Laços comuns da humanidade e a inquietação religiosa do homem

discurso 1

Emmo. Sr. Cardeal Kurt Koch – Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e Responsável pela Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus

Caríssimos Irmãos no Episcopado, dentro os quais Dom Francesco Biasin – Bispo Referencial para o Diálogo Inter-Religioso na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e D. Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo Diocesano de Duque de Caxias, Bispos Auxiliares presentes,

Caríssimos Sacerdotes, Diáconos, Seminaristas

Prezado Rabino Sérgio Margules, e demais rabinos presentes
Exmo. Sr. Osias Wurman – Cônsul Honorário de Israel no Rio de Janeiro

Ilustríssimo Sr. Herry Rosenberg – Vice-Presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) e demais entidades representativas da comunidade judaica,

Ilustríssimos Membros da Comunidade Judaica no Rio de Janeiro
Senhoras e Senhores,

É com grande alegria que acolho a todos para este encontro, agradecendo ao Cardeal Kurt Koch ter aceito o nosso convite para vir ao Rio de Janeiro e, nesta noite, estar com os membros da comunidade judaica em nossa cidade.

Agradeço também a presença de todos os que aqui se encontram, gentilmente atendendo ao chamado que lhes fiz, pela nossa carta na qual expressava a motivação deste evento:
“Contribuir para fortalecer os laços de unidade pela fé no único e verdadeiro Deus, bem como testemunhar nosso empenho por uma sociedade mais humana e solidária, de acordo com o que o Papa Francisco chama de “cultura do encontro”.

Aproveito para cumprimentar a todos pelo Ano Novo Judaica que ocorrerá na próxima semana e desejar que juntos possamos construir a Paz.

O tema que norteia a visita do Cardeal Koch é a comemoração dos 50 anos da Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II. O documento aborda, desde sua introdução, os “laços comuns da humanidade e a inquietação religiosa do homem; a resposta das diversas religiões não-cristãs e sua relação com a Igreja”.
E prossegue: “Hoje, que o gênero humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera mais atentamente qual a sua relação com as religiões não-cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm de comum e os leva à convivência.” (nº1)

Uma das grandes preocupações do mundo atual é a paz. Preocupam-nos os conflitos armados dispersos pelo mundo, com suas nefastas consequências, como mortes, rupturas sociais, migrações forçadas. São também muito graves as disputas econômicas, que promovem a competição acirrada entre os mercados, e o domínio de grupos poderosos sobre os mais pobres.

Voltando o olhar para a nossa própria realidade, vemos que as situações de violência se repetem, e até mesmo se agravam, colocando em risco a segurança das pessoas e a própria estabilidade social. A cada momento vemos o agravamento da violência no mundo e em nossa cidade com suas próprias características. Pensar e refletir sobre o assunto se torna cada vez mais premente. Afinal, quais os caminhos para a humanidade se reencontrar a partir do respeito mútuo?
O Santo Padre, o Papa Francisco, em sua encíclica Evangelii Gaudium, nos interpela na medida em que nos convida, governados e governantes, a construirmos juntos uma pátria sem diferenças sociais tão agudas, uma pátria onde a corrupção não se sinta segura para agir livremente, e onde ninguém se canse de acreditar que isso é possível.

Neste mundo frequentemente dilacerado por discórdias, divisões e violência, todas as pessoas de boa vontade, nos variados contextos socioeconômicos, políticos e religiosos, são urgentemente chamadas a colaborar na defesa dos ideais de paz, justiça e empenho pelo bem comum das nações e de cada indivíduo.

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro celebra em 2015 o “Ano da Esperança”, que nos motiva a descobrir ou semear sinais de esperança em nossa realidade. É aqui, pois, onde eu vejo um desses sinais. Nas mentes e nos corações que se unem para pensar e impulsionar um novo agir rumo à paz, tão desejada, porém, algumas vezes, tão distanciada.
Gostaria de concluir com um texto do Papa Francisco, parte da mensagem que ele dirigiu ao Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, por ocasião do ano novo de 2014:
“O egoísmo e o isolamento criam sempre uma atmosfera asfixiante e pesada, que mais cedo ou mais tarde acaba por estiolar e sufocar. Ao contrário, serve um compromisso comum de todos para favorecer uma cultura do encontro, porque só quem consegue ir ao encontro dos outros é capaz de dar fruto, criar vínculos de comunhão, irradiar alegria, construir a paz”. Possamos juntos ser construtores dessa paz.
Minhas boas-vindas a todos.
Shalom.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
Presidente do Regional Leste 1

Com informações da Arquidiocese do Rio de Janeiro

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