Festa de São Sebastião reúne 200 mil no Rio de Janeiro

Com a grande graça de poder sediar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013), em julho do próximo ano, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, juntamente com toda a população da Cidade Maravilhosa, provou que é capaz de realizar um grande momento de fé, devoção e esperança.

Correspondendo ao chamado de Deus e à convocação que a Igreja no Rio veio realizando desde o dia sete de janeiro – com o início da Trezena de São Sebastião –, cerca de 200 mil pessoas deram um belo testemunho de fé nesta data festiva, 20 de janeiro, dia do Padroeiro da Arquidiocese e da Cidade.

Com muita alegria e fervor, a grande multidão saiu da Igreja de São Sebastião (dos Capuchinhos) em direção à Catedral Metropolitana. Muitas pessoas trajavam camisas vermelhas e portavam lenços e bandeiras da mesma cor, em memória ao martírio do Santo. A procissão foi presidida pelo Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e animada pelos Padres que participaram do CD de cânticos “São Sebastião Acolhe a Juventude”, produzido para animar os festejos do Santo Mártir neste ano de 2012.

Para o Arcebispo, este dia 20 — que reuniu além das 200 mil pessoas no Centro do Rio muitas outras nas várias paróquias e capelas dedicadas ao Santo, que nesta data também realizam procissões comunitárias — revela a força da devoção católica na Cidade:

— Reunir 200 mil pessoas na procissão e outras tantas nas várias comunidades por toda a Cidade mostra o carinho dos cariocas para com São Sebastião. (…) O povo do Rio de Janeiro vê em São Sebastião alguém que é exemplar e o ajuda a ser melhor, contou Dom Orani.

Para o Pároco da Igreja São Joaquim, Padre Gleuson Gomes, que animou o grande momento de oração e participou da produção do CD cantando as músicas “Jovens Abençoados” e “As flechas não mataram”, a procissão de São Sebastião significa uma manifestação de fé com o desejo de que todos se lembrem do Padroeiro da cidade como um homem que realmente constituiu uma grande entrega, uma oblação perfeita à Cristo.

– A vida de São Sebastião precisa ser lembrada porque ele é uma expressão de devoção muito forte no coração do Rio, ele é um símbolo perfeito para a cidade. Nós sabemos que São Sebastião passou por muitas torturas, espancamentos e flechadas, mas nenhum sofrimento foi maior do que o seu amor a Cristo e isso é a cara do Rio de Janeiro. Celebramos hoje, neste dia especial, uma vida que é um sinal do poder de Deus no meio da nossa fragilidade humana, afirmou Padre Gleuson.

O Coordenador de Eventos de Massa da Arquidiocese, Padre Omar Raposo, falou sobre a participação da população carioca durante os treze dias de preparação espiritual para a festa do Padroeiro e sobre a procissão.

– A trezena e a procissão mostram a força do povo de Deus e a visibilidade que queremos dar à nossa fé e ao nosso Padroeiro, São Sebastião — maior devoção de nossa cidade. É um momento de emoção, de oração e de reflexão, pois estamos às vésperas da Jornada Mundial da Juventude (JMJ RIO2013), desejosos por receber e acolher jovens do mundo inteiro e levar a Palavra de Deus para todos os povos: eis a nossa alegria, eis a nossa festa, afirmou Padre Omar.

Muitos quiseram participar do momento festivo, sem medir esforços. Crianças acompanhadas pelos pais, jovens, idosos e muitos cadeirantes, acompanharam todo o cortejo agradecendo e pedindo a intercessão do Padroeiro do Rio de Janeiro. Das janelas de suas casas e edifícios, muitos idosos que não podem se locomover também acenavam e faziam suas orações ao Santo. Alguns, inclusive, ornamentaram suas sacadas em atenção a São Sebastião.

– Participar da procissão pra mim é muito importante porque esse Santo é rico de esperança e de fé. Tudo o que eu peço, pela intercessão de São Sebastião, eu consigo, destacou José Laerte da Paróquia São Tiago, em Inhaúma.

Cecília Angelina, que participa da Igreja de Santo Antônio, no Centro, acompanhou a procissão com toda a família pedindo a intercessão de São Sebastião pela cura de sua tia.

– Sempre fui devota de São Sebastião e ele sempre me atendeu. Não vai ser agora que ele vai me deixar… Tenho muita fé que ela será curada, disse Cecília.

Devoto desde criança, Alessandro de Oliveira, da Igreja Nossa Senhora da Luz, no Alto da Boa Vista, vestiu Mateus, seu filho de um ano, de São Sebastião.

– Desde criança eu sou devoto de São Sebastião e sempre participei da Missa e da Procissão. Frequento a Igreja fielmente e essa foi uma oportunidade que eu encontrei de ele seguir o mesmo caminho, afirmou Alessandro.

Felizes e agradecidos a Deus pelos festejos de São Sebastião estarem ligados à juventude, os jovens da Arquidiocese também acompanharam a Procissão. A Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral da Juventude(PJ), Aline Barbosa, ressaltou que todos devem se espelhar no “Jovem Discípulo de Jesus”.

– É uma grande alegria nós estarmos participando da festa do Padroeiro do Rio de Janeiro. São Sebastião foi um jovem perseverante e corajoso, um exemplo para todos nós. Foi uma grande honra ter a Trezena e tudo o que foi preparado para essa grande festa, voltados para a juventude, somos muito gratos a Deus e à Igreja, disse Aline.

O prefeito Eduardo Paes, vereadores, e outras autoridades civis, como a Chefe da Polícia Civil, Delegada Martha Rocha, também compareceram à procissão para fazerem seus pedidos a São Sebastião.

Durante todo o trajeto, muitas foram as pessoas que fizeram suas doações para as vítimas das enchentes no Estado do Rio. Ao longo dos 13 dias preparatórios a esta data festiva, a Arquidiocese do Rio arrecadou, com a carreata da fraternidade, aproximadamente 10 toneladas de alimentos, além das que foram reunidas nesta tarde, num grande gesto de solidariedade testemunhado pela população carioca.


 

Auto de São Sebastião torna visível o exemplo do Padroeiro 
 

As 200 mil pessoas que foram se unindo ao longo de todo o trajeto da procissão em honra ao Padroeiro da Cidade chegaram à Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana, no Centro do Rio, para conhecerem melhor a vida do Santo Mártir, reproduzida no Auto de São Sebastião.

“Através de uma vida de santidade, um homem soube como fazer o mundo melhor” — anunciou São Sebastião o texto de Walcyr Carrasco, representado pelos 22 atores da Companhia Julieta de Serpa, sob a direção de Márcio Fonseca.

Para o Presidente da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Serpa, o espetáculo apontou as semelhanças entre o Padroeiro e os cariocas, deixando aos que o assistiram uma mensagem de incentivo à caminhada cristã e à boa vivência cidadã:

— O Auto de São Sebastião mostrou uma relação das coisas que aconteceram naquela época com as coisas que acontecem no Rio de Janeiro, com suas mazelas, seus problemas; e a gente pode modificar essa sociedade, assim como São Sebastião pôde fazer. A gente mostrou as flechas que podem desfigurar a nossa Cidade, como as que desfiguraram São Sebastião, mas que não o levaram à morte graças a sua obstinação pelo Cristo. A mensagem mostra a esperança que o povo do Rio de Janeiro deve ter em Cristo para que a população ajude a melhorar ainda mais a cidade do Rio de Janeiro. (…) A vida de São Sebastião é um exemplo para mostrar que é preciso acreditar, ter fé para que as mudanças se realizem. Daí a importância da obra de arte, da peça, do teatro como uma forma viva, lúdica de evangelização, contou.

A arte cênica

A encenação retratou a tortura que os cristãos do ano II viveram, sob o jugo do Imperador Diocleciano (ator Bruno Torquato), que acreditava que ele mesmo era um deus e desprezava e condenava à morte aqueles que criam diferente. Sebastião (ator Roberto Padula), soldado da guarda do Imperador, num primeiro momento foi nomeado Comandante da Guarda, se tornando o homem de confiança do Imperador, por tê-lo livrado de um assassinato. Embora o jovem soldado exercesse bem o seu ofício, sendo valente nas frentes de combate, não deixava de lado sua fé e nem seus irmãos cristãos. Ele ia, inclusive, visitá-los nas prisões para consolá-los e animá-los na fé. Só que a promoção de Sebastião causou inveja e ele, então, foi denunciado como cristão para o Imperador. Esse, ao averiguar com o próprio Sebastião a veracidade da informação, ao pedir que ele adorasse a outros deuses, teve a afirmação sobre a fé cristã do jovem e ainda, ao acusá-lo de traição, ouviu a seguinte indagação: “Minhas atitudes não refletem a beleza dos mais puros princípios cristãos?” O Imperador, então, mandou que Sebastião, sob a acusação de infidelidade, fosse amarrado a uma árvore e morto a flechadas. Tal sentença seria, segundo a autoridade em vigor, “impossível à sobrevivência”, mas o jovem militar resistiu. Foi achado, no meio da floresta, por Irene, uma cristã, que, ao ver que ele estava vivo, o levou para casa e  cuidou das suas feridas.

 Ao se recuperar, Sebastião voltou ao Imperador para dar testemunho de sua fé e oferecer a ele a possibilidade de conversão à crença em Jesus, mas ele se recusou. E deu nova ordem: que o jovem fosse espancado com pauladas e bolas de chumbo até a morte. Para evitar que o corpo de Sebastião fosse venerado pelos cristãos, foi jogado em esgoto público. Mas Luciana, mais tarde também canonizada, o encontrou e sepultou numa catacumba.

A encenação também relatou a importância do exemplo de São Sebastião para os cariocas, recordando a primeira Imagem trazida por Estácio de Sá para o Rio de Janeiro, em 1565, e a invocação da intercessão do Santo na expulsão dos franceses, em 1567. As flechas da violência, do tráfico, da não assistência aos enfermos, da miséria e da falta de caridade que atualmente, como as que feriram São Sebastião, machucam o Rio de Janeiro, foram destacadas e apresentadas ao Padroeiro, durante a bela oração que encerrou o Auto deste ano.
   
— Que as flechas que se abatem sobre a nossa Cidade e nosso povo não nos desanimem. (…) Que aqui saibamos construir a paz e a fraternidade. (…) Os cariocas têm sempre a possibilidade de transformar esta Cidade porque eles têm um coração religioso e bom, capaz de fazer o bem, disse o Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta.

Encerrando as atividades, Dom Orani celebrou Missa Solene, com a Catedral Metropolitana repleta de gente. 


 

Missa nos Capuchinhos encerra Trezena 

Para fechar a Trezena do Padroeiro da Cidade Maravilhosa, a Imagem Peregrina visitou na última quinta-feira, 19 de janeiro, a Paróquia São Sebastião, mais conhecida como Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca. Curiosos rodearam o carro do Corpo dos Bombeiros, que levava o Padroeiro. Muitos queriam tocar na Imagem e demonstrar um pouco da fé e devoção pelo “Jovem Discípulo de Jesus Cristo”.

Na Igreja, o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, presidiu a Missa de encerramento da Trezena de São Sebastião – organizada pela Arquidiocese – e da Novena, realizada pela comunidade local. Estavam presentes também o Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio Dom Edson de Castro Homem, os Vigários Episcopais dos Vicariatos Norte e Urbano, Monsenhor Gustavo Auler e Padre José Laudares, respectivamente, o fundador da Comunidade Missionária Providência Santíssima, Monsenhor Orlando Aparecido de Souza, e Freis Capuchinhos.

Durante a Homilia, Dom Orani fez um balanço desses treze dias em que percorreu diversas comunidades — muitas, inclusive, que têm seus nomes dedicados ao Santo — mosteiros, veículos de comunicação, hospitais e órgãos públicos. Para o Pastor, não basta apenas um dia de festa em homenagem ao Padroeiro, é necessário uma preparação.

– Nós chegamos ao final da Trezena de São Sebastião em nossa Arquidiocese e da Novena do Santo Padroeiro aqui na Igreja dos Capuchinhos. Creio que estamos mais bem preparados, não só para a festa de São Sebastião, mas para celebrar a vida e caminhada de fé neste ano, afirmou Dom Orani.

O Arcebispo ressaltou ainda que todos os cristãos são convocados por Deus para que sejam também convocadores daqueles que buscam a felicidade, o caminho, a verdade e a vida, Jesus Cristo.

– Hoje nós temos que fazer a nossa opção por Jesus Cristo sendo testemunhas que convocam outras pessoas a caminhar com Ele, disse.


 

Feliz dia de São Sebastião 
 

Sexta feira, 20 de janeiro, dia do Mártir protetor do Rio de Janeiro, dia de São Sebastião! Após a Trezena de preparação aos festejos em honra ao Santo, o dia do Padroeiro da cidade começou com Missa na Igreja de São Sebastião, na Tijuca. O local, administrado pelos frades capuchinhos, é conhecido por guardar três relíquias da cidade Maravilhosa: a pedra fundamental, que deu origem ao Rio de Janeiro, os restos mortais de Estácio de Sá e a imagem do Santo Padroeiro que teria sido trazida pelo próprio Estácio de Sá para a fundação da cidade.

Desde cedo, os fiéis lotaram a Igreja e, vestindo a cor característica do Santo, transformaram o local em um verdadeiro mar vermelho de amor e devoção ao Padroeiro. Flores e fitas também não faltaram para homenagear o Santo. Desde crianças de colo até idosos, todos queriam agradecer e reafirmar a fé no Jovem Discípulo de Cristo.

Iraci Veiga levou a neta de apenas um ano para a Igreja, vestida da cor de São Sebastião. Ela conta que há mais de trinta anos participa das festividades do Padroeiro junto do marido.

– Sempre trouxe minhas duas filhas para cá, vestidas de São Sebastião. Ano passado recebi a benção do nascimento da minha neta. Vou fazer com ela a mesma coisa que fiz com as minhas filhas. Enquanto Deus me der saúde, vou sempre trazer minha neta para cá e, claro, com a roupa de São Sebastião, afirmou.

Crispiniana da Silva é bahiana de nascimento, mas carioca de coração. Ela é mais uma na legião de devotos de São Sebastião que foram à Igreja agradecer a intercessão do Santo.

– São Sebastião é milagroso. Eu tenho problema no joelho e só de conseguir andar, já é um motivo para eu agradecer, disse.

Às dez horas deu-se inicio à Missa Solene. De pé, os fiéis receberam o celebrante, o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, acompanhado pelo Bispo de Itaguaí e frade capuchinho, Dom Ubiratan, elo Pároco da Igreja de São Sebastião, Frei Paulo Roberto e pelos Vigários Episcopais Monsenhor Gustavo Auler, do Vicariato Norte e Padre José Laudares, do Vicariato Urbano.

Durante a Homilia, Dom Orani ressaltou o privilégio de começar o ano com os festejos de São Sebastião e pediu para que todos vejam o Santo como um exemplo de firmeza da fé em Cristo.

– Essa é a oportunidade de podermos olhar para a vida de São Sebastião. Que possamos, como ele, exercer bem todas as nossas convicções cristãs. São Sebastião é um sinal de vida cristã. Ele foi testemunha de Cristo, falou.

O Arcebispo lembrou ainda o ano da fé e motivou os fiéis a não desanimarem perante as dificuldades do mundo.

– Diante de todas as dificuldades que existem ao nosso redor, somos chamados a sermos firmes em Deus, somos chamados a ser missionários e a levar adiante a boa noticia, disse.

Na parte da tarde, as festividades de São Sebastião prosseguem. Às 16 horas sai, da Igreja dos Capuchinhos, a tradicional procissão até a Catedral Metropolitana, na Avenida Chile. Em seguida haverá o Auto de São Sebastião e o show “São Sebastião Acolhe a Juventude”.

Fonte: Portal Um

Assessoria de Imprensa do Regional Leste 1 da CNBB