Hoje foi um dia muito bom, pois todos nós tivemos a oportunidade de comer. Além disso, o padre foi lá em casa e orou por nós. Também pedi para Dom Orani ir a minha casa fazer uma oração, porque o Natal também é uma data importante para nós”, relatou Maria, moradora da comunidade Bandeira 2.

Inspirados pela conhecida passagem bíblica: “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 26), aqueles que trabalham na missão “Natal dos Pobres” já colhem os frutos do trabalho social que realizam junto a seus grupos, comunidades e expressões particulares.

“Fui usuário de cocaína durante 20 anos, e a caminhada para a sobriedade foi dura. Conheci a Comunidade Maranathá através da minha esposa, que anteriormente conheceu a Pastoral da Sobriedade. Estou há sete anos e quatro meses livre das drogas. Hoje, aos 52 anos, sou consagrado da comunidade e ministro da Eucaristia na Paróquia Jesus Sacramentado, na Praça do Carmo. Devo tudo a essa instituição, que me trouxe a vida novamente através do resgate da minha dignidade”, testemunhou o voluntário Carlos Alberto Santos.

Unidade na diversidade

Acolhendo o desejo e a orientação do Cardeal Orani, participaram da missão em unidade os Discípulos Missionários Pequena Nuvem, a casa de acolhida São Francisco e Santa Clara, membros da Comunidade Católica Maranathá; padres da Associação Charles de Foucault; frades da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus e profissionais do corpo clínico e voluntários do Hospital São Francisco.

O ônibus da missão “Amor que Cura” é uma parceria da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus com a ONG Mais Saúde. O veículo permite que sejam levados cuidados de saúde e higiene a áreas de exclusão social.

A unidade móvel conta com três consultórios médicos e uma farmácia de dispensação. “Nossos voluntários também são missionários, missionários do amor. Eles aproveitam a oportunidade do contato com essas pessoas que estão debilitadas em sua saúde e anunciam o amor de Jesus Cristo”, contou o diretor do Hospital São Francisco na Providência de Deus, frei Paulo Baptista.

O diretor-presidente e fundador da Comunidade Católica Maranathá, José Martins Cipriano, falou sobre a alegria de estar presente ajudando a dar continuidade ao trabalho missionário.

“Tem sido um trabalho muito fecundo e com grandes testemunhos e resultados, pois alguns irmãos já saíram das ruas e deixaram a dependência química. Muitos, inclusive, estão hoje junto às suas famílias e até mesmo retornando como voluntários na missão”, contou ele.

O diácono Edilson Ezequiel de Lima, da Paróquia São José Operário, na Vila do Pinheiro, Complexo da Maré, contou que o trabalho realizado no local vai além das ceias de Natal e Páscoa: “Durante todo o ano, estamos presentes neste local e em várias regiões da cidade. Aqui, semanalmente, fazemos atendimento espiritual com a ajuda dos sacerdotes da Associação Charles de Foucault e das Irmãs Missionárias da Caridade. Sempre presentes aos sábados, eles ajudam encaminhando as pessoas que querem sair da situação de rua e dependência química. O nosso objetivo, além de falar de Deus, é abraçar e ouvir o irmão que precisa falar. Somos o braço que tenta resgatar o nosso próximo”, destacou o diácono.

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Colaboração: Symone Matias

Fotos: Gustavo de Oliveira

Do Site da Arquidiocese do Rio de Janeiro